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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sopa de Inhame

por Carol Vannier

Eu me inscrevi pra receber uma cesta orgânica em casa há algumas semanas já. Ela é quinzenal e você não escolhe o que vem. Cada semana vem um conjunto de coisas, com algumas bem constantes, outras que vão variando, de acordo com o que os produtores têm. Tem sido um exercício ótimo de me virar com o que tem, e fazer coisas sem muito planejamento. E foi assim que lembrei que adoro inhame, porque ele tem aparecido frequentemente na cesta, mas antes dela fazia tempo que eu não comia.

Pobre inhame, feinho por fora, com a casca toda cabeluda, feinho por dentro, branco e visguento, e feinho quando cozido, cinza que só ele. Mas é ele, em toda a sua feiúra, que tem me animado a comer mais sopas ultimamente. É que sopa com inhame fica tão boa! Cremosa sem precisar de creme de leite, maisena, ou o que seja. Assim posso deixar os "enfeitinhos" só por cima mesmo.

Sopa não precisa de uma receita tipo de bolo, é bom fazer com o que tem. O que faço com muita frequência é refogar bastante cebola, às vezes alho, jogar pedaços do inhame e mais algum outro legume que eu queira (frequentemente chuchu, porque também vem muito na cesta, e se não for na sopa vai acabar virando um suflê cheio de molho branco e quejo!), cubro com água ou caldo de legumes caseiro, tempero com sal e pimenta, e cozinho até amaciar bem. Bato no liqui / processador / varinha mágica e pronto. E depois vem os enfeites... Frito cubinhos de bacon, se tiver alho poró, refogo ele em um pouco da gordura do bacon e misturo na sopa, um queijinho ralado...

Não é colorida como essas, mas é muito boa! :)



sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sopa creme de batata baroa

por Carol Vannier

Nenhuma grande novidade, um creminho de batata baroa pra um jantar fácil, sem muita carne (mas com alguma, porque um baconzinho cai bem na sopa), aproveitando sobras de laticínios na geladeira: umas duas colheres de requeijão esquecido, um queijo que já foi acampar e voltou, e um creme de leite que contribuiu com duas colheres, mas ainda sobrou pra próxima rapa.

O bacon por aqui já é arroz de festa, temos sempre, desde que compramos uma barriga inteira e congelamos aos pedaços. Sábia decisão! Então pra essa sopa só faltava mesmo a batata baroa, o resto todo tinha em casa. É bom lembrar que nem sempre um prato com uma carinha especial precisa de muita confusão.

A salsinha entrou pra enfeitar, mas como todo enfeite é supérflua. Mas se você gosta de ter sempre um pouco de salsa (ou outras folhas frescas) à mão, lave o maço assim que chegar com ele em casa e seque bem numa centrífuga de salada ou com um pano limpo ou ainda com uma centrífuga arcaica feita de panos: faça uma trouxa, vá para a varanda e gire a trouxa como se não houvesse amanhã. Depois de seco, guarde num pote ou saco fechado na geladeira, com uma folha de papel toalha pra absorver alguma umidade remanescente. Dá muito certo!



Para essa sopa, eu comecei como a maioria das sopas que eu faço, refogando uma cebola imensa e bastante alho, uns 4 dentes. Depois de bem dourados, entra +- 1kg de batata baroa descascada e picada em pedaços grosseiros. Coloco sal e pimenta do reino e cubro de água. Cozinho por 20 minutos, até as batatas ficarem bem macias. Enquanto isso pico bacon em cubinhos e frito até ficar crocante. Escorro a gordura e seco em papel toalha. Bato a sopa no liquidificador (mas usaria o mixer de mão/varinha mágica, só que o meu quebrou) e volto pra panela pra misturar os laticínios disponíveis. Provo pra acertar o sal. Sirvo com salsinha e bacon :)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Palette de sopas

por Carol Vannier

Se não fosse uma logística tão complicada, eu adoraria fazer meu próprio sorteio na Salinha: uma palette de sopas! O ganhador ou ganhadora receberia em casa potinhos com porções individuais de sopas, uma de cada cor que eu conseguisse imaginar hahaha.

Contrariando tradições familiares, eu desenvolvi um gosto para sopas mais específicas, de poucos ingredientes, e menos genéricas. Por genérica eu quero dizer aquela sopa de todos os legumes possíveis e que estão na geladeira, e que acaba, pelo menos pra mim, com cara e gosto de papinha de neném. Nada contra tomar uma sopinha assim de vez em quando, mas pra mim ela tem que ser mais uma na multidão, e não a única.

Confesso que o meu festival de sopas particular foi muito motivado por um certo vestido justo (que eu, inexperiente, deveria ter mandado fazer um pouco maior). Mas não quero aqui ser mais uma a hastear a bandeira das dietas loucas. Aliás, muito longe disso: quero aproveitar pra declarar meu horror às dietas loucas. Eu tomo sopa porque gosto de sopa. E minhas sopas têm queijo, manteiga e tudo mais que eu gosto. O que acontece é que dentro do espectro das coisas que eu gosto de comer, as sopas estão na parte mais light, então se eu quero manter um equilíbrio, elas entram fazendo o contrapeso aos chocolates, pizzas e afins. Pra mim, a palavra de ordem de uma dieta, e que não serve nada como palavra de ordem, por não conter nenhuma instrução exata, é equilíbrio. Por isso mesmo equilíbrio não virou produto, não vende nem na farmácia nem na estante de auto-ajuda da livraria. Mas dietas malucas vendem. E isso é mais um motivo pra se desconfiar delas. Mas quem sou eu pra falar? Vamos falar de comida então ;)

Na minha palette temos a sopa laranja-vivo, a rosa-arroxeado e a verde-desmaiado. Minha favorita foi a laranja, provavelmente porque amo batata baroa/mandioquinha.
Mas tem pra todos os gostos. Espero que alguma faça a sua cabeça!

Para quase todas as minhas sopas eu começo dourando cebola e alho, e às vezes tomate, picados grosseiramente. Às vezes na manteiga, às vezes no óleo. Sal e pimenta do reino entram sempre, fartamente. Recomendo que cada um adapte isso aos próprios gostos. Os legumes vêm depois, e podem ser dourados também antes da água chegar. Isso reforça o sabor deles na minha opinião. Temperos especiais, que não sejam ervas frescas, entram nessa hora também, para o calor ajudar a liberar os sabores.

Essas sopas foram feitas ou com água pura, ou com caldos prontos que eu considero preciosidades por não conterem glutamato monossódico (isso rende todo um outro post), e serem só levemente salgados. Só que não vendem no Brasil :(
Mas água pura não tem mal nenhum. Às vezes usamos aqui em casa caldo de legumes caseiro que mamãe prepara pacientemente, mas é bem menos trabalho do que se possa imaginar. Se houver interessados, posso passar algumas dicas sobre isso.
Na hora de colocar a água, se quiser uma sopa grossa, tente cobrir levemente os legumes. Se quiser mais fina, cubra mais.

O cozimento da sopa é o mais fácil possível, pois acho que não existe sopa passada demais. É só ir cozinhando até ver que dá pra bater. Se esquecer no fogo, ela só vai evaporar mais um pouquinho.
Eu adoro aqueles batedores de imersão, porque despejar uma sopa quente no liquidificador é pedir pra uma catástrofe acontecer. Os batedores podem demorar um pouquinho até terminar o serviço, é preciso ter paciência, ou gostar de caçar os pedacinhos insistentes. 

No final, vários enfeites podem vir a calhar: queijos ou requeijões (gorgonzola é o meu favorito), salsinha, cebolinha, manjericão, croûtons, creme de leite ou até pedacinhos de bacon bem torradinhos ;)


Sopa Laranja-Vivo:
Legumes: abóbora e batata baroa / mandioquinha
Temperos: noz-moscada, gengibre em pó
No final: salsinha num dia e gorgonzola no outro


Sopa Rosa-Arroxeado:
Legumes: beterraba e cenoura
Temperos: tomilho seco
No final: cebolinha e creme de ricotta


Sopa verde-desmaiado: 
(podia ser menos desmaiado se as abobrinhas tivessem a casca mais verde)
Legumes: abobrinhas e ervilhas congeladas (poderia ser das frescas também, mas em lata não recomendo). Caprichada na cebola e no alho também. Se tivesse um aipo, também cairia bem.
Temperos: louro, tomilho e alecrim secos
No final: essa foi pobrinha...
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