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terça-feira, 20 de maio de 2014

Nova Iorque | Petiscos, Comidinhas e Gulodices (Parte II)

Depois da primeira parte, aqui vai mais uma leva de locais a visitar em Nova Iorque, se se quiser um docinho, uma guloseima, um lanchinho a meio do dia, mais açucarado. Não é necessário dizer, assumir, sem vergonha nem pudor que sim, somos bem gulosos por aqui, como podem ver.  

Shake Shack - Depois de um dia no Museu de História Natural (obrigatório e onde se pode almoçar, já que é visita para demorar várias horas), sabe sempre bem passar pelo Shake Shack (espalhado também por outros pontos da cidade, e fora dela - ver Location & Menu) e beber um batido. Esta era mais uma recomendação do guia que seguimos e ficámos bastante contentes com a descoberta. Tem dos melhores batidos que já provámos, sem dúvida alguma. Cremosos, densos e com muito sabor. Provámos o de caramelo e o Black & White, uma combinação de chocolate e baulinha, e ambos eram realmente deliciosos. O Shake Shak tem, ainda, hamburguers, combinados e outros petiscos que, a averiguar pela fila para as comidinhas, também devem ser muito bons. O que mais me maravilhou, confesso, pela originalidade e atenção, foram os treats, para os amigos de quatro patas, no menu. Genial, não é?

William Greenberg - Este foi mais um espaço conhecido apenas por causa do guia (cheinho de espaços com petiscos deliciosos). William Greenberg é uma pastelaria a visitar quando forem passear pelo Upper East Side, na Madison Avenue, entre as ruas 82 e 83. Os bolinhos mais famosos são estas Black & White Cookies, Um bolinho fofinho e húmido, redondo, coberto por um creme glacé de açúcar, de um lado, e chocolate, do outro. Tanto adorei a primeira cookie que comi, partilhada, que, quando passámos novamente pela região, quis comer uma sozinha, de sobremesa.  Além desta, tradicional, há ainda outras bolachas, de outras cores e sabores, e outros bolos, todos com um ar muito apetitoso. Mais uma razão para passar por aqui? Fica perto da Space.Nk e da Laura Geller, ambas no Upper East Site, a alguns minutos a pé de distância, onde todas as viciadas em produtos de beleza se podem perder. 

Dylan's Candy Bar - Famosa por ser a loja de doces da filha do Ralph Lauren e aparecer em filmes e séries, a Dylan's Candy Bar (3rd Avenue com a 60th st) é um paraíso para todos os que adoram gomas, rebuçados, chupa-chupas/pirolitos e gulodices no geral. As coisas não são propriamente baratas, mas vale a pena experimentarem as barras de chocolate da loja (3 por 12 dólares mais taxes), com variadíssimos sabores, dos mais normais, como caramelo ou chocolate de leite, simples, aos diferentes e estranhos, como o de bacon ou de massa de cookie e brownie (este o meu favorito de todos os peculiares). A decoração também é digna de nota, especialmente as escadas docinhas e os chupas coloridos, que me fizeram lembrar o Charlie e a Fábrica do Chocolate. 

Eleni's - Aqui está uma loja que, felizmente, não ficava em nenhum lugar pelo qual passávamos todos os dias, se não, teríamos problemas. No Chelsea Market (sítio fantástico para visitar e aproveitar para almoçar), na 75 com a 9th Avenue, a Eleni's é uma pastelaria que tem tanto de agradável à vista, quanto ao paladar. Deste as caixinhas de bolachas (as mais famosas), de vários sabores, que são de comer e chorar por mais, aos cupcakes numa harmonia de bolinho húmido, fresquinho, e cobertura com a delicadeza de um merengue, os produtos são confeccionados com ingredientes de qualidade, e isso nota-se em cada dentada. Eu comi o Mint Chocolate Cupcake (pelo menos é assim que me lembro do nome) e era divinal. Embora possam encontrar as bolachas por vários locais na cidade, como no Whole Foods, eu diria que vale a pena visitar a loja principal, para se maravilharem com as cores e o bom aspecto dos doces, demorarem algum tempo a escolher o que querem, e trazer as mãos cheias de coisinhas boas. Recomendo vivamente (e a salivar de saudades, já agora).  

De seguida, partilharei um post só sobre comidas diversas, sem locais específicos, para uma apreciação geral. Porque há coisas que, parem onde pararem, têm de provar em Nova Iorque. 

Visitaram algum destes templos à gulodice, na vossa estadia em NY?

sábado, 17 de maio de 2014

Fim de Semana em São Paulo

Foto: lugarzinho.com

Este fim de semana estaremos a passear por São Paulo, passando, obrigatoriamente, pelo Mercadão (que eu acho fantástico!), que receberá, hoje, durante horas, grupos de forró para dançarmos. Este fim de semana é o da Virada Cultural, que começa às 18 e terá 24 horas seguidas de actividades culturais, espalhados pela cidade, para todos os gostos e interesses, dos mais pequenos aos mais velhos. Bestial, não é? Por isso, como deverão entender, talvez não consiga vir aqui publicar posts hoje e amanhã. Vou tentar, mas não prometo. 

Entretanto, sigam a Salinha no Facebook e no Instagram que, não tendo tempo para escrever, é lá que partilho, sempre que tenho internet, fotos ou links interessantes. 

Bom fim de semana! :)  

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Nova Iorque | Petiscos, Comidinhas e Gulodices (Parte I)

Uma cidade que nunca dorme tem, obrigatoriamente, muitas bocas, de gostos, culturas e paladares diferentes, para alimentar. Reconheço que, os mais puristas, vão franzir o olho e achar que nos Estados Unidos não há nada de especial para comer, que fritos, molhos, guloseimas ou petiscos mais calóricos não são para apreciar, nem saborear, como se o diabo em forma de comida fossem. Gosto que a minha alimentação seja correcta, especialmente em casa, mas o ser turista que há em mim gosta de provar tudo, desde saladas na Grécia aos bagels com ovo e bacon em Nova Iorque.

Por isso, e sem mais demoras (e já com um mês de atraso), sai mais um post sobre a nossa viagem a NY, com referências aos vários locais onde comemos, dignos de partilha. Relembro que, para quem não sabe, aqui em casa gostamos de tascas, comidas de rua, petiscos e afins, pelo que não verão, nesta leva, restaurantes caros e/ou nos quais se percam horas a comer. Se esses forem os vossos favoritos, poupo-vos já o trabalho de lerem tudo até ao fim. Se gostarem de "biroscas" (adoro esta palavra em português do Brasil, que classifica as nossas tascas ou cafés mais simples, aqueles que até têm um espaço de mercearia, por vezes), vamos lá, de quatro em quatro por leva, para não maçar muito. 



Johnny Rockets - Logo no primeiro dia, como já partilhei convosco no post sobre compras para os pés, fomos até um outlet em Jersey City (para o qual há autocarros a sair de Manhattan, embora tenhamos ficado em casa de uma amiga muito perto e não o tenhamos usado), o Jersey Gardens. Sendo enorme, com excelentes preços (relembro que em New Jersey não se cobram impostos na roupa, além dos preços já muito rebaixados e dos cupões de visitante), e relativamente longe do centro da cidade, é lugar para ser visitado durante um dia inteiro, o que pressupõe uma refeição por lá (pelo menos para mim que não me tenho em pé horas e horas sem comer). Nós optámos pelo Johnny Rockets, pelo ar de cafézinho/restaurante de filmes, daqueles onde param as pessoas que passeiam de carro pelas longas estradas norte-americanas. Com sofás, uma jukebox por mesa, e empregados simpáticos que, de vez em quando, faziam uma coreografia organizada, pelo restaurante (muito gosto eu de flash mobs, mesmo pequenas!), é um espaço acolhedor, que nos envolve ao ponto de quase nos esquecermos que estamos numa praça de restauração de um shopping, fechado. Comemos hamburguers, cada um com o seu acompanhamento, e apercebi-me do meu imenso amor por batata doce (desta, alaranjada, que nem sei qual é) frita. O resto também estava delicioso; o pão (doce), a carne (de frango), os cogumelos frescos e a cebola tinham sabor de comida muito mais "caseira" do que cadeias como o McDonald's ou semelhantes. As batatas fritas comuns, ainda por cima, são à descrição e há a opção de refill da bebida em alguns menus. O ketchup em formato de smiley estava literalmente de roubar sorrisos e acompanhei tudo com um Dr. Pepper (adoro, adoro!). No final, o preço era ainda mais simpático, custando o mesmo que um restaurante de fast food, mas com muito melhor qualidade e atenção. (Confesso que, saídos de Paris, onde comer fora é algo de luxo, quase todas as refeições que fizemos tinham, para nós, uma relação qualidade/preço bestiais.) 


Dunkin' Dounuts - Sou aficionada em Simpsons, o Homer é aficionado em Donuts, pareceu-me portanto impossível deixar de provar uma (ou mais!) gulodices tão apreciadas por ele. Não consegui perceber se, efectivamente, esta era a cadeia de tinha o donuts da série, com cobertura rosa e sprinkles coloridos (embora houvesse um exactamente assim, mas sem qualquer referência à família amarelinha), mas comi vários, incluindo um especial da páscoa, que tinha no meio um Peeps (pintinho típico da época, por aqueles lados) de marshmallow. Admito que os com cobertura colorida não eram os meus favoritos, mas os simples, apenas com açúcar, ou com framboesas na massa, deixaram-me bem impressionada. São produtos totalmente industrializados, numa cadeia que há por todo o lado, portanto nada de artesanal ou caseiro, como os bolos das nossas pastelarias, mas vale a pena provar pelo menos um.    


Eli Zabar - Na Grand Central Station (que, por sinal, é absolutamente linda), há um mercado gourmet, com produtos a preços menos amiguinhos do bolso (embora nada de extraordinário, na Grand Epicerie de Paris a coisa é pior), mas com um ar muito natural e fresco, perfeitos para um pic nic. Com o frio que estava, confesso que deixámos uma refeição no parque para uma próxima visita, mas não saímos de lá sem provar algo da padaria/ pastelaria, mesmo no fundo (para quem entra na estação e se dirige à rua), a Eli Zabar. Tudo tinha tão bom aspecto, que foi difícil escolher, mas, pelo bem do consenso, e com vontade de algo que parecesse um lanchinho salgado enquanto fazíamos tempo para o almoço, trouxemos um quadrado de algo que parecia uma pizza mas que tinha outro nome (não me lembro dele e não o anotei... shame on me!) e adorámos. Era realmente fofinho, com tomate fresco, um queijinho muito saboroso e com ar de acabadinho de sair. Quem for até à Grand Central Station, passe pelo mercado, nós voltaremos lá com certeza.  

McGee's - Ok, sou influenciável e sou, vou fazer o quê? Andávamos nós, vindos do Times Square, em busca do Burguer Joint, recomendado no nosso guia, quando, do nada, o meu companheiro de viagem (de todas e da vida, vá) me diz que, por ali, deveria ser o bar que inspirou o famoso MacLaren's do How I Met Your Mother (série que seguia religiosamente e que deveria ter ficado no penúltimo episódio). Poucos minutos depois, aguardávamos numa passadeira, quando avisto, por sorte, mais para o fundo da rua W55, entre a Broadway e a 8th Avenue, uma grande faixa branca, com letras pretas, muito discreto e, para quem não conhece, pouco visível, a chamar para o McGee's Pub. Era onde os criadores se reuniam, elaboraram o projecto da série e pensavam nos guiões /roteiros dos episódios iniciais (reza a lenda, pelo menos). Quando se entra vê-se alguma semelhança, especialmente num quadro igualzinho ao bar ficcionado, que fica por cima das mesas à esquerda, e na lareira, mas só nesses pormenores. Algumas fotografias dos actores, uma pequena banca com produtos de merchandise à venda e os nomes de alguns cocktails também nos remetem para a série, mas não descaracterizam, de forma alguma, o McGee's como típico pub irlandês. Os preços, esses, era um bocadinho mais picantes que outros bares e restaurantes (não sei se pela fama recente), mas a comida estava realmente boa. Eu comi uma tortilla de espinafres com camarão, servida com batata doce (Whatelse?)  e  ele uma Philly Cheesesteak (típica, a provar, para quem gostar muito de carne) e ambas eram muito frescas e saborosas. Sim, tinham muito molho à mistura e algum queijo, mas notava-se que eram pratos confeccionados ali, com ingredientes de muito boa qualidade. Eu sou esquisita com os camarões e estes eram grandes e carnudos, nada como os mirraditos e esponjosos que às vezes se apanham em sanduíches. Não provei nenhum cocktail, que o dia ainda era longo e não queria ficar pesada, com sono e sem vontade de continuar o passeio, mas deixo-vos a lista, caso queiram experimentar as combinações em casa. Se não houvesse outros restaurantes que eu quero conhecer numa próxima visita, seria um espaço onde voltaria, com certeza. É muito bom, simpático e acolhedor, para quem estiver a fugir do frio, ou quiser algo sentado, para descansar, relaxar, ter uma refeição especial e/ou saborear uns petiscos com qualidade.  

Brevemente mais quatro locais interessantes (ou não) para comer. Estejam atentos, que isto agora vai-se tentar levar tudo de rajada.

Já comeram em algum destes lugares?  O que acharam?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Brasil | Acampar no Parque Estadual do Ibitipoca

Se há coisa que muitos (e, felizmente, com o crescimento económico do país, cada vez mais) brasileiros fazem muitíssimo bem é aproveitar os fins de semana alargados, os feridões, para conhecerem melhor o próprio país. O "vá para fora, cá dentro", num país que tem tanto de extenso, quanto de diversificado e eclético -- cultural, social e geograficamente falando --, ainda é norma para quem quer (e pode!) aproveitar uns dias diferentes, longe da vida frenética das grandes cidades. Todos ganham; o turismo cresce, a pessoa relaxa, o dinheiro flui, a economia movimenta-se (vá-se lá entender os políticos em Portugal, que acham que é mais produtivo cortar com todos os feriados e deixar os trabalhadores, descontentes, oito horas, num dia tradicionalmente não-útil, cortando as asas a quem quer conhecer o país, a quem recebe mais turistas nessas alturas, aos fluxos que nos unem... Mas enfim, isso seriam outros quinhentos para outro post, daqueles a acompanhar com chá e bolachas, não este. E não sou economista.).  

No último, fomos até Conceição do Ibitipoca, no município de Lima Duarte (isso, como o actor) - Minas Gerais, com cerca de 2000 habitantes, a sensivelmente quatro-cinco horas do Rio de Janeiro, de carro. Acampámos no Parque Estadual, a três quilómetros da Vila, num lugar remoto, limitado a poucas tendas, que abraça a natureza e nos desliga do mundo. Foram quatro dias sem internet e, a não ser pelo telefone português, em roaming, que lá ia apanhando, no cimo da montanha, a Claro (operadora brasileira), a rede/o sinal de Oi, Vivo, etc., ficou para trás, na portaria, convidando a dias longe das modernidades tecnológicas que nos unem ao mundo que não está e nos separam daquele que está. Apesar da reticência inicial, e deixando todos os posts programados, na Salinha, confesso que foram dias que me fizeram muito bem, e me mostraram que consigo, ainda, passar um tempo sem telefone, tablet ou computador na mão, e não tenho ataques de pânico por causa disso. Pelo contrário. 

O Parque, bem organizado, oferece várias opções de trilhas e passeios, mais ou menos curtas, para o visitante aventureiro. No primeiro dia, cansados da viagem, o máximo que conseguimos fazer foi passear pela Prainha e mirante mais próximos. Por aqui tem escurecido por volta das 17:30-18:00, o que, num parque com pouca luz eléctrica, significa que as actividades têm de se adaptar às horas do Sol, sob pena de ficarmos num caminho desconhecido, à noite, apenas com a ajuda de uma lanterna (objecto obrigatório quando se vai acampar até Ibitipoca!). Deslumbrados pela beleza da Serra que nos envolvia, com tendas/barracas montadas, jantar feito com a ajuda de um pequeno fogareiro de campismo, panelas e outros utensílios de cozinha que levámos, passámos a primeira noite no Parque, onde ficámos deslumbrados com o céu estrelado, onde se via claramente a via láctea, várias constelações e planetas. (Se me permitem um conselho, levem roupas quentes e sacos-cama /de dormir quentinhos, muito quentinhos, porque, mesmo agora, ainda no Outono e com vinte e muitos graus durante o dia, a noite é de bater o dente, continuamente. Eu sou, francamente, a pessoa mais friorenta que eu conheço, especialmente à noite, portanto sinto sempre mais frio do que os que me rodeiam, mas, quando, de manhã, todos se queixaram do mesmo, vi que era, de facto, algo para o qual nenhum de nós estava realmente preparado. E olhem que levei roupa quente para o frio brasileiro, mas nem ela me salvou. )


No segundo dia, "no susto" (já que a caminhada era longa e a dúvida da nossa resistência era grande), aventurámo-nos pela trilha mais longa e exigente do Parque, a da Janela do Céu. O início, numa subida longa, com caminho que alterna entre a terra arenosa e a pedra, com vegetação rasteira e pouca sombra, foi, para mim, o que mais custou, embora o tivesse feito bem. O Sol da manhã ainda não era muito forte (nem imagino como será este caminho em pleno calor do Verão) e as pernas ainda estavam frescas. Muito bem sinalizada, ao longo da trilha podemos ver grutas, mirantes, espaços verdejantes e mais secos, mais ou menos agrestes, culminando no topo de uma cachoeira, do qual vemos a imensidão da paisagem e o céu. Os mais fortes mergulharam na água gelada da pequena piscina natural, formada pela água que aí aguarda até cair, pela Janela, continuando o seu curso. Eu molhei as pernas e tirei fotos, e já fiquei muito orgulhosa comigo mesma. Almoçámos umas sandes lá em cima, bebemos água de uma nascente próxima, antes de descer, por outro lado, mais fácil (afinal, "para baixo todos os santos ajudam"), e, passadas sete horas, estávamos de regresso ao camping, exaustos, mas muito satisfeitos e cheios de histórias para contar (especialmente as crianças, duas, que estavam connosco, e que aguentaram e se portaram heroicamente). Tomámos um banho merecido, quentinho, nos balneários/ banheiros do camping (bons para o que são), jantámos uma sopa encomendada na lanchonete no dia anterior, assámos uma linguiça e uma calabresa, e "descansa, corpo santo".
  

No sábado, os músculos relembravam o "susto" do dia anterior. Depois de mais uma noite fria, acordámos para um novo dia de caminhadas, desta feita até alguns pontos naturais mais próximos do parque de campismo, tendo a Cachoeira dos Macacos (vá-se lá entender o porquê do nome) como meta. Passámos pela Ponte de Pedra -- um enorme buraco escavado pela Natureza no monte de pedra, que se pode atravessar por baixo ou por cima --, por vários mirantes e chegámos a mais um oásis plano, entre quedas de água, numa harmonia entre pedra e rio, onde nos podemos deitar, sentar, ou sentir a força da queda nas nossas costas. A água estava menos fria do que na Janela do Céu, mas não estava, de todo, convidativa à entrada demorada sem tremeliques ou pele roxa. Quem não sofre de vertigens (como a minha cabeça, que quer ir mais além, mas é impedida pelas pernas que ficam bambas e ameaçam rebelar-se), conseguirá ver ainda uma pedra esculpida em forma de cubo, a Pedra Quadrada, e apreciar, mais uma vez, o horizonte que se perde por montanhas verdejantes e imponentes. Não sei se o regresso, quase sempre a subir e com muito menos sombra do que a ida, foi mais difícil pela fome, o cansaço acumulado, ou a inclinação do terreno, da qual o corpo já se sentia estafado. Mas, depois de um almoço tardio no buffet do restaurante do camping (no seu geral mais caro do que merecia, vá, mesmo sendo o único e a comida até fosse boa), a vontade de percorrer a outra trilha que nos faltava, para o Lago dos Espelhos, foi deixada, por alguns, para a manhã do dia seguinte, antes de arrumar tendas e seguir viagem, até ao Rio de Janeiro e Niterói. 


Quarto e último dia, que segunda feira já se trabalhava, foi muito mais relaxado. Fazendo a caminhada em falta, pelo Lago dos Espelhos, o Lago Negro e a Ducha, que afinal era muito mais curta do que, pelas contas feitas aos quilómetros, com o mapa na mão, nos fazia prever, dissemos um até breve ao parque e a Ibitipoca (cuja explicação do nome podem ver aqui). No primeiro, uma pequena praia de areia grossa, com um laguinho para onde cai uma cachoeirinha, apenas dois corajosos mergulharam; o cedo do dia e a sombra ainda não tinham deixado aquecer água e corpos para tal. O segundo, negro da profundidade do lago, era o menos convidativo e a Ducha, ponto final, onde ficámos mais tempo, a apreciar a fauna e flora do lugar, foi onde alguns aproveitaram para se despedir das cachoeiras. Em três horas, estávamos de regresso ao camping, arrumámos tudo nos carros, comemos um bolinho de aipim na lachonete, uns com carne, outros com queijo minas (o meu favorito) e seguimos viagem. 


No caminho Rio - Parque do Ibitipoca - Rio, houve ainda três paragens, duas delas que são, sem dúvida questões, nem contra-argumentos (sou assim, déspota), obrigatórias; a Casa do Alemão e o Pão de Canela da Dona Maria. A primeira, na saída ou chegada ao Rio, é famoso pelos croquetes e o pão com linguiça, ambos muito bons. Agora, as sandes que fazem com pão brioche, são de comer e chorar por mais. À ida, comi com queijo minas (de lamber os dedos e ficar com pena quando se dá a última dentada), que é um assombro de sanduíche, com uma quantidade de recheio assombrosa; no regresso, para um lanche com ar de jantar, optei por uma, recomendada por uma gulosa mais experiente, de lombinho fumado/defumado, e tive vontade de pedir a receita do brioche (cuja massa parece levar queijo, mas que tem algum segredo, com certeza), para fazer em casa. Di-vi-nais! Assim, sem mais comentários. 


A segunda paragem, à porta do Parque, no caminho entre a vila e a portaria, foi indicada, com fortes recomendações, pela veterana nos passeios a Ibitipoca, do grupo. Há mais de 15 anos que a Dona Maria vende o seu Pão de Canela, agora acompanhado por pães de banana, goiabada, coco com leite condensado (R$4/ 1,3€ cada) e broinhas de milho (R$0,50/0,16€), a quem sobe até à serra. Quentinho, preferi o de banana, mas o de canela aguentou para os pequenos almoços /cafés da manhã seguintes, mantendo todo o sabor. Parem, é o que vos digo, na Dona Maria, as pessoas que vos atenderão na janelinha da casa familiar são muito simpáticas, e o pão é delicioso. 


Parámos ainda no Armazen de Minas, tanto na ida, quanto na volta, onde comemos um pão de queijo, quentinho, delicioso, com pedaços de queijo derretido, e aproveitámos para comprar doces de leite caseiros, figadas e vários tipos de queijo (desculpem a repetição, mas não é à toa que Minas dá o nome a um deles, muito conhecido). Em Lima Duarte, é um óptimo lugar para abastecer, dar uma mangueirada ao carro todo empoeirado, no regresso, e comprar umas lembranças. Foi aqui que vimos o creme para pés, mãos e cotovelos de Sebo de Carneiro, que vos mostrei no Instagram. 

Quatro dias sem internet depois, o balanço resume-se a "quero voltar, várias vezes, mas levarei sacos cama e roupa para a noite muito mais quentes". É um passeio que se faz em grupo de amigos, adolescentes, adultos e até em família, para que as crianças comecem a apreciar o campismo, a natureza, a vida longe do movimento que nos aproxima e isola, das cidades. 

Aqui estou eu, o chapeuzinho amarelo, na foto. 


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nova Iorque | Guia útil de mão da Lonely Planet


Há algum tempo que eu desejava ir a Nova Iorque. Anos, direi. Mudaram-se casas, projectos e até de possíveis companhias para a dita viagem, mas a vontade sempre ficou. Firme e com a mesma convicção de que a cidade me iria apaixonar. Ou maior, até, que, com o passar do tempo, os filmes vistos e os milhentos programas sobre o que ver, visitar, comer, e por aí adiante, o desejo só aprimora, adensa e cresce como se a cidade já fosse nossa. 

Quero com isto dizer que foi com muita antecedência, aviso prévio e muita organização que se planeou a viagem do mês passado? Nã... Nada disso. Aproveitando a nossa disponibilidade mais flexível este ano, foi num ápice que encontrámos uma viagem abaixo de 400 euros, entrámos em contacto com a minha amiga que mora por aqueles lados (obrigada mais uma vez, A., sem ti não teria sido possível), e zás trás, viagem comprada. Isto em plena fase de mudanças para Paris, onde todos os dias, incluindo fins de semana, eram passados a trabalhar ou a receber visitas simpáticas, que nos ocupavam (e muito bem) o tempo que poderíamos ter para planear convenientemente a viagem. 

Confesso, desde já também, sem qualquer pudor ou timidez que, na mesma medida em que sou totalmente control-freak (assumidamente, o que é um primeiro passo para tratar qualquer obsessão) ao nível profissional, acabo por relaxar muito mais nas férias e deixar que me guiem. De forma flexível, que não sou pessoa para guiões rígidos nem muito cheios, que me impossibilitem uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo para algum lado; respirar a cidade, observar as gentes, sentir a vida dos espaços, das pessoas, comer o que comem, andar pelas ruas menos turísticas, pelo quotidiano do quem por lá fica quando todos os habitantes de passagem se vão embora. 

Moro, contudo, com alguém que me completa (até) nisto. Ele adora guias, mapas, roteiros, com os quais aprende mais sobre a história dos sítios que visitamos, sobre dicas de restaurantes e espaços de paragem obrigatória, sobre os passos que outros já deram e que aconselham. No final, acabamos por nem ir completamente à toa para perdermos muitas coisas extremamente interessantes, nem tão presos ao turístico que nos esqueçamos de parar a saborear o clima e a observar os transeuntes. É uma situação win-win (que, na primeira viagem feita a dois, teve uma fase de adaptação menos simpática, mas que agora é natural). 

Por isso, e de há uns anos, poucos, para cá, compramos sempre um guia, que levamos em viagem, para nos acompanhar. Desta vez, e acho que a partir de agora terá preferência, optámos pelo da Lonely Planet. Com menos fotografias do que outros, nomeadamente aqueles mais famosos, os branquinhos, acaba por ter mais dicas e informações úteis sobre o que vamos visitar. Alia ainda uma vertente mais cultural às dicas, ao contrário de outros como o Frommer's, mais prático. Como a intenção é conhecer, in loco, os monumentos, restaurantes e afins, e registarmos com a nossa máquina a nossa presença lá, achámos que o que o outro tinha de vantajoso, não traria qualquer vantagem para nós. Queríamos mesmo algo que nos auxiliasse, não que fizesse a visita por nós. E assim foi. 

Separado por bairros e muito bem organizado por temáticas (viagem com família, para shopping, alternativo, etc.), consoante a vontade do freguês, diz-nos onde ir e quando é melhor ir. Dá-nos sugestões, indica faixas de preços, à medida de cada carteira, e ainda propõe roteiros curtos, para quem for fazer alguma visita de quatro dias. Com cinco grandes temas principais -- onde comer, comprar, sair, o que ver e desporto -- apresenta-nos, de forma clara, os imperdíveis de cada região da cidade, para que não percamos o que ela tem de melhor.  E ainda acrescenta dicas para quem quer ter uma experiência de residente, para quem se quer sentir um verdadeiro New Yorker durante uns dias, fugindo dos lugares meramente voltados a turistas. 

O mapa geral da cidade, destacável, e os menores, por secções, foram essenciais na nossa exploração de Nova Iorque que, não sendo das cidades mais difíceis para nos orientarmos, também precisa de algum tempo para se dar a conhecer e parecer menor labiríntica. Fiquei realmente bastante satisfeita com o senhor guia, fiquei.  

Nas próximas semanas partilharei convosco tudo o que achar que possa interessar desta nossa viagem de nove dias. Confesso que a organização da informação, mais que muita, ainda não está totalmente definida, mas irei, com certeza, por partes temáticas, tentando não me esquecer de pitadinha. :) 
   

domingo, 23 de março de 2014

Em Paris, provem um bom macaron (ou dois!)

Pierre Hermé ou Ladurée, Pierre Hermé ou Ladurée ? Fossem todos os dilemas da vida resolvidos com a facilidade e o prazer da solução para uma das questões principais que coloco às pessoas que aqui me vêm visitar. Não que a escolha tenha que passar, obrigatoriamente, pela preferência de um em detrimento do outro mas, se quiserem provar os reis daquelas que são umas iguarias francesas mais apreciadas, conceituadas e coloridas, os macarons, não deixem de visitar os mestres na arte. França comemora o Dia do Macaron a 20 de Março, e nós fomos provar mais uns sabores, não fosse o nosso julgamento, até agora, não ser o mais correcto.

Por todas as boulangeries e muitas chocolaterias em Paris, encontramos vitrines, maiores ou menores, cheias de doces coloridos e com ar elegante, que primam não só pela concepção mas muitos, principalmente, pela apresentação. Antes de provarmos algum, já os nossos olhos estão conquistados no requinte das formas, das frutas lustradas e dos pequenos acabamentos de chocolate. Eu gosto, particularmente das cores, dos verdadeiros arco-íris, em combinações de sabores improváveis, que me desafiam os sentidos. E, aí, entram os macarons.

O primeiro que comi, há tantos anos que já nem me lembro quando, foi numa daquelas padarias de estação de metro e RER. Uma coisa tipo bolachinha, de framboesa, pareceu-me uma aposta segura. Contudo, a falta de algo que o tornasse especial, associado a um recheio de fraca qualidade e a um merengue com gosto a corante demasiado artificial, levou-me a acreditar que, de facto, ali estava um doce que não me diria nada. Provei ainda um em Portugal, numa pastelaria conceituada, e também não me aliciaram. A adoração ao macarons iria, para mim, permanecer um mistério, daqueles que mais ninguém pode resolver por nós.

Um dia, no ano passado, andava eu à procura de um vestido para o casamento civil nas Galeries Lafayette (tendo encontrado um da Karen Millen, marca que está no meu coração ao lado da Ted Baker, lindo), quando passei pelo quiosque, num dos andares (não me perguntei qual), da Pierre Hermé. O ar cuidado, as combinações de cores e texturas em cada macaron, atraíram-me. Não eram nada como os outros que já tinha visto, coloridos, mas de um só tom, lisos. Aqueles tinham um verdadeiro je ne sais quoi, que convidavam à prova. Apesar de custarem o dobro dos macarons pelos quais passava normalmente, pensei que, se fossem tão bons quanto o seu aspecto, haviam de valer muito mais do que qualquer outro, pelo que um chegaria perfeitamente para saciar a minha gulodice.



Tal e qual. Assim que dei a primeira trinca, senti a delicadeza de um merengue bem batido, leve, crocante e ao mesmo tempo saboroso; a mestria de um recheio pensado para agradar, para despertar outros sentidos, dando-lhe um toque de qualidade artesanal; a combinação de sabores, minhas senhoras e meus senhores, as combinações de sabores... inigualáveis. Foi amor. Eu, que nunca tinha apreciado por aí além os macarons, estava convertida aos do Pierre Hermé.

Cada docinho do Pierre Hermé, como outras iguarias dele, são criadas para despertar várias sensações em quem os prova. Desde os pequenos pormenores desde chocolate negro, do melhor, polvilhado, a pequenos pedaços crocantes de açúcar ou sal, consoante o sabor, passando por degradés de cores e misturas de tons, aos recheios que têm tanto de sabor quando de textura própria do ingrediente ao qual foram buscar a essência (o de figos e foie gras tem a densidade do segundo e sementes, esmigalhadas, crocantes, do primeiro; o de cream cheese a cremosidade do queijo; o de chocolate tem gotas de uma intensidade insuperável e o de limão tem a acidez cítrica natural que se encontra raramente num doce), tudo foi pensado para ter tanto de original quanto de excelente. Ficaram tentados?

Por outro lado, não podendo passar impávida e serena ao culto da Ladurée (como se fosse necessária razão para provar algo diferente e doce), fui, passados poucos meses, até àquele que é, para mim, o espaço mais parisiense de Paris, desejosa de provar os macarons deles (e confesso, compará-los com os do meu primeiro amor). Nos Champs Elysées, avenida tão procurada de Paris, a fachada da Ladurée é qualquer coisa de sumptuoso. A lembrar o frenesim da cidade das luzes no final do século XIX, os motivos verdes e dourados transportam-nos para a era de um Paris de filme de época, sumptuoso, glamouroso, em todo o seu esplendor. Dentro, em dois espaços distintos, podemos visitar o salão de chá ou ir directamente à vitrine dos doces, comprar umas delícias para levar para casa. É o que fazemos, embora os saquinhos transparentes cheguem sempre a casa vazios.


Os macarons da Ladurée, embora menos divertidos em termos de cores, dado que, normalmente, cada um só tem um tom e uma aparência monótona, são, em termos de sabor, muito bons. A qualidade com a qual são confeccionados e a exigência na escolha dos ingredientes são inegáveis e merecedoras da adoração que lhes têm. Quando se vai à Ladurée, não se trazem apenas uns docinhos coloridos numas caixas bonitas (uma delas assinada pela Nina Ricci), mas também um Paris dos sonhos, um glamour tão francês. E essa é uma experiência que vale muito.  

Entretanto, já provei outros macarons de outras confeitarias, tendo conhecido, inclusivamente, a fábrica que distribui os doces para a maioria das padarias comuns. As que não são especializadas, as que não têm confecção própria. Também são bons, admito, para quem quiser levar uma caixinha, não muito cara, para oferecer em casa. Os 18 ou 20 euros por sete ou oito macarons nas duas grandes lojas que vos falei não são assim tão acessíveis à maior parte dos comuns dos mortais, como eu. Valem o que custam, atenção, e valem mais do que os outros, mais normais, mas são, reconheço, muito caros.

Contudo, o que proponho, se me permitem, é que façam o teste. Um dia, quando estiverem a passear pelos Champs Elyssées, provem um de cada, pelo menos. A Ladurée está a meio da avenida, é fácil de ver, e a Pierre Hermé tem um balcão na Drugstore mesmo no topo, ao chegar ao Arco do Triunfo. Quando estiverem no Marais podem visitar, igualmente, o espaço PH, acrescentando essa visita a outras, das quais vos falei noutro post. 

Acharão, talvez, os cerca de dois euros por cada um demasiado caros por uma coisa tão pequenina, mas, se forem como eu, acreditam que há experiências que são únicas, que não se repetem. E há que aproveitar. Mais vale provarem dois macarons muito bons, e escolherem o vosso favorito, se tiverem um, do que uma caixa daqueles que não brilham.

   

sábado, 8 de março de 2014

Dicas que dão jeito # 10 - Os sabores do Quartier Latin

Quando passeamos por Paris, uma das coisas que nos chama desde logo a atenção é o preço da restauração. Toda a gente que por aqui passa leva na memória pratos, normais, a mais de 15 euros (e a chegar aos entas num sítio melhor), cafés a três ou seis euros, sobremesas a perto de dez e vá, nem se fala do que custam as bebidas, um assombro para quem, no seu país, paga o mesmo por um prato. Ao todo, numa refeição completa, num restaurante mais comum, aqueles cujas esplanadinhas com aquecedores e mantas polares no Inverno criam cenários românticos cinematográficos, podemos preparar-nos para receber contas de quarenta euros, ou mais, por pessoa. Por isso, o turista mais descapitalizado come crepes, sandes e as pequenas viennoiseries que vai encontrando nas boulangeries espalhadas pela cidade, ou nas cadeias de comida rápida, que encontram em todo o lado. Cá em casa, por mais que sejamos práticos e bem humildes na escolha das refeições, não conseguimos, nem queremos, visitar uma cidade sem provar alguns pratos mais tradicionais. Nas nossas buscas estão sempre, por isso, locais bons e baratos, onde quer que vamos. E foi assim que abraçámos, com carinho e muito amor, zona de Saint Michel e o Quartier Latin.


As pequenas ruas repletas de restaurantes a bons preços, mesmo à beira do Sena, ali pertinho de Notre Dame, do Panthéon e a uma caminhada do Louvre, têm qualquer coisa de acolhedor e pitoresco que eu adoro. Lá, sinto-me, realmente, num Paris do qual gosto imenso, multicultural, com escolha e, acima de tudo, amiguinho dos bolsos mais pequenos. As opções são diversas, entre comidinha tipicamente francesa, com a sopa de cebola gratinada a aparecer em todos os menus, até aos souvlakis gregos, ou às especiarias indianas e ao que mais consenso reúne, a culinária italiana. É um Paris acessível a todos, que convida a entrar, sentar, relaxar e a reunir forças para o resto do dia de passeio.

Normalmente gerido por estrangeiros (o que incomoda os autóctones, orgulhosos da manutenção dos preços mais elevados, desafiados por estes), é uma região com várias línguas e sotaques, que nos chamam a descobrir as várias Formules (menus), a preços competitivos, que têm para oferecer ao transeunte. A Rue de la Huchette é sempre o nosso ponto de partida em busca de um lugar para comer, consoante o que nos apetecer no dia. Em frente de cada restaurante há placas com as ofertas que começam, normalmente, nos menus de 10 euros, podendo chegar aos 16, com entrada, prato e sobremesa. Os três, com umas quatro ou cinco opções entre as quais podemos escolher o que mais convém à nossa fome e vontade. Vários serão os senhores, ou senhoras, a aliciar-vos para o deles, quando vos virem a olhar para as ofertas, mas, não se preocupem, levem o tempo que quiserem para ver as outras e decidir, sem se enfiarem no primeiro. Há muito por onde escolher.

Nos vários meses que já passámos pela cidade das luzes, há alguns restaurantes que mereceram destaque e, até, um regresso simpático. Para uma refeição com pratos franceses, com toque de caseirinho e um espaço muito convidativo, temos o Petite Hostelerie, na Rue de la Harpe, onde encontrámos a melhor sopa de cebola gratinada que já provámos, como entrada. Duas das especialidades como prato principal da casa são o Boeuf Bourguinon, uma carne estufada servida com batata cozida ou puré, ou a Andouillete, uma salsicha fresca feita de tripas de porco ou vaca, de sabor bem forte, só mesmo para quem gosta. Para fechar a refeição, a Tarte de Maçã, quentinha e ladeada de crème fraîche, é uma óptima escolha. Os três, no menu de 10 euros.

Quem quiser pratos mais simples, com massas ou um bife com molho de pimenta, encontra várias opções, na Rue de la Huchette. Um dos nossos favoritos deste género é o La Braserade, com um empregado muito simpático e boa comida, com menus a 12 euros. Como entrada, o melhor que já lá comi foi o crepe de queijo e, diz quem o provou, o gelado de baunilha é delicioso como sobremesa. A mousse de chocolate também não é má, admito. Como prato principal, eu já provei uma massa com cogumelos boa e o Steak au Poivre (bife com pimenta) é muito bom, acompanhado com as melhores batatas fritas que comemos nessa região.  


Se, por outro lado, quiserem provar algo diferente, podem experimentar alguma especialidade grega. Recentemente, descobrimos o Le Fil d’Ariane, com especialidades da Ilha de Creta e um espaço bastante agradável, à média luz. Confesso que não é tão bom quanto o que comi na Grécia, mas posso também estar a ser atraiçoada pela memória inebriada da lua de mel. De qualquer forma, é muito bom para provarem algumas delícias helénicas, entre as quais, para entrada, um Tzatziki (pasta de iogurte com pepino e ervas), o Souvlaki (espetadinhas de carne) e, para finalizar, um Galaktobureko, um dos muitos sabores maravilhosos que trouxe e que, julgava eu, não iria encontrar noutros lados. Bem doce, é uma sobremesa com massa brique, estaladiça, com um creme de leite dentro e embebida em calda de açúcar. Uma pessoa saliva só de falar nela.

Estes são apenas três exemplos de restaurantes a bons preços e boa comida (a relação ideal), que encontramos pelo Quartier Latin. Entre 10 a 16 euros por pessoa, podem ficar pelas formules e pedir apenas uma Carafe d’eau (gratuita), ou vinho no jarro (uns 10 euros), para acompanhar. Guardem um espaço na vossa agenda para passearem por lá, quem sabe entre a visita à catedral do Quasimodo e a entrada no Louvre, ou depois da visita ao Panthéon e antes do passeio no Sena de barco, que se apanha ali ao lado. Não se esqueçam de que vale sempre a pena, também, conhecer os sabores de uma cidade.



Ver mapa maior

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Domingo, é no Marais!

Depois das dicas para organizarem a viagem para Paris, aposto que ficaram com vontade de aqui vir dar um saltinho e já têm as passagens reservadas. Sim, sim, eu sei que a cidade é aliciante ao máximo, não apenas para os casais apaixonados, como Hollywood insiste em mostrar, mas também para qualquer espírito viajante, que gosta do pequeno e do grande, “à francesa”, expressão que entenderão passeando por estas bandas, como dizia uma amiga minha. Se apanharem um domingo que não seja o primeiro do mês, dos museus gratuitos, ou simplesmente se não quiserem estar enfiados num espaço apenas durante todo o dia, vão por mim: Domingo, é no Marais!


O Marais, durante vários séculos, foi o bairro favorito da aristocracia, que nele montou as suas mansões. Os “Hôtels” que virem por aqui não são hotéis de hoje em dia, para pernoitar, mas sim casas sumptuosas onde habitavam famílias endinheiradas e que são, actualmente, museus e espaços de visita. Só pela imponência das casinhas dos nobres de antigamente, já valeria dar um pequeno passeio pela região. Mas o Marais é muito mais!

Após a mudança da nobreza para a região de Faubourg-Saint Germain, do outro lado do rio, e pertinho da famosíssima Torre Eiffel e do seu idílico Champs de Mars (perto do qual encontramos, por exemplo, o Museu Rodin, casa de  Abraham Peyrenc de Moras, pessoa abastada ligada ao mercado financeiro no final do século XVIII, início do XIX), o Marais foi descoberto pela comunidade judaica que, até à mancha escuríssima que foi para a história da Humanidade, dita racional, o regime nazi (e que, infelizmente, não reina sozinha no mundo do horrível e do que causa vergonha ao mais desligado ser humano), aí prosperou e cresceu. No final da guerra, tínhamos um bairro destituído da vida que outrora albergava, agora remetido a região operária.

Sendo uma das regiões mais fustigadas pelos ataques, temos, nos anos 50, um Marais ferido e a necessitar de reparações profundas, que fez com que DeGaulle o considerasse, já nos anos 60, um sector a ser salvaguardado e recuperado, dada a sua importância cultural. Seguem-se os restauros. As antigas mansões albergam hoje museus e um dos seus espaços, deu lugar à região onde vemos agora um dos monumentos de visita obrigatória, o Centro de Arte Moderna Georges Pompidou.   

Pondo a parte histórica de lado, porque é importante saber como chegámos ao bairro fantástico que temos hoje, mas não é apenas isso que lhe dá o brilho, encontramos, actualmente, um Marais onde afluem e se encontram as comunidades judaica, gay, chinesa, com o toque artístico dado pelas várias galerias pelas quais por lá passamos. As lojas mais famosas, hypes, algumas exclusivas, têm morada pelas ruas onde outrora os nobres se passeavam, mostrando que se tornaram espaços de moda, criadoras de tendências.


Há, por tudo isto, qualquer coisa de fabuloso nos passeios de domingo no Marais. Em primeiro lugar, porque, dada a forte influência judaica, parece ser a única região de Paris que acorda e se move nesse dia. Quem não conhece Paris, estranhará, mas há uma inércia dominical, de tradição conservadora católica que assusta. Quase tudo fecha, e a cidade entra num estado de entorpecimento, só quebrado com a vida fervente de algumas regiões, sendo o Marais, para mim, um destino de excelência.


Para um dia bem passado, e uma caminhada diária que aqui em casa adoramos, aconselho o pequeno almoço no hotel, ou numa boulangerie perto do local onde ficarem, seguido de um passeio matinal pelo Jardin des Tuileries. Entrar no Jardin pelos Champs Elysées, passando o obelisco, e avistar ao longe a imponência do Louvre, aquele que foi, outrora, a residência real e imperial, é, de facto, merecedor de lembrança. Pelo caminho, as fontes e as estátuas mostram-nos a elegância tão distintamente francesa, e podemos ainda avistar, do lado direito, a fachada do Musée d’Orsay, antiga estação de comboios, que nos faz viajar para tempos idos, quando entrar na cidade onde até os relógios são dignos da realeza exuberante devia ser avassalador.


Segue-se então a entrada da Rue du Rivoli, do lado esquerdo do Louvre, que nos transportará ao Marais. Gosto particularmente de deixar para trás o espaço turístico para ver um Paris diferente, que mostra a sua multiculturalidade residente, não a de visita, com o que tem de bom e de mau. Caímos na realidade de uma capital com os seus sem-abrigos que se reúnem, em convívio, a jogar cartas, por cima das grelhas de saída de ar quente do metro, única forma de aguentarem o rigor do inverno francês. Uma realidade que nos acorda do estado inebriado pelo cenário idílico e sumptuoso que tem o Louvre. Ao domingo, as lojas estão fechadas, excepto em alturas específicas do ano, pelo que a nossa atenção poderá estar totalmente focada nas gentes e nos espaços de uma cidade secular. Sem outras distrações, apreciamos a imponência do Hôtel de Ville (Câmara Municipal) e outros espaços históricos pelos quais passamos.


Entramos no Marais, normalmente, pela rua em frente à saída da estação de metro Saint-Paul (fica a dica para quem lá quiser ir ter directamente), e passamos pela maravilhosa Eclair de Génie (delícias caras, mas dignas, pelo menos, de experiência). Perdemo-nos pelas ruas e praças, descobrindo as famosas casas de uma aristocracia esquecida, observando as montras aliciantes e bem cuidadas, até chegarmos à Rue des Rosiers, onde paramos para almoçar algo diferente. Seja um falaffel num dos restaurantes que se afirmam os melhores de todos, sempre nas janelas viradas para a rua, nos quais pedimos o que queremos para comer sentados num degrau de mármore ou num banco do jardim da Place des Vosges, ou uma sandes de Pastrami, na famosa (e fantástica, digo) loja de delicatessen Yiddish Sacha Finkelstein, terminamos sempre com um Sernik, simples ou de sabores, no espaço de fachada amarela. Adoro os almoços “maraisianos”.

De barriga cheia e alma contente, as energias estão recarregadas para visitar uns espaços de arte e história do bairro. O Musée Carnavalet, aberto ao público de terça ao domingo, com entrada gratuita na exposição permanente, é um espaço fantástico para aprendermos mais sobre a cidade da luz, através de pinturas, maquetes, objectos contadores de uma realidade passada, em salões e quartos outrora refúgios de alguém. Famoso, normalmente. Podemos, ainda, aproveitar para visitar a casa de Victor Hugo, na Place des Vosges, intacta e com os móveis ainda no lugar, inspiradores de histórias e estórias de uma vida eterna. A entrada para as colecções permanentes é igualmente gratuita. 

Quando o sol se começa a pôr, nada melhor do que terminar o dia com a travessia do Sena por uma das pontes que separam o Marais da Ilha de Saint Louis, romântico, certo, mas, acima de tudo, regenerante e enternecedor, para encontrarmos uma gelataria de tradição, onde provamos dos melhores gelados artesanais que já comi, a Berthilon. As bolas são mais baratas do que a cadeia multinacional da Haagen Daz, menores também, mas confesso que saboreamos a mestria de uma casa de excelência. E isso faz toda a diferença.


A deliciar-nos pela rua, independentemente da temperatura, chegamos à sumptuosa Notre Dame, cujos sinos à hora certa nos lembram estórias de amantes e ciganas, de paixão e humildade, luta e sacrifício. Paramos à frente da catedral, musa de artistas ao longo dos tempos, e, naquele estado de contemplação terminamos o dia e regressamos a casa. Horas em cheio, mas com uma satisfação por, nelas, termos feito parte e conhecido mais um pouquinho daquilo que é a vida de domingo de uma das cidades mais grandiosas do Mundo.





Fontes:


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sugestões | Amesterdão

foto:capitaiseuropeias.com

A Salinha vai, na próxima semana, dar um pulinho de dois dias a Amesterdão. Com bilhetes desde Paris a 15 € de autocarro é uma óptima oportunidade para conhecer uma cidade que, pelo que leio, deve ser absolutamente fantástica. Por isso, quem tiver sugestões e dicas de locais para comer, visitar, passear e fazer umas comprinhas, deixe nos comentários por favor, fico muitíssimo agradecida. :) 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Dicas que dão jeito # 6

Viajar é bom e recomenda-se. Para qualquer lado, dentro do país, fora, sozinhos ou acompanhados, por um fim de semana ou meses de aventura. Qualquer destino vale. Por isso, decidi que seria interessante partilhar convosco, aqui nas “Dicas que dão jeito”, algumas informações úteis que fui vivendo, recolhendo, nos meus passeios por aí.


Começo com uma das perguntas que mais me fazem, agora que estou em Paris, sobre como escolher a viagem e chegar ao centro da cidade, partindo de um ou outro aeroporto. Vou tentar dar a informação mais detalhada possível, mas, como cada um tem a sua experiência, quem quiser, coloque nos comentários as dicas e sugestões que achem pertinentes e das quais me esqueci. Obrigada. :)

Visitar Paris, especialmente para quem mora na Europa, não é difícil. Há vários voos, diariamente, que fazem a ligação às horas que mais nos convêm.  Os preços diferem e as condições de vôo também, consoante a companhia, mas, de qualquer forma, é relativamente fácil encontrar uma viagem que nos agrade, por menos de 100 euros, se procurada com alguma antecedência.

Eu recorro muito ao site www.skyscanner.com para encontrar viagens a preços interessantes. Eles recolhem preços de várias agências online de viagens, de várias companhias, e listam as opções segundo a ordem que queremos, normalmente do mais barato ao mais caro. Poder fazer uma pesquisa por mês e ver quais as datas mais baratas é algo que acho, também, realmente muito útil.

Para vir para Paris, há algumas considerações que coloco sempre a quem me pede ajuda para organizar a viagem:

1) Escolher datas que coincidam com o primeiro domingo do mês – No primeiro domingo de cada mês é tradição ser, aqui em Paris, o dia dos Museus gratuitos. Não sei se é o nome comum, mas é o que lhe damos aqui em casa. Há alguns que são de entrada livre, nesse dia, durante todo o ano (como é o caso do d’Orsay ou o Cluny, da Idade Média) e outros só de Novembro a 31 de Março, como o Louvre, Pompidou, a Sainte Chapelle ou a Conciergerie. Também conseguem subir o Arco do Triunfo ou até às torres de Notre Dame, sem pagar, nesses meses. Podem ver neste link do site Paris Info a lista dos gratuitos, por datas. Se forem pessoas que gostam de visitar museus e monumentos, e pensando que conseguem ver três (cansativo, mas possível) num domingo gratuito, podem poupar, pelo menos, 30 euros (média). Já é um valor a considerar na hora de comparar preços de viagens.

2) Mala de porão – Aqui falo directamente para todas as pessoas que cuidam da pele e querem aproveitar para comprar produtos de marcas farmacêuticas. Para os outros não interessará tanto. Como já partilhei convosco aqui pela salinha, há algumas farmácias que têm uma quantidade enorme de produtos a preços muito simpáticos. A Citypharma é conhecida. É de aproveitar para fazer stock dos produtos que usam, ou querem experimentar. Por isso, torna-se essencial que tragam uma mala de porão, factor que deverá também ser considerado na vossa escolha da companhia aérea (nem todas têm uma mala incluída no preço). Às vezes uma diferença de 10 euros na viagem é suficiente para vos permitir trazer uma mala na qual podem levar, no regresso, produtos líquidos e (quase) tudo o que quiserem. Acreditem que pouparão muito mais do que isso na diferença dos preços com os de Portugal (e ainda mais se compararmos com os brasileiros).

3) Saldos – Em Paris há duas épocas oficiais de saldos, uma no Inverno (início de Janeiro/Fevereiro) e outra (fim de Junho/Julho). Apesar de, normalmente, as coisas aqui não serem assim tão baratas (sendo mais caras do que em Portugal), as lojas baixam os preços duas e três vezes até ao final. Na 3eme démarque (última semana de saldos, normalmente), ainda se encontram algumas peças ou produtos interessantes, a menos 50 ou 60% do preço inicial, embora, convenhamos, muito escolhidos.  

4) Charles de Gaulle (CDG), Orly (ORY) ou Beauvais (BVA)? – Paris tem dois aeroportos à volta da cidade, o CDG e o ORY, e um mais longe, o BVA, para onde viaja a Ryanair. O de Vatry é mais usado para quem quer ir até à Disney, e não tem tantos voos frequentes. Portanto, os principais são esses três. Tanto o de Orly quanto o CDG estão ligados à rede de transportes públicos que vos farão chegar, facilmente, ao centro da cidade, por RER (um comboio suburbano, ligado à rede de metro) ou autocarro. Em ambos os casos, contem com um bilhete de cerca de 7 euros até a uma estação maior, onde apanharão o metro para vos levar onde quiserem. Antes de irem, consultem o site da RATP e vejam qual o melhor trajecto. Basta conhecerem o nome da rua onde vão ficar e saberão como lá chegar, desde o aeroporto.

4.a) Do CGD para Paris – Fácil, mais fácil não há. A linha de RER vai até ao aeroporto pelo que é só apanharem o comboio que vos levará, em 45 minutos, mais coisa menos coisa, para o centro da cidade. Basta seguirem as indicações RER, no vosso terminal. Como é fim de linha, não há nada que saber. Com o mesmo bilhete podem apanhar o metro e chegar ao vosso destino. Há outras opções, como mini bus, que também vos levam até à cidade, mas são sempre mais caras. (E nós aqui conhecemos as opções mais amiguinhas dos bolsos, sempre.)

4.b) De Orly para Paris – A rede ferroviária de Paris não vai até Orly. Mas, não se preocupem, que é tão fácil chegar à cidade quanto por Charles de Gaulle, embora possam ter de esperar um bocadinho mais. De Orly também saem vários mini-bus e autocarros para a cidade, mas a opção mais barata é, sem dúvida, o autocarro. No Terminal Oeste (Ouest), seguem até à porta C5 e vêem a paragem do Orlybus logo em frente. No Sul não sei qual a porta mas podem perguntar pelo Orlybus, mesmo em inglês, que alguém vos dirá. Na paragem, têm um guichet automático, que aceita dinheiro ou cartões, onde devem comprar o bilhete, mais uma vez, por volta de 7 euros. Chegada a uma estação que tenha ligação ao metro ou RER que devem apanhar, têm de comprar um bilhete (há guichets automáticos também em inglês e espanhol), que custa 1,7€, à unidade. O melhor é comprarem logo um conjunto de 10 viagens (se pretenderem andar muito de metro) que vos ficará a 13 euros. Não se esqueçam de verificar bem, no site RATP, qual a estação na qual devem sair e que linha de metro apanhar depois.  

4.c) De Beauvais para Paris – Como em quase todos os aeroportos nos quais aterra a Ryanair, há shuttles, autocarros, que vos farão a ligação com a cidade maior, neste caso Paris. Custam cerca de 13 euros a viagem (26 ida e volta, a última vez que vi) e demora, de Beauvais até Porte Maillot (de onde podem apanhar o metro para onde quiserem) cerca de uma hora e meia. Esta informação é extremamente relevante na hora de escolher a hora de partida e chegada, já que devem ter as viagens de um lado para o outro em atenção.  

5) Horário da viagem – Algo extremamente importante no momento de escolherem o horário da vossa viagem e comparar preços é, sem dúvida, a hora de chegada. Tenham em mente que as ligações por transportes públicos terminam às 22/23 horas. Logo, se o vosso voo chegar às 23, só estarão despachados lá para a meia noite e têm de apanhar um táxi, que vos ficará entre 50 e 60 euros. Portanto, se possível, é preferível apanhar um voo que chegue, no máximo, até às 20, para terem tempo de recolher a bagagem e deslocarem-se para comboio ou autocarro sem grandes pressas. Mesmo que o voo seja mais caro, tenham em conta o valor do táxi, quando estiverem a considerar todas as hipóteses.

Estas são algumas das dicas que temos em consideração quando, ainda em casa, escolhemos a viagem, para nós, ou para quem nos vem visitar. Algumas foram acrescentadas pela experiência com amigos que vieram até cá e que achei que poderiam ser muito úteis. Se tiverem mais alguma sugestão sobre a escolha da viagem e a chegada a Paris (outros temas como passeios e restaurantes serão abordados posteriormente), deixem por favor, nos comentários. Os futuros aventureiros que venham até cá agradecem. :)

Ficaram com vontade de entrar já num site de compra de bilhetes e comprar o vosso, para virem? 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Coimbra | As iguarias do Chá dos Cinco

Têm sido dias cheios, como são, especialmente, os de todas as minhas quadras natalícias. Por isso, os posts podem sofrer algum atraso, pelo qual peço desde já desculpa. De qualquer forma e mantendo a relação de um por dia, dos mais variados assuntos, achei que já estava mais do que na hora de vos falar do meu espaço de chá favorito em Coimbra – O Chá dos Cinco.

foto:chá dos cinco
Não me lembro da primeira vez que fui àquele espaço de chás maravilhosos, acolhedor e escondido do rebuliço citadino, mas, com idas e vindas irregulares, é onde regresso sempre que quero recompor o meu stock de infusões e misturas de ervas diferentes. Quando tenho tempo, aproveito e sento-me à conversa, enquanto me delicio com as opções de bolinhos e tostas.

À media luz, decorado com tons quentes, o Chá dos cinco é ideal para um momento mais calmo, acompanhados ou sozinhos, com um bom autor nas mãos. Há quem também aproveite para levar o material de preparação de exames e frequências e estudar com o aroma dos chás mais encorpados que conheço, com especiarias divinas, chocolate, caramelo ou frutas dos mais variados tons e sabores.  

De todos os que já experimentei, recomendo o Pecado dos Deuses, um chá preto com chocolate e especiarias que é dos melhores que já bebi até hoje. Como tive de deixar de beber chás com teína, fico-me pelas infusões ou chás com base no Rooibos, dos quais os meus favoritos são, sem dúvida, o Chocolate de Inverno e o Chá do Entardecer (ou qualquer coisa do género). Contudo, como eu acho que a escolha de um chá pode ser tão pessoal quanto a de um perfume, aconselhava-vos a, antes de pedirem um, conversarem com a senhora, que vos guiará pelo fantástico mundo da mistura de ervas. Melhor do que ninguém, ela saberá o que mais agradará ao vosso palato.  

Entretanto, enquanto escolhem o chá, peçam uns scones, feitos na hora e servidos com doces e manteiga. Eu faço-os em casa e nunca consegui que chegassem ao nível dos do Chá dos Cinco. São perfeitos. Quentinhos, frescos e estaladiços são de comer e chorar por mais. Acho que só comi melhores num recanto perdido a caminho das Highlands escocesas, numa manhã fria, na qual me souberam a um autêntico manjar dos deuses. Quem preferir, pode sempre optar por uma fatia de bolo, sempre caseiro, ou uma tosta em pão tradicional. Garanto-vos, momentos deliciosos.  

Além dos chás que podem beber por lá, também podem trazer para casa as vossas misturas favoritas em pacotes de, no mínimo, 50 g, por 4,5€. Actualmente, tenho três que vou rodando; o do Entardecer, o Verdes Tesouros e o Rooibos Capuccino. No Verão, as misturas escolhidas são sempre mais cítricas e frescas. Para uma prendinha janota, podem optar por um acessório para beber chá em casa, como um bonito bule ou um infusor de qualidade.

O Chá dos Cinco fica na Rua Luís A D Santos, 13, loja 3. Para quem conhece, nas galerias ao lado do Leroy Merlin, antiga Makro. Recebem também encomendas e enviam para Portugal e outros países, é só contactá-los através da página de Facebook, onde também encontram fotos de algumas iguarias servidas neste espaço. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Giuseppe e Joaquim, para momentos especiais, em Coimbra

Coimbra tem uma vida voltada para os estudantes. Quem a conhece, sabe que toda a energia e dinâmica da cidade é nutrida pelo entusiasmo e farra dos que por lá passam, de todos os lados, pelo menos três anos, no mínimo. Há uns anos, lembro-me de ser muito difícil para os autóctones, aqueles que vivem Coimbra desde que nasceram, encontrarem algum espaço ao fim de semana que fosse interessante. Os restaurantes eram igualmente mais do mesmo. Mas sinto que, nos últimos tempos, a coisa tem vindo a mudar, e a ajeitar-se.

Um dos restaurantes que descobrimos deste abraço da cidade a todos os seus habitantes, foi o Giuseppe e Joaquim, onde vamos, actualmente, sempre que queremos comemorar algo. Almoçámos lá no dia do casamento civil e por lá passamos vários aniversários, encontros com velhos amigos, e outras ocasiões, sempre que se proporcionarem. Está, por isso, mais do que na altura de eu partilhar convosco este espaço.
foto: tripadvisor.com.br
Situado na Baixa, o Giuseppe e Joaquim está num local privilegiado, com estacionamento relativamente fácil (à noite há um parque à beira rio e, durante o dia, há sempre o subterrâneo da Loja do Cidadão). Por lá passam muitos turistas e, mesmo quem não conhece, chega ao restaurante sem grandes problemas.

O espaço é amplo e está muito bem decorado. À média luz, como me agradam os restaurantes à noite, tudo tem um ar cuidado e quente, acolhedor e moderno, em tons quentes como os avermelhados e amarelos (estou aqui a ver uma semelhança com o Malagueta Afrodisíaca… dêem-lhe um toque exótico/ oriental e conquistam-me). Gosto de espaços que tenham um ar requintado, que me encantem, e o Giuseppe (para os amigos), encanta-me.
foto: boaescolha.pt
Mas, um restaurante sem boa comida não seria nada e todos os pratos que provei estavam deveras deliciosos. Há elementos da minha família que são mais exigentes e, mesmo eles, ficaram convencidíssimos e com vontade de regressar. É um espaço consensual. O que, acreditem, é um feito.

O cardápio é longo e podem escolher entre vários pratos italianos e portugueses. Pizzas e massas ao lado de bifes de vaca, polvo e bacalhau, para agradar a todos os paladares. Eu adoro a Pizza Norvegese, que não encontro em mais lado algum; mozarela fresca, uma camada decente de rúcula e salmão fumado. Até estou a salivar.

Como entrada pedimos sempre a mozarela com presunto e rúcula. Um prato vem com quatro pedaços e cada pessoa come apenas um e fica bem. Entretanto a refeição chega, é rápido, e ficamos entretidos a degustar a combinação de sabores.

Um dos pratos mais interessantes e originais é o Bacalhau no Pão. O Chef pegou num prato tradicional, o peixinho mais famoso de Portugal, juntou-lhe batatas, azeite, cebola, e pô-los dentro de um pão do qual se retirou o recheio, onde leva o últimos retoques. Quem come bem, come-o sozinho, eu teria sempre de dividir, tal não é a quantidade de comida.

A desvantagem para alguns pode ser o preço. Há pratos que não chegam aos dez euros e outros mais próximos dos vinte. A refeição completa, com bebida, andará sempre, no mínimo, à volta de quinze euros por pessoa. Se pedirem vinho e sobremesas podem contar com vinte euros ou consideravelmente mais (consoante o prato que se escolher). Mas, como um dia não são dias, e há momentos que são para celebrar (ok, ok, mais uma vez contra os nutricionistas, mas, que querem? Sou uma gulosinha que gosta de boa comida e de marcar momentos com sabores), julgo ser um excelente espaço a visitar. Recomendo vivamente!

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