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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minha primeira granola

por Carol Vannier

Taí, por que eu nunca tinha feito granola em casa? Vamos combinar que eu tinha todos os pré-requisitos: adorar granola, ter frequentemente todos os ingredientes necessários em casa, ter mania de fazer coisas que se compram prontas... já falei adorar granola?

Acho que um possível empecilho era o medo de enfrentar a realidade, e ver que granola está naquele rol de coisas saudáveis ma non troppo. A gente (eu no topo da lista) confunde muito saudável com light, e com "posso comer o quanto eu quiser disso". A verdade é que praticamente nada entra nessa categoria, nem a granola mais hipponga. O que é uma pena, pois eu jantaria granola muitos dias da semana.

Outro fator que costuma entrar nas minhas considerações é o custo de fazer em casa ou comprar pronto. Essa granola saiu a quase R$28 o quilo. É mais barato do que uma granola Kelness, que eu já comprei muito, mas é mais cara que a granola da Member's Mark do Sams Club, que como tudo no Sams Club, nem sempre que eu vou tem - infelizmente, porque hoje em dia é minha granola comercial favorita. Ah sim, porque essa primeira que eu fiz já virou a minha favorita de todas! Nela faltaram as deliciosas lascas de coco que a do Sams club tem, mas faltaram também as passas terríveis de duras que eles colocam e que eu cato pra fora. Em vez disso tem as cranberries macias e azedinhas que eu amo e que são o ingrediente mais caro, e tem muito mais castanhas, que são o segundo ingrediente mais caro.

Agora, sobre a receita em si, é claro que tem um milhão de receitas de granola por aí. Depois de fazer a minha, já descobri muitas outras versões que quero tentar. Essa aqui que usa banana amassada em especial! Mas acho que o lance da granola é você colocar tudo que você mais gosta, não precisa de muita receita. Sendo a primeira vez, quis ter uma noção da proporção de aveia para mel e óleo. Segui uma das preciosas dicas relâmpago da Ana Elisa que, citando a revista do Jamie Oliver, deu a seguinte proporção: 300g de aveia para 2 colheres de sopa de óleo vegetal e 6 colheres de sopa de mel. Eu tinha um pouco menos de aveia, 244g, e acabei medindo tudo em gramas e não em colheres, porque já tava na balança. Então, arredondando um pouco as quantidades, minha primeiríssima granola foi assim:

GRANOLA INAUGURAL

Ingredientes:

250g de aveia
150g de sementes e oleaginosas variadas (eu usei semente de girassol, linhaça, amêndoa, castanha de caju e do Pará)
60g de frutas secas (Podia ter sido mais, e mais variado. Usei só cranberry.)
50g de mel (Na verdade foi um restinho de melado junto, que eu queria matar. Podia ter ido açúcar mascavo também.)
15g de óleo de canola (Ainda não comprei o tão falado óleo de coco, mas aqui seria um ótimo lugar pra usá-lo)

Preparo:
  • Acenda o forno na marca de 180ºC e vá preparando a mistura.
  • Se o mel estiver muito grosso, aqueça-o em banho maria para que ele fique bem fluido e espalhe melhor. 
  • Pique as castanhas se preferir. Eu gosto, para dificultar o trabalho de um certo pescador de castanha de granola que mora comigo.
  • Misture a aveia com as sementes/oleaginosas picadas ou não, coloque o óleo e o mel e misture bem. Espalhe tudo num tabuleiro.
  • Asse por aprox. 15 minutos e só então adicione as frutas secas que for usar. Asse por mais 10 ou 15 minutos, até ficar no ponto de cor que você gosta.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Muffin de Banana, Coco e Chocolate

por Carol Vannier

Adoro ter a desculpa de fazer esses muffins quando tem banana ficando madura demais na fruteira. Tendo também coco ralado na despensa, o que não é tão frequente, e também gotas de chocolate (essas estão quase sempre presentes!) não tive dúvidas sobre como gastar as bananas.

Esses muffins são bem substanciais, bons para um café da manhã ou lanche. Eu gosto de fazer bolinhos desse tipo na véspera de algum dia que vou ter que acordar muito cedo e sair logo de casa, seja para uma viagem, ou uma prova. Eu não sou daquelas pessoas que acordam super facilmente, na verdade sou o oposto disso, então é gostoso ter um companheirinho prontinho para um café forte nessas horas de confusão mental. Eu sei que grande parte das pessoas tem uma rotina em que todo dia é dia de acordar muito cedo e sair logo de casa, e eu já tive também, e por isso mesmo agradeço todos os dias por ter um horário mais flexível! Então vocês, heróis matutinos, experimentem o bolinho e digam se ajudou, ok? ;)




MUFFIN DE BANANA, COCO E CHOCOLATE
Adaptado do Technicolor Kitchen
Rende +- 12 muffins

Ingredientes:

2 xíc. (240g) de farinha de trigo
2 c. chá de fermento em pó
1 pitada de sal
1/2 xíc. (100g) de açúcar refinado
1 xíc. (50g) de coco em flocos adoçados*
100g de gotas de chocolate amargo ou meio-amargo
100g de manteiga sem sal, derretida e fria
3 bananas maduras, amassadas com um garfo*
2 ovos*
1 colher (chá) de extrato de baunilha

*eu quis acabar com meu coco ralado todo, e usei uns 80g. Como ele era bem seco, a massa acabou muito seca e acrescentei mais uma banana, pois nenhuma delas era grande, e mais um ovo. Mas em geral sigo certinho essas medidas.

Preparo:
  • Pré-aqueça o forno a 200°C; Prepare suas forminhas de muffin: se for usar forminhas de papel forrando as de alumínio, ou de silicone (com ou sem papel), não precisa untar.
  • Numa tigela grande, misture a farinha, o fermento e o sal. Junte o açúcar, o coco e as gotas de chocolate.
  • Numa tigela menor, misture bem a manteiga, as bananas amassadas, os ovos e a baunilha.
  • Despeje esta mistura sobre os ingredientes secos e misture levemente com um garfo – não mexa demais; massa de muffins não é lisa e homogênea como massa de bolo.
  • Transfira a massa para as forminhas preparadas e asse por 15 minutos ou até que cresçam e dourem (faça o teste do palito).
  • Deixe esfriar ligeiramente na fôrma, depois desenforme e deixe esfriar completamente sobre uma gradinha, ou um tabuleiro frio. É importante desenformar, mesmo das fôrmas de silicone, porque a fôrma guarda umidade e os bolinhos acabam azedando rapidamente. Experiência própria... :( 

sábado, 19 de julho de 2014

Canjica

por Carol Vannier

Eu sempre adorei canjica. Lá em casa e na casa da minha avó era uma coisa frequente na páscoa, nas festas juninas, ou qualquer dia de inverno. Aquele panelão ficava ali no fogão vários dias, sendo fervido e reformado várias vezes, porque os carocinhos de milho iam sobrando enquanto o leite ia acabando. É que lá em casa tem muitos bezerrinhos que usam a canjica como desculpa pra beber leite adoçado com canela, com um milhozinho ou outro pra enfeitar. Não sendo muito bebedora de leite, eu era uma das poucas que ia dando baixa nos milhos.

E então eu provei a canjica da Angelita. Eu nem sabia que dava pra gostar mais ainda de canjica! A canjica dela é cremosa, coesa, uma coisa linda. Descobri que as canjicas podiam ser que nem feijão. Tem aqueles cremosos maravilhosos e aqueles que são caroços boiando num caldo, o feião chuá-tum-tum: chuá do líquido descendo e tum-tum dos carocinhos vindo atrás. Então percebi que a canjica da minha mãe era chuá-tum-tum, mas que não precisava ser assim. Toca a aprender a fazer canjica com a Angelita!

O segredo pelo que pude perceber é ficar mexendo a canjica, como se fosse um risotto, para soltar a goma que vai fazer tudo ficar mais cremoso depois. Ela também usa creme de leite às vezes, mas não achei que fez tanta diferença quanto mexer. É um pequeno investimento de tempo e paciência mas uma grande evolução para a sua canjica!



CANJICA DA ANGELITA

Ingredientes:

500g de milho de canjica 
1 litro de leite
1 lata (395g) de leite condensado
1 garrafa grande ou duas pequenas (500 ou 400ml) de leite de coco
alguns paus de canela
opcional: 1 lata (300g) de creme de leite

Preparo:

  • Cozinhe o milho numa panela de pressão por aproximadamente 1 hora, marcando o tempo desde o início, mesmo antes de dar pressão. O milho tem que estar coberto com bastante água, de maneira que se você mergulhar a mão na panela até encostar nos milhos, seus dedos fiquem todos submersos. Se o milho não estiver bem macio, cozinhe mais tempo, colocando mais água se necessário.
  • Na mesma panela, acrescente os outros ingredientes, mudando a proporção se quiser ao seu gosto. 
  • Acenda o fogo de novo e vá mexendo sempre, soltando os milhos uns dos outros, e estimulando o milho a soltar sua goma. Assim a canjica vai ficar bem cremosa. Mexa até ficar satisfeito com a consistência.
  • A canjica vai ficar mais grossa depois de esfriar. Se quiser, reaqueça colocando mais um pouquinho de leite, ou o creme de leite. 
  • Sirva quentinha com canela em pó por cima.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bolo de Fubá

por Carol Vannier

Engraçado, jurava que já tinha postado esse bolo por aqui. Esse não é tão das antigas quanto o de cenoura, mas desde que aprendi a receita, deve ser o bolo que faço com mais frequência, ainda mais porque é fácil ter todos os ingredientes na despensa. Bolo pra mim é das maiores tentações, ainda mais esse tipo de bolo simples que pede um café ou um chá pra acompanhar. Pra quem também gosta desse tipo de bolo, vai agradar com certeza!

Eu aprendi essa receita com uma cozinheira de mão cheia, especialista nessas comidas caseiras que todo mundo adora. Ela recomenda um fubá especial, moído em moinho de pedra, que por aqui encontramos no Hortifruti. Eu já fiz também com o fubá normal e com uma farinha de milho fina pra polenta que eu achava no supermercado na França. Sempre deu certo, mas dá pra notar a diferença. Outra coisa é que, espantosamente (pra mim que adoro!) ela não gosta de manteiga, e faz esse bolo com margarina. Então você pode fazer com o que preferir, os dois são testados e aprovados.

Olha a crosta toda rachadinha... :P

BOLO DE FUBÁ DA BETH

Ingredientes:
3 ovos, claras e gemas separadas
3 xíc. (600g) de açúcar (É muito, e causa uma casquinha maravilhosa. Dá pra reduzir um pouco pra ficar menos doce, e ainda ter um pouco de casquinha. 2 e 1/2 xíc. por exemplo)
150g de manteiga, um pouco amolecida
1 e 1/2 xíc. (200g) de fubá
1 e 1/2 xíc. (200g) de farinha de trigo
1 garrafinha (200ml) de leite de coco
1 colher de sobremesa de fermento

Preparo:

  • Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte e enfarinhe uma fôrma de furo no meio.
  • Bata as 3 claras em neve e reserve.
  • Bata as gemas, o açúcar e a margarina na batedeira, até formar um creme bem claro.
  • Acrescente o fubá, a farinha, o leite de coco e o fermento, e bata para misturar.
  • Acrescente delicadamente as claras em neve.
  • Despeje na fôrma e asse por aprox. 35 minutos, ou até dourar, ficar elástico ao toque e um palito inserido sair limpo.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Bolo de cenoura

por Carol Vannier

Essa é uma das receitas mais antigas que eu faço. Aprendi em alguma das aulas de Educação para o Lar que eu tive na escola. Pra quem não conhece, no Centro Educacional de Niterói os alunos de +- 10 anos (de ambos os sexos!) costumavam ter (não sei se ainda têm) aulas que incluíam receitas simples e rudimentos de costura (bainhas e botões). Não lembro se tinha mais coisa, mas o que ficou na minha memória foram as receitas, claro. E o caderno dessa aula foi meu caderno de receitas por muitos anos depois disso.

O bolo esta mais ou menos naquela classe de "bolos de liquidificador". É que na verdade não precisa bater a massa toda no liqui, mas tudo começa nele, e não complica muito depois disso. Nível de dificuldade infantil mesmo. Eu costumo fazer num tabuleiro retangular pra aumentar a relação superfície/volume, e consequentemente a quantidade de cobertura, mas dessa vez fiz em forma de cupcakes para uma festa especial (essa é minha desculpa para o atraso no post...). Deu muito certo!



BOLO DE CENOURA
rende 1 tabuleiro de aprox. 40x25 cm ou 18 cupcakes

Ingredientes
Bolo:
2 cenouras médias (descascadas e picadas de acordo com o tamanho que seu liqui/processador aguentar triturar)
2 xíc. (400g) de açúcar
1 xíc. (200g) de óleo
3 xíc. (360g) de farinha
2 ovos
1 c. sopa de fermento

Ganache:1 barra de chocolate meio amargo (+- 180g) picado grosseiramente
2/3 de uma lata (200g) de creme de leite, misturando o soro

Preparo:
  • Bata no liquidificador/processador as cenouras, o óleo e o açúcar.
  • Passe para uma tigela e acrescente a farinha os ovos e o fermento.
  • Coloque num tabuleiro untado e polvilhado, ou em forminhas de cupcake (não precisa untar) e leve ao forno por 20 min.
  • Ganache: coloque o creme de leite numa panelinha e leve à fervura. Desligue o fogo e jogue os pedaços de chocolate na panela, mexendo bem até que todos os pedaços derretam. Espalhe em cima do bolo e espere esfriar para cortar.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Aveia no forno

por Carol Vannier

Antes de falar da receita de hoje, eu queria agradecer (com muito atraso!) quem escreveu comentários me contando o que gosta e o que gostaria de ver mais por aqui. Isso é muito valioso e estou pensando com carinho em tudo que vocês disseram. Obrigada! :)

Essa receita, que deve agradar os que gostam das dicas mais saudáveis, é pra um dia de café da manhã assim... lento, que pode ir começando com outras coisas, algumas frutas, um iogurte, enquanto a cozinha vai ganhando um cheirinho de banana e canela a medida que a aveia assa no forno.

Eu adoro aveia, e descobri meio tarde, então venho tentando compensar o tempo perdido. Pra dias que não dá tempo de acender o forno de manhã (quase todos?) um mingau de aveia é uma opção boa, pois são uns 5 minutinhos no fogão, o que me dá tempo de ir acordando. Pois é, meu processo é lento... O mingau de aveia fica muito interessantes com frutas secas junto, tipo ameixa, figo, ou o que você gostar. Eu sempre faço com a aveia inteira, e não farelo, para ter a textura que pra mim é muito boa.

Não se assustem com a lista de ingredientes, muitos deles são comuns em qualquer cozinha, e outros, se você gosta, são ótimos de ter também, pois vão entrar em muitas outras receitas interessantes, e não são muito perecíveis. Além disso, não se trata de um bolo ou algo que possa desandar, então dê seus toques também, de acordo com o que tiver em casa e com o seu gosto. As amêndoas em lâminas por exemplo, eu usei porque tinha ganho uma sobra, mas nunca compro, e provavelmente vou continuar sem comprar. Na próxima vão as amêndoas salgadas que eu adoro e tenho frequentemente em casa. Jogo na tábua e vou picando com a faca meio aleatoriamente e pronto.

Alugumas substituições que eu fiz foram para tirar ingredientes pouco comuns aqui no Brasil, como maple syrup, applesauce e buttermilk. Outras por causa da minha despensa mesmo, como o óleo de coco e a linhaça em pó. A linhaça na verdade achei que as sementes inteiras eram melhores, e o óleo de coco ainda tô tentando convencer meu bolso que é uma boa idéia. Quando ele se convencer, eu experimento.

O resultado com certeza deve estar diferente do original, mas o importante é que ficou bom à beça! Comi puro primeiro e é gostoso, mas é quase nada doce. Aí segui em parte a sugestão da receita e coloquei um pouquinho de açúcar mascavo e um pouquinho de manteiga... e quanta diferença! Só um pouquinho mesmo de cada um muda tudo. E é legal que cada um que comer pode regular o quanto quer dos ingredientes mais "perigosos". (Por mais que eu, e outros, achem que manteiga não mata ninguém...)


AVEIA NO FORNO COM BANANA E NOZES
Bastante adaptado daqui

Ingredientes:

Secos
200g (2 xíc.) de aveia inteira
50g (1/2 xíc.) de amêndoas em lâminas tostadas
100g (1 xíc.) de nozes tostadas e picadas em pedaços grandes
40g (3 c. sopa) de sementes de linhaça
1 c. chá de fermento
1 c. chá de canela em pó
1 c. café de gengibre em pó
1 c. café de noz moscada em pó
1 c. café de sal

Molhados
360 ml (1 1/2 xíc.) de leite
1 c. sopa (15ml) de suco de limão 
100 ml (quase 1/2 xíc.) de leite de coco
80 ml (1/3 xíc.) de mel
1 ovo batido
1 c. sopa de essência de baunilha

Outros
2 bananas maduras grandes ou 3 médias em rodelas
Manteiga para untar a fôrma e espalhar por cima
Açúcar mascavo e manteiga para servir

Preparo:

  • Pré-aqueça o forno a 200ºC. Unte a fôrma que for usar com manteiga.
  • Numa vasilha misture todos os ingredientes secos. Em outra, misture os molhados. Junte os dois e misture.
  • Forre o fundo da fôrma com rodelas de banana. Jogue a mistura de aveia por cima e cubra com mais rodelas de banana. 
  • Derreta um pouco de manteiga e espalhe por cima das bananas. Leve ao forno por 40 minutos, ou até dourar bem. 
  • Sirva morno, com açúcar mascavo e manteiga por cima, ao gosto de cada um.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Pão sem pressa

por Carol Vannier

Um ano depois, e eu finalmente tentei outra receita de pão, e me arrependo de ter demorado tanto! Como eu já dizia há um ano atrás, pão bom pra mim tem que ter glúten, e nessa última receita eu misturei uma farinha italiana que me deram, mas que não é especial pra pão, com a tal farinha de glúten do Irmãos da Terra. Eles não têm sempre, mas ainda não desistiram de nós, clientes "malucos" que não estamos fugindo do glúten. O dono me disse que além de mim (na verdade ele deve achar que eu e minha mãe somos a mesma pessoa) só tem um outro cara que aparece pedindo farinha de glúten. Eu disse pra ele que o pão feito com um pouco dessa farinha fica fantástico, pra ver se ele faz propaganda e vende mais. Hoje em dia pode não ter tanto doido sovando pão, mas muitos têm aquela máquina de pão e também podem se beneficiar de uma farinha melhor.

Dito isso, quero deixar claro que eu entendo quem realmente precisa evitar o glúten. Mas mais do que isso, eu acho importante esclarecer as pessoas sobre a sensibilidade ao glúten, conhecida como doença celíaca. A moda de evitar glúten não faz bem nenhum nem aos que entram na moda, nem aos que realmente não podem comer glúten, como mostram esses dois textos da Shauna, uma food blogger que tem doença celíaca. As pessoas precisam parar de reduzir as coisas, e começar a entender as coisas. Hoje eu entendo o efeito que o glúten tem sobre o resultado de uma receita, e entendo que eu não me sinto mal quando como glúten. Mas sei que tem quem se sinta, e essas pessoas devem ser respeitadas. Mas pra isso não precisamos extirpar o mundo de glúten, só precisamos nos informar para tentar não envenenar ninguém. E quem alimenta essa moda desmoraliza quem realmente tem a doença, que passa a ser taxado como modista também. Para confundir mais ainda, existem outras formas de intolerâncias alimentares que se parecem com a doença celíaca mas não são, e as pessoas que sofrem dessas intolerâncias precisam ainda mais que não se invente modismos.

Eu deixei eles se encostarem no forno e deu esse formato doido :P

Voltando ao pão, dessa vez inaugurei duas técnicas: usei uma pedra no forno como "tabuleiro" para o pão, e um e spray de água. A pedra serve como reservatório de calor, e estabiliza a temperatura do forno, que precisa ser bem alta. O vapor ajuda a fazer a crosta dourada e crocante. Eu ainda não fiquei 100% satisfeita com a crosta, então quando evoluir o método eu conto por aqui. Dessa vez o que eu fiz foi pulverizar bastante água assim que eu coloquei os pães no forno. Esse processo só ajuda nos primeiros minutos de forno. A técnica de assar na panela de pedra fechada meio que dá conta das duas coisas, pois o vapor que sai da massa fica preso na panela. Só que estou sem panela de pedra no momento, mas acho que vou testar essa mesma receita dentro da panela depois.

A receita foi adaptada do La Cucinetta (minha constante inspiração para pães e mais mil coisas), trocando o fermento de fresco para seco e omitindo a farinha de centeio que eu não tinha. Eu aviso logo que é uma receita cheia de etapas e esperas. Ideal para um domingo preguiçoso ou para o dia que você está refém em casa esperando uma entrega no horário comercial.


PÃO TIPO SOURDOUGH*

Ingredientes

Fermento:
3g de fermento biológico seco
250g de farinha de trigo para pão (ou farinha normal com +- 20% de farinha de glúten, nesse caso 200g normal + 50g de glúten)
5g de sal
175g de água

Massa:
500g de farinha de trigo para pão (ver acima)
360g de água
300g do fermento preparado 
10g de sal

Preparo:

  • Fermento: Misture bem o fermento na farinha, e adicione os outros ingredientes, misturando bem até ficar uniforme. Despeje numa bancada sem farinha e sove segundo o método do Bertinet, que é ótimo para misturas bem úmidas. Volte a massa para uma tigela enfarinhada e deixe descansar por 6h. Se quiser fazer de um dia pro outro, coloque na geladeira por até 48h. Eu deixei 6h fora e mais uma noite na geladeira.
  • Massa: Misture a farinha com a água até formar uma massa e deixe descansar coberta com um pano por 30 minutos.
  • Junte 300g do fermento preparado anteriormente (o que sobrar pode ser o fermento de uma pizza depois) e misture. Quando estiver uniforme, despeje na bancada sem farinha e sove por alguns minutos até a massa ficar elástica. Distribua o sal por cima e continue sovando por mais alguns minutos.
  • Enfarinhe ligeiramente a superfície, forme uma bola com a massa e coloque-a para descansar coberta com um pano por 1h30.
  • Enfarinhe ligeiramente a bancada, despeje a massa e forme novamente uma bola, achatando a massa e puxando as beiradas para dentro. Volte com a massa para a tigela e deixe descansar coberta com um pano por 1h.
  • Enfarinhe ligeiramente a bancada e despeje a massa para modelar. Divida em duas partes e dê forma aos pães. Eu modelei com as dicas desse vídeo
  • Acenda o forno no máximo com a pedra dentro, se você tiver, ou com uma panela de pedra. O objetivo é chegar em 250ºC.
  • Forre um tabuleiro com um pano de prato limpo e polvilhe-o com farinha. Arrume os pães com uma dobra de pano entre eles para que não se encostem quando crescerem mais. Cubra com outro pano ou com as sobras desse, e deixe descansando por mais 1h ou até que dobrem de tamanho.
  • Polvilhe uma pá ou um outro tabuleiro com fubá e coloque os pães com a emenda (que vem do processo de modelagem) para baixo. Faça cortes com uma faca bem afiada na superfície do pão. Abra o forno e pulverize bastante água com o spray, depois deslize os pães para a pedra. Asse por 25 a 30 minutos ou até que eles estejam grandes, dourados, e façam um barulho oco quando você bater no fundo deles. Tire do forno e deixe esfriar sobre uma grade.


*Sourdough mesmo seria usando fermentação natural. Esse é só um pão de fermentação lenta.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Morangos assados

por Carol Vannier

Os morangos ainda não estão aparecendo com muita fartura nos mercados por aqui, mas talvez @s leitor@s do hemisfério norte já possam aproveitar essa dica. Eu comprei no impulso duas caixinhas que estavam um pouco caras porém bem bonitas e fiz essa receita que estava na minha cabeça sem querer sair.

Eu adoro compotas de morango, aquelas em que o morango fica inteiro ou pela metade, envoltos em uma calda deliciosa, com o gosto que toda bala de morango gostaria de ter. Só que nunca faço, por medo de fazer cagada na cozinha, e por inexperiência nesse ramo de geleias e afins. Por isso quando vi essa receitinha em que só precisava colocar os morangos com mais alguns ingredientes no forno, e eles sairiam lindos desse jeito, achei que era a minha chance!

De fato, a receita não poderia ser mais simples, mas poderia ser mais doce. Pra quem estiver querendo algo com cara de sobremesa, é preciso aumentar a dose do mel ou melado (se não tiver os dois, use o que tiver), ou até adicionar açúcar mesmo. Mas pra acompanhar um iogurte no café da manhã, ou colocar no pão com um pouco de cream cheese, já é doce o suficiente, e bem interessante! E como a gente come também com os olhos, eu diria que ficou até mais bonito do que uma compota. Definitivamente me conquistou :)



Antes da receita, queria aproveitar pra recomendar um texto bem legal, que fala do estereótipo da feminista e liberdade de escolha no contexto da cozinha: Minha cozinha é livre. Acredito que devo ter muitas leitoras feministas que gostam de cozinhar, e é importante lembrar que uma coisa não interfere minimamente na outra.

MORANGOS ASSADOS
um pouco adaptados daqui

Ingredientes:
+- 450g de morangos cortados na metade (foram duas caixinhas bem aproveitadas)
2 c. sopa de mel
2 c. sopa de melado
2 c. sopa de vinagre balsâmico
2 c. sopa de azeite
1 pitada de sal

Preparo:
  • Pré-aqueça o forno a 170°C. Prepare um tabuleiro forrado com papel manteiga.
  • Coloque os morangos numa vasilha grande. 
  • Numa vasilha pequena misture os ingredientes da calda. Despeje sobre os morangos e misture bem até todos os morangos estarem besuntados.
  • Espalhe os morangos no tabuleiro e asse por 40 a 45 minutos.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bolo de maçã

por Carol Vannier

Às vezes eu divido aqui primeiras experiências que por terem tido um resultado muito bom, sinto que merecem ser compartilhadas. Mas eu gosto mesmo é de mostrar aquelas receitas a que recorro sempre, as testadas e aprovadas. Não só porque sinto que podem dar mais certo quando alguém for tentar reproduzir, mas também porque são minhas queridinhas, e eu não sou ciumenta :)


Eu adoro qualquer bolo de maçã, mas esse é o que eu sempre faço quando tenho maçãs ou uma tarde chuvosa precisando gastar. O tempo anda curto, mas as maçãs de fato estavam sobrando na geladeira, então vamos de bolo. Não que eu precise de muita desculpa pra fazer bolo... mas vamos fingir que é só um esforço de não deixar comida estragar. Dessa vez eu resolvi que ia experimentar usar um pouco de pimenta da jamaica pra ver o efeito, já que comprei há pouco tempo. Só que a esperta aqui colocou a pimenta da jamaica num moedor igual ao da pimenta do reino. Já sabem o que que eu acabei experimentando né?

Esse bolo é pra fôrma de furo no meio, só que das grandes, com 23cm de diâmetro. Se a sua for menor, é melhor reduzir um pouco a receita. Ele fica melhor no dia seguinte, mas já é uma indecência de bom no dia mesmo, até com pimenta!


BOLO DE MAÇÃ
tirado daqui
quem cozinha de noite e tira foto de manhã não fotografa bolo inteiro...

Ingredientes:
3 maçãs grandes ou 5 pequenas (as minhas pesaram 380g depois de descascadas e fatiadas)
1 limão
100g (1/2 xíc.) de açúcar misturado com canela
260g (2 xíc.) de farinha de trigo
2 c. chá de fermento em pó
1 c. chá de sal
160ml (2/3 de xíc.) de óleo vegetal
2 ovos grandes
200g (1 xíc.) de açúcar
240ml (1 xíc.) de leite
1 c. chá de essência de baunilha

Preparo:

  • Descasque as maçãs e fatie em "orelhinhas" finas. Vá pingando limão nas que já foram picadas para que não escureçam.
  • Misture metade do açúcar com canela nas maçãs e reserve o resto.
  • Pré-aqueça o forno a 160ºC. Unte e enfarinhe uma fôrma de furo no meio de 23cm de diâmetro.
  • Peneire a farinha, o fermento e o sal em uma tigela. Reserve.
  • Na tigela da batedeira coloque o óleo, os ovos e o açúcar e bata em velocidade média por +- 3 minutos, até ficar mais claro e espesso. 
  • Adicione alternadamente a mistura de farinha e o leite com a baunilha, aos poucos, misturando somente o suficiente.
  • Junte metade das maçãs à massa, misture com uma espátula e espalhe na fôrma. Arrume o restante das maçãs por cima como achar mais bonito e polvilhe o resto do açúcar com canela.
  • Leve ao forno por aprox. 1 hora, ou até que um palito saia limpo e a parte de cima esteja bem dourada. Espere esfriar um pouco para desenformar.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tsatsiki e Iogurte Caseiro

por Carol Vannier

Já deu pra reparar que nesse nosso blog ninguém é muito dado a ficar fixo num só canto do mundo né? E pra mim viajar é sinônimo de comer coisas novas e absorver hábitos diferentes. Mas às vezes a gente pode experimentar pequenas viagens em casa mesmo, ainda mais depois que outros viajantes nos deixam com água na boca mandando notícias de suas andanças! Foi assim que resolvi dar um pulinho imaginário na Grécia e fazer esse Tsatsiki.

O empurrão final foi encontrar uma receita (não que não se encontre milhares de outras na internet) no Wild Fermentation, um livro fascinante para quem tem curiosidade sobre os alimentos fermentados. Ainda não pude ler muito porque dei de presente pro meu mestre cervejeiro favorito, então tenho que esperar ele terminar, enquanto vou dando espiadinhas ocasionais.

A receita do livro pede simplesmente por iogurte, então eu fiz com meu iogurte caseiro que tinha ficado meio líquido, mas achei que ficaria melhor com um iogurte firme, tipo o grego ou talvez aqueles naturais que vêm em copinhos altos, sem o soro. Para quem quiser fazer iogurte em casa, no calor em que eu vivo, não precisa nem de iogurteira! Coloco abaixo o passo-a-passo com dicas para quem vive em lugares mais frios, e o truque da minha mãe para engrossar o iogurte.

Sobre os usos do Tsatsiki, sou tão iniciante quanto se pode ser. Pelo que vejo e leio por aí, come-se como uma pastinha sobre pão pita (um pão achatado e grosso que nunca vi no Brasil), ou como acompanhamento de carnes, como molho dentro de sanduíches... ou seja, de muitos jeitos. Acho que ele feito assim mais líquido como eu fiz pode virar até uma entradinha fresca, como uma sopa fria. Não torçam o nariz, a idéia é expandir os horizontes! ;)

Por enquanto comi exatamente como mostra minha foto, mergulhando cenourinhas e mini-kaftas no potinho, e adorei! A cenourinha, por não ser rugosa como a kafta, segurou pouco molho, e nesse caso se ele fosse mais espesso seria melhor. Mas para a kafta nem fez tanta diferença e ficou uma delícia!



IOGURTE CASEIRO
dicas de Sandor Ellix Katz e mamãe

Para cada litro de leite, usar 1 c. sopa (15ml) de iogurte para ser a cultura inicial.
É importante que o iogurte inicial seja fresco, então procure no mercado o que tenha a data de fabricação mais recente. Nós gostamos muito do que vende no Hortifruti, acho que é Verde Campo. 
Outra coisa importante é a qualidade do leite. Tem muito leite de caixinha por aí cheio de conservantes, que estragam o paladar de qualquer derivado que você tente fazer. A gente sempre usa aquele leite de saquinho que ainda se encontra pra vender em algumas padarias.

Preparo:
  • Se você mora num lugar frio, você pode usar um ambiente isolado termicamente (um isopor ou bagfreezer ou aquelas geladeirinhas portáteis), e pré-aquecer tanto o pote onde vai fazer o iogurte quanto esse isolante externo, enchendo os dois, se possível, com água quente antes de tudo.
  • Aqueça o leite até as primeiras bolhas se formarem (aprox. 82°C) e depois desligue o fogo. Você pode ir mexendo para evitar queimar o fundo. Aquecer o leite até esse ponto não é essencial, mas ajuda a engrossar o iogurte.
  • Deixe o leite esfriar até ficar morno, de jeito que você consiga deixar o dedo (limpo!) dentro dele por uns 10 segundos sem se queimar (aprox. 43°C). Você pode acelerar o resfriamento colocando a vasilha do leite dentro um banho de água fria. Só não deixe esfriar demais porque os lactobacilos gostam de temperaturas mais altas que a do corpo. 
  • Misture o leite com o iogurte "semente". Não exagere no iogurte achando que vai aumentar suas chances de sucesso. Como sempre em processos de fermentação, cada micro-organismo tem suas idiossincrasias, e no caso do iogurte uma população grande demais resulta em um iogurte mais aguado e azedo. Se eles estiverem se sentindo menos sufocados, vão render um iogurte mais cremoso e suave. 
  • Para fazer um iogurte ainda mais cremoso, adicione algumas colheradas de leite em pó a essa mistura (aprox. 3 colheres para cada litro).
  • Feche o pote e coloque-o dentro do isolante que você escolheu. Se ainda tiver muito espaço livre, você pode encher garrafas de água quente (não tão quente que possa te queimar) e colocar junto lá dentro, ou ainda usar toalhas molhadas. Feche tudo e deixe num canto quieto, porque o iogurte não gosta de ser sacudido.
  • Após 8h a 12h veja o resultado. Se ainda não estiver espesso, coloque mais um pouco de iogurte pronto, aqueça novamente a mistura colocando água quente no recipiente e espere de 4h a 8h. Você pode ir deixando mais se quiser, mas ele tende a ficar mais azedo, porque mais lactose é convertida em ácido lático (pode ser interessante para quem tem intolerância a lactose).
  • Guarde o iogurte pronto na geladeira, onde ele pode durar semanas, mas o sabor vai evoluindo... Lembre de guardar um pouquinho para a próxima leva ;)


TSATSIKI
do livro Wild Fermentation, de Sandor Ellix Katz

Ingredientes:
1 pepino grande
500ml de iogurte (de preferência um tipo mais firme como o grego, ou iogurte drenado)
4 dentes de alho picados bem fininho ou passados no espremedor (fica bem picante, quem tiver medo de alho cru, é melhor ir adicionando aos poucos, e talvez parar antes)
1 c. sopa (15ml) de suco de limão (aprox. meio limão)
2 c. sopa (30ml) de azeite
1/4 de xícara (60ml) de hortelã ou salsa, ou uma mistura dos dois, picadinhas
Sal e pimenta do reino branca a gosto

Preparo:

  • Rale o pepino no ralador ou processador, coloque numa peneira com um pouco de sal e deixe escorrer a água por 1 hora.
  • Misture todos os ingredientes. Prove para acertar o tempero, pois a maior parte do sal no pepino vai embora com a água.
  • Deixe na geladeira até a hora de servir.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pão de queijo

por Carol Vannier

Essa receita vem mais a calhar para quem não mora no Brasil, porque fica mais fácil levar alguns pacotes de polvilho na mala do que pão de queijo congelado, que é a forma mais comum de consumir pão de queijo nas casas brasileiras. Aliás, o pão de queijo figurou nessa lista do BuzzFeed de comidas brasileiras. Eu achei a lista ótima, e talvez me inspire a colocar as minhas versões de algumas dessas receitas.

Há quem diga que essa receitinha de pão de queijo é mais gostosa do que pão de queijo comprado pronto... Só que confesso que dá um bom trabalho, porque a massa é grudenta e tem que ter disposição pra sovar. Mas no fim você é recompensado com um estoque de pão de queijo para alimentar um batalhão!

Para quem quiser se aventurar, é importante saber que o passo crucial é jogar os líquidos realmente ferventes sobre o polvilho. É esse processo que faz o polvilho dar liga. Se o líquido já estiver morno, a massa fica mole e vai ser impossível fazer bolinhas (mas acho que daria pra salvar usando forma de mini-muffin ou algo parecido).

Para quem não conhece o polvilho, ele é o amido da mandioca. Não sei explicar o processo que transforma o polvilho doce no azedo, mas com certeza é o azedo que tem mais sabor, então se for mudar a receita, pode fazer com 100% do azedo, mas se usar só o doce fica meio sem graça. Usando meio a meio eu acho que fica um equilíbrio bom entre sabor e o efeito "puxa".

Não fique com medo de fazer uma batelada grande: é só fazer as bolinhas e congelar separadamente. Depois que estiverem duras, coloque num saquinho e guarde esse tesouro no seu congelador para uma hora de necessidade ;)



PÃO DE QUEIJO

Ingredientes:

5 ovos
250 g de parmesão ralado em tiras 
(pode aumentar a gosto, ou usar do ralado fino)
100 ml óleo
200ml de água
300ml de leite
250g de polvilho azedo
250g de polvilho doce
1 colher de chá cheia de sal



Preparo:
  • Coloque para ferver o óleo, o leite e a água.
  • Quando ferver (cuidado pra não derramar porque o leite sobe!), adicione a uma tigela grande onde esteja o polvilho, para escaldá-lo. (ou adicione o polvilho à panela, se ela for bem grande).
  • Espere esfriar um pouco e coloque os ovos, 1 a 1, sovando sempre.
  • Acrescente o queijo e o sal e sove mais.
  • Faça bolinhas (para não grudar na mão, unte-a com óleo) e disponha num tabuleiro.
  • Asse em forno bem quente até dourar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Receitas Lavoisier - Ricotta e Panqueca de Banana

por Carol Vannier

Existem receitas que naturalmente geram subprodutos, e esses subprodutos muitas vezes acabam no lixo sem necessidade. Por exemplo, gemas sobrando quando só se quer claras e vice-versa, caldos de cozimento nutritivos, cascas que podem virar doces, farelos que podem virar farinha, etc. Pra quem não gosta de desperdícios, é sempre bom ter em mente alguma outra receita para aproveitar essas sobrinhas. Nada cozinha nada se perde, tudo se transforma ;)

Essa semana eu fiz panquecas de banana usando um subproduto que é bem menos usual do que os exemplos aí de cima: o soro que sobra depois de fazer ricotta. Então deixo as duas receitas, e mais uma música para ouvir e cantarolar enquanto faz suas panquecas...



Pra quem achar que fazer ricotta caseira é muito capricho pra pouca recompensa, meus argumentos são dois: preço e qualidade. No preço a diferença talvez seja pouca pra motivar a maioria, e acho que eu mesma não faria se pudesse comprar uma ricotta igual no mercado. Acontece que todas que eu compro são secas demais e ligeiramente amargas, e só prestam pra serem misturadas a outra coisa. Essa caseira eu como purinha com sal, em cima da torrada, ou mais caprichada com pimenta e azeite. Mas não precisa misturar creme de leite e afins pra ficar palatável. Só que é bom ter cuidado com o leite que se usa. Uma vez fiz com um leite de caixinha longa vida e ela ficou estranha, meio borrachuda. Com o leite de saquinho (que hoje em dia ainda se encontra em algumas padarias) por enquanto tem dado certo. Isso quando ele não talha sozinho na hora de ferver e vira ricotta com menos esforço ainda! (Não tenham medo se isso acontecer! A ricotta fica ótima e não mata ninguém)

Já o soro que sobra pode ser usado em receitas estrangeiras que pedem por buttermilk, ou pode também substituir o leite em vitaminas ou outras receitas, e foi o que eu fiz com essa receita de panqueca. Apesar de ter perdido a maior parte da gordura, o soro ainda tem aquele gostinho de leite, e muitos nutrientes, e as panquecas ficaram ótimas!


RICOTTA CASEIRA
(rende +- 300g de ricotta)

  1. Aquecer 1 litro de leite e uma boa pitada de sal até 80 graus, ou até ver começar aquela espuminha em cima, mas sem deixar ferver.
  2. Nesse ponto abaixe o fogo e misture 2 colheres de sopa de suco de limão (pode ser um pouco mais, se o leite não talhar com 2 colheres).
  3. Mexer a mistura por 2 minutos mais ou menos, até que você veja uma separação entre pedacinhos sólidos e o soro.
  4. Retirar do fogo e deixar esfriar em temperatura ambiente.
  5. Forrar uma peneira com um desses panos meio furadinhos, tipo pano de fralda, ou pano de saco, limpo. Na falta disso tudo, compressas de gaze funcionam!
  6. Passar a mistura pela peneira, recolhendo o soro que vai passar por ela. 
  7. Colocar na geladeira, ainda com o recipiente embaixo pra recolher o soro, e deixar secando por algumas horas. Em 2 ou 3 horas já está no ponto cremoso que eu gosto. Se quiser mais seco tem que deixar pingar mais tempo.



PANQUECAS DE BANANA

Adaptado do How to be a domestic goddess

Ingredientes:
1 c. sopa fermento em pó
1 pitada de sal
1 c. chá açúcar
2 ovos batidos
30 g (2 c. sopa) manteiga (derretida e fria)
300 ml (1 1/4 xíc) soro de leite (sobra da ricotta)
225 g (1 1/2 xíc) farinha
manteiga para a frigideira
bananas a gosto




Preparo:
  1. Coloque todos os ingredientes num liqüidificador, ou numa jarra onde você possa usar o mixer de mão, e bata. É bom usar um recipiente tipo a jarra ou o copo do liqui, já que assim não precisa nem de concha para colocar a massa na frigideira, é só despejar aos pouquinhos.
  2. Corte a(s) banana(s) em rodelas.
  3. Coloque uma frigideira, de preferência anti-aderente, para aquecer com um pouco de manteiga.
  4. Despeje a massa, ajustando a quantidade de acordo com a grossura que você quer. Coloque rodelas de banana por cima da massa. Elas vão ficar incrustadas e fazer parte da sua panqueca.
  5. Quando a parte de cima estiver borbulhando bastante, já é hora de virar para cozinhar o outro lado, e aí só leva mais 1 minuto pra ficar pronta.
  6. Coma quentinha com mel, ou açúcar e canela, ou o que preferir :)



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pão achado

por Carol Vannier


Eu adorei descobrir que, em francês, pain perdu (pão perdido) é o nome que se dá para as rabanadas (fatias douradas em Portugal), já que elas são um ótimo uso daqueles pães velhos que ficam esquecidos, perdidos pela cozinha. É curioso que no Brasil tenhamos o pão de rabanada, feito especialmente pra isso pelas padarias na época do Natal, já que a receita nasceu do reaproveitamento. Mas talvez com o nosso hábito de comprar pãozinho francês fique mais difícil de calcular mal a quantidade de pão e consequentemente ter as sobras. Pra quem compra baguettes grandes isso deve ocorrer com mais freqüência.

Aqui em casa, devido aos exageros de uns e outros (eu cá não sou acusa cristos! não vou dar nomes aos bois...), é comum ter um pãozinho perdido, pedindo pra ser achado e reformado. Claro que podemos fazer as simples torradinhas, fatiando o pão duro bem fino, ou até uns paninis, cobrindo o pão velho de queijo e outros itens, como uma pizza. Mas indo pro lado doce, temos as rabandas, e também o pudim de pão. Mas não é aquele pudim de pão que parece um pudim de leite... Esse eu não ligo muito, acho muito sem consistência. O que fez sucesso por essas bandas foi um pudim de pão mais no estilo inglês, onde o pão é fatiado, e não triturado, e por isso mantém um pouco a textura.

Dar uma receita precisa para Pudim de Pão ou pra Rabanadas é uma tarefa difícil, porque se é pra fazer com sobras, você nunca vai ter a medida certa de uma receita, e pode ser difícil converter. Nessas horas eu tenho que deixar minha neurose seguidora de receitas de lado e improvisar um pouquinho. Eu gosto de olhar várias receitas diferentes e ver o que elas têm em comum, pra saber o que é essencial e o que é enfeite.

Para rabanadas existem tantas receitas quanto existem pessoas que as fazem! Escrevo aqui os princípios da rabanada da minha mãe, e como não podia deixar de ser, é a melhor do mundo pra mim :)

RABANADAS/ FATIAS DOURADAS


Corte o pão velho em fatias com a grossura de um polegar mais ou menos. Prepare um tabuleiro com um pouco de leite, açúcar e baunilha. Molhe os dois lados das fatias no leite, mas incline depois o tabuleiro para que a sobra de leite não fique encharcando o pão. Esse pão já molhado pode ser guardado na geladeira por uns dias, se quiser rabanadas-minuto depois ;)

Bata um ovo (ou quantos precisar) num prato fundo e aqueça uma frigideira com óleo, como se fosse fritar um bife. Passe cada fatia de pão pelo ovo, deixe escorrer o excesso e frite-as no óleo. Pode fritar várias de uma vez. Retire as fatias da frigideira para um prato com papel toalha, para tirar o excesso de óleo, e depois passe cada fatia por uma mistura de açúcar e canela


Para o pudim de pão eu percebi que o princípio básico é: pão velho em pedaços (amanteigados ou não), um creme a base de leite, açúcar e ovos, e forno. Ou seja, quase uma rabanada de forno! Para a minha receita resolvi aproveitar que o pão abandonado eram pães franceses, e cortei em rodelinhas que arrumei numa forma untada. Eu passei um pouco de manteiga com o mesmo pincel de untar a forma no topo das rodelinhas, pra ajudar a dourar. Além do pão resolvi usar um pouco das tâmaras que tinha em casa no lugar das passas que são frequentes nas receitas. Piquei as tâmaras, umedeci com um pouco de rum e depois espalhei entre as fatias de pão, abrindo espacinhos para elas.


Para o creme, segui a indicação de uma das receitas que achei e fiz uma espécie de 'custard' de preguiçoso: aqueci o leite com açúcar só até dissolver o açúcar. Botei os ovos na batedeira e fui batendo  e jogando o leite morninho, até encorpar, e no fim um pouco de baunilha. Não fica muito firme, mas cresce bem.

Depois é só despejar em cima do pão e assar, no meu caso foi rápido porque era bem pouquinho, em 15 ou 20 minutos estava douradinho, crocante em cima e cremoso em baixo. Ainda polvilhei com açúcar e canela por cima pra adoçar e dar o gostinho de canela que adoro. Depois foi só fazer o café pra acompanhar :P

Pra quem quer ter noção das quantidades, anotei mais ou menos o que usei:



PUDIM DE PÃO
2 1/2 pães franceses velhos e duros
manteiga para untar e pincelar os pães
1 xícara (240ml) de leite 
1/4 xícara (50g) de açúcar
2 ovos
1 c. sopa essência de baunilha
10 tâmaras secas, picadas
2 c. sopa rum

para polvilhar:
+- 1/4 xícara (50g) de açúcar cristal   
canela em pó, a gosto

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yes, nós temos banana, mas não só...

por Carol Vannier

Essa semana está difícil se concentrar em qualquer coisa que não sejam os movimentos populares pelo Brasil a fora, e que (julgo) graças à internet cresceram meteoricamente e geraram muita informação a ser processada (criticamente!)

De todo jeito, já tinha planejado reciclar algumas receitas que fiz e postei num blog anterior, e que agora está aposentado, já que ganhei esse cantinho na Salinha ;) Mas gostaria de ter feito algum prato típico do São João, festa que adoro, mas fica pra semana que vem! Ainda estará em tempo...

Por hora, ficamos com um bolo de banana, essa fruta tão amada, grande produto de exportação, e infelizmente associada à pobreza. Mas acho que essa semana o Brasil está exportando bem mais que banana, e espero que tudo isso ajude a espantar o complexo de inferioridade muito frequente nos brasileiros. De quebra, quero espantar esse complexo das bananas também, que são afinal frutas sensacionais, e acessíveis a todos, ainda bem!

Esse bolo foi um pot-pourri de receitas que mexi daqui e dali pra fazer a minha, e usar ingredientes que tinha. Os bolos com banana amassada são o destino daquelas bananas no fim da linha, já tão maduras que a casca já está toda pretinha, mas que ainda são super cheirosas e doces, por isso nunca quero ver irem pro lixo!


Bolo de banana e especiarias

Ingredientes:
2 xícaras (240g) farinha de trigo, (metade pode ser substituída por aveia)
3 c. chá fermento em pó
1/2 xícara (90g) açúcar
1/2 xícara (90g) açúcar mascavo
1 pitada cravo em pó
1 c. chá gengibre em pó
1 c. chá canela em pó
1/3 xícara gengibre em calda picado*
1/3 xícara castanha do pará picada, (ou outra castanha)*
1/2 xícara tâmaras picadas*
90 g manteiga, derretida e fria
1/3 xícara (80ml) iogurte natural
2 ovos, a temperatura ambiente
3 bananas maduras grandes
1 c. chá extrato de baunilha

Preparo:

1. Pré aqueça o forno a 180ºC. Unte uma forma de bolo inglês ou, se preferir, aprox. 12 formas de muffin. Derreta a manteiga e tire os ovos da geladeira.

2. Misture os secos: farinha, açúcares, fermento, cravo, gengibre, canela, castanhas, tâmaras e gengibre.

3. Em outra tigela amasse as bananas e depois adicione os ovos batidos, a manteiga, baunilha e o iogurte e misture tudo

4. Junte os secos e molhados, mexendo pouco, só até encorporar levemente. Distribua na(s) forma(s) e asse por aprox. 20 minutos ou até que um palito inserido saia limpo.


*Não sei a equivalência em gramas, mas esses "enfeites" são em quantidades mais livres, ao gosto do freguês, e também podem ser trocados por outros que estejam disponíveis. Sabendo que 1 xícara equivale a algo entre 180ml e 240ml (sim, elas variam absurdamente, mesmo as dos kits de medida!) dá pra ter uma idéia também.
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