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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sou esquisitinha, sou! # 4

Não gosto de invertebrados. Não dos do chão, animais, que rastejam pela sobrevivência, por mais feios que sejam, mas daqueles que, em duas pernas, se erguem de forma escorregadia, adaptando a sua forma à dos demais, que querem agradar, sem coerência. Desses. 

Dos que não se preocupam em cuidar daquilo que são, desde que o sejam naquele momento, com aquele fim, independentemente de terem sido outra coisa, noutro contexto. Dos que não assumem. Dos que não têm o que assumir, que a própria existência é um grande ponto de interrogação pronto a servir as vontades momentâneas de outros, para os outros. Mesmo que se contradigam.  

Dos que não têm coluna vertebral de ideias, convicções, opiniões e pensamentos. Porque defender algo pode trazer inimizades. Dos que são um enorme boneco fugidio no qual não se pode confiar, nem esperar algo de lógico. Desses. 

sábado, 7 de junho de 2014

Sou esquisitinha, sou! # 3

Mais um punhado de coisas das quais não gosto, que hoje estou adoentada e muito rabugenta:

1. De perder o olfacto quando adoeço, e descobri-lo quando decido barrar-me de um produto Terracota, da Guerlain, para me sentir melhor, mais feminina e com o espírito lá em cima. Gasta-se o produto e eu podia estar a cheirar a sabonete de glicerina que era exactamente a mesma coisa. 
2. De viajar com um grupo grande, com interesses e vontades díspares. Deixem-me lá parecer um ermita solitário, mas, em viagem, especialmente quando é a minha primeira vez num local e há um roteiro que quero fazer, custa-me imenso gerir as sonecas e preguiças matinais, as exigências para comer aqui ou ali, as expectativas diferentes e os hábitos incompatíveis que se tentam compatibilizar. Se nos primeiros dias respiro e ainda tento que todos acompanhem, a partir do terceiro vêem-me a proferir o meu tão famoso: "gente, aqui ninguém é siamês!" e a seguir viagem, sem arrastar os que querem outra coisa ou os mais lentos. Amigos, amigos, viagens à parte! 
3. Dos eternos narcisistas, egocêntricos, enigmáticos, chamadores de atenção do Facebook (não poderia faltar aqui uma desta rede social tão rica). Já partilhei na Salinha um texto engraçadíssimo sobre comportamentos insuportáveis nas páginas pessoais e continuo a lembrar-me dele quando encontro um típico "Mais um dia triste...", "Finalmente, consegui!" (mas, perante a perguntas esperadas de pessoas preocupadas, vem sempre um, também tipico, "não posso contar", ou "sempre o mesmo", ou "quando puder conto"), ou uma expressão, também típica, de como se é social, brilhante, se tem muitos amigos ou uma relação perfeita, ou o que quer que seja a pedir aceitação e reconhecimento gratuito dos outros. Ou a eterna valorização dos momentos rotineiros do dia, incluindo os mais íntimos... ah, como são geniais! A muitas pessoas tenho vontade de dizer: "Olhem, o Facebook não é espaço de terapia. O melhor, e mais eficaz, é procurarem um profissional. Acreditem, ajuda."
4.  De chuveiros elétricos. Haja mecanismos mais difíceis de gerir, logo pela manhã, quando é necessário um banho para começar o dia como deve ser. Quem gosta de água quente (quente mesmo), e não gosta da ideia de misturar electricidade com água, então nunca comprem uma coisa destas. É uma chatice grande (pior só banho de água fria de caneco!)
5. De café, azeite, azeitonas e leitão e continuo a ser portuguesa, apesar das várias expressões indignadas ou em piada perante tal facto. Continuo a gostar, e muito, de bacalhau, mas como o à lagareiro ou qualquer peixe cozido sem o líquido de ouro e, olhem, sabe-me muitíssimo bem! 
6. De quando o nariz escorre sem aviso nem pedido de autorização e dos espirros molhados antes de chegar ao guardanapo. Mas quem é que manda aqui?!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sou esquisitinha, sou! # 1

Coisas das quais não gosto* (primeira leva, levezinha, para começar) : 

1. Ventoinhas ou ar condicionado, especialmente quando estão tão fortes que tenho de vestir um casaco só nas divisões onde os apanho (ou nos autocarros aqui no Rio, onde alguns parecem chegados do Pólo Norte);
2. Que achem que tenho botões on-off para não ligar a coisas que, de facto, incomodam até ao ser mais pacato e blasé do Mundo. Se a minha tolerância e paciência fossem como aparelhos auditivos, acreditem que seria a primeira pessoa a desligar barulhos indesejados; 
3. De misturar vermelho e rosa. Para mim não combinam, não ficam bem e arrepiam-me toda. Pronto, está dito.
4. Da forma como algumas pessoas se sobrestimam, enquanto subestimam a inteligência alheia. Não tenho paciência para egos inchados e vaidades sem fundo, muito menos quando tudo faz parte de teatros e jogos de manipulação; 
5. De feijão-verde e agrião. Torço o nariz a filhotes de animais e a couve flor. A baba do quiabo incomoda-me imenso. O resto como tudo. 
6. De quando os guionistas das séries que vejo decidem mudar a coerência narrativa das personagens e do estilo. Adoeçam-me uma personagem de uma série cómica e vejam-me a atirar com um chinelo à televisão. Se quisesse ver desgraças e drama, procurava outros géneros. (Responsáveis do HIMYM, isto é especialmente para vocês (mas não apenas)!) 
7. De cabelos todos iguais, com o mesmo corte, o mesmo estilo, sejam todos lisos, ou todos com babyliss. De fotocópias na rua e margem curta de manobra para cada personalidade. Ser-se bonito, elegante e moderno não pressupõe apenas uma forma de pentear o cabelo (que curto também pode revelar uma feminilidade sensual);
8. De água fria. Independentemente do calor que esteja na rua. Tirem-me o banho quentinho da manhã e sentem-se a apreciar o espectáculo, que em poucos minutos viro um bicho rezingão. 
9. De adultos demasiado infantis e crianças demasiado adultas. Há tempo para tudo. Para brincar, para ser sério, para crescer e, principalmente, para se conhecer, compreender, melhorar o que queremos, sem copiar ninguém. Ser autêntico, honesto com o que se é, é saudável e faz bem à saúde (nossa e dos outros). 
10. De fazer compras no supermercado. Há pessoas a quem o passeio com o carrinho pelos corredores de produtos, avaliando promoções e bons negócios, acalma, outras que detestam perder tempo a analisar o que falta em casa. Estou no segundo grupo. Sem lista e metas concretas, então, não me verão com certeza num continente, modelo, pingo doce, carrefour, franprix, extra, guanabara, real ou qualquer outro, em qualquer parte do mundo.  


* de dez em dez, que isto de andar atenta faz-me não gostar de demasiadas coisas. 

(o blog Coisas & Cenas partilhou a listagem (em vários posts) de coisas que irritam. Apesar de diferente, fica a referência da inspiração, dado que foram posts que me fizeram pensar, especialmente, no quão simpática é a partilha destes pormenores que fazem de nós, nós. Mesmo os feios, para equilibrar a beleza da coisa.) 
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