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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Guerlain | Rouge G 820 Rouge Parade

A colecção de Natal da Guerlain está, mais uma vez, muito interessante. É sabido que a minha gama favorita da marca é, sem dúvida, a Terracotta, que lança sempre edições especiais quando o verão se aproxima às quais tenho muita dificuldade em resistir. Contudo, desta vez, fui levada totalmente pelos encantamentos do baton lançado para o fim de ano, da colecção Night at the Opera, o Rouge G 820 Rouge Parade, que apanhei numa promoção genial, por alerta da Patuxxa.


Para começar, adoro estas embalagens limitadas dos Rouges da Guerlain, com uma ávida admiração, quase de coleccionadora.  Desta feita, em vermelho, o pormenor do espelho incorporado, para retocar em qualquer lado a cor dos lábios, e um formato elegante atrai sempre olhares curiosos, que querem não apenas saber qual é a marca, mas também abrir, ver a cor ou só mesmo o mecanismo de abertura (homens ou mulheres, que a curiosidade não discrimina por género). Achei esta apenas um nadinha mais leve que os Rouges dourados normais, com um ar mais plastificado do que os irmãos de colecção permanente, o que, contudo, não lhe retira o valor (pelo menos para mim).

A cor é absolutamente magnífica. Um olhar desatento, ou quem sabe com um leque de cores mais reduzido (ainda menor que o meu que já não é dos mais elaborados), dirá que os vermelhos são todos iguais, com apenas algumas diferenças nos tons mais escuros (aos quais já chamam vinho) ou claros, ali a tocar quase num rosa avermelhado. Contudo, mesmo na linha do vermelho vermelho, vivo, médio, neutro, há uns que impressionam mais do que outros, uns com um ar mais elegante e delicado que outros. Este Rouge G está no grupo daqueles vermelhos de luxo, que nos deixam com os lábios sumptuosos, carnudos, a valer um milhão de euros.


E porque há produtos que merecem todos os elogios, esta é, sem dúvida, uma das minhas fórmulas favoritas de batons. É cremoso e hidratante quanto baste, sem deixar os lábios colantes, e tem uma duração absolutamente fantástica, sem ser mate, textura que me incomoda normalmente (com a excepção de alguns, entre os quais outro primo da Guerlain, prenda muito estimada da A.). O tom aguenta horas; permanece mesmo depois de refeições ligeiras e bastante água, perdendo apenas o brilho mas deixando os lábios bastante confortáveis e com uma sensação de nutrição que poucos me dão. Depois de aplicado e assim que assenta nos lábios, é baton para não se mexer, o que é sempre essencial em tons do género (já me aconteceu, passada meia hora com um baton vivo e muito vento, ter riscos coloridos na cara... bastante, bastante desagradável).

Enfim, e posta toda esta exaltação, este baton dá-me vontade de sair de lábios vermelhos todos os dias de casa, não fosse eu pessoa de me chatear com rotinas. Aproveitem, é limitado, e podem comprar não apenas nas perfumarias do costume (mesmo as P&C ou Balveras que não têm Guerlain podem mandar vir de outra que venda a marca) ou online. Eu comprei-o na Primor com uma excelente promoção a cerca de 25 euros, mas a indicação actual é que está sem stock. Talvez regresse, embora o facto de ser da edição limitada de Verão me faça acreditar no contrário. Contudo, ele ainda anda por aí, e é uma excelente prenda de Natal, para vocês mesmas, ou para alguém que goste de bons produtos, com qualidade e requinte.

E que tal deixarem-se levar pela ousadia do vermelho, nos lábios, e saírem dos corriqueiros tons neutros de boca? Atrevem-se? ;)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Produtos acabados e Impressões Flash # 4

Apesar de estar numa onda de usar os produtos até terminar (ou pelo menos até decidir que não os consigo usar de todo e que precisarão de conhecer alguma casa onde possam ser mais úteis que aqui), a verdade é que a velocidade com que tenho frascos vazios suficientes para um post inteiro não é das mais céleres. Por isso, sem compromisso temporal, nem datas específicas, vou continuando a mostrar o que consegue chegar ao fim num determinado período, seja ele qual for, sem vos poder prometer uma periocidade constante. Entretanto, e para não estar a acumular sacos de carcaças em casa, apresento-vos alguns que finalmente terminei, alguns dos quais já nem sei quando comecei a usar, uma vez que, pelas viagens feitas este ano, têm sido interrompidos frequentemente. 


Começando pelos produtos relacionados com cuidados do rosto ou maquilhagem, duas embalagens vazias e duas amostras são o balanço do momento. Vamos a isso.

Sephora Daily Makeup Brush Cleaner - Não sou muito versada em produtos de limpeza de pincéis e, fora um velhinho da Contém 1g, que decidiu rebelar-se e começar a estragar as cerdas, este é francamente o único que conheço do género (para uma limpeza profunda uso o champô da Johnson's). De qualquer modo, julgo que, para o que é, me serviu bem. Usei-o para aquelas limpezas diárias, rápidas, depois de me maquilhar, para não ficar com os pincéis sujos, mesmo que vá usar a mesma base no dia seguinte. Apesar de não deixar as cerdas brancas imaculadas (isso, só com a lavagem profunda), higieniza pelo menos os pincéis e retira a maioria da cor, para não estragar a maquilhagem seguinte, nem ser um depósito de porcaria a espalhar pela pele. Contudo, gasta-se relativamente rápido, dado que são necessárias pelo menos umas quatro esguichadelas e neste formato pequeno, perfeito para viagens, mas chato para um uso diário, temos produto para relativamente pouco tempo. 

Creme diário Clarins Multi-Active Jour - Usei este creme até ao final e, como creme de prevenção de rugas, honestamente, não sei até que ponto lhe posso tecer grandes elogios. Não vi grandes diferenças, até porque, excluindo a região dos olhos, não tenho grandes problemas. Como creme hidratante de dia deixou-me bastante satisfeita. Gostei do aroma, de como sinto a pele confortável, apaziguada (o que não é fácil por ser extremamente sensível e reagir com uma vermelhidão nas maçãs do rosto a vários produtos) e com um grão de facto mais homogéneo e alisado. É rapidamente absorvido, deixando a pele nutrida ao longo do dia, nada colante, mesmo sendo em versão creme e a minha pele ser normal a mista. Não fosse a minha vontade de experimentar novos produtos, agora que os trinta já passaram, à procura de um melhor e mais completo, e ficaria contente se tivesse de comprar este creme novamente. Como a oferta é imensa, ainda por descobrir, e como ainda não me convenceu totalmente, continuo a busca pelo creme hidratante facial diário que me satisfaça por completo. 

Base Teint Miracle Lancôme - Recebi esta amostra há algum tempo, mas só agora, que ando à procura de uma base que me encha as medidas, decidi usá-la. Para ser honesta, foi o teste mais rápido que alguma vez fiz; Não gostei da textura, nem do tom, nem de como assentou de forma vergonhosa em algumas regiões mais secas (e atenção, não tenho uma pele seca) e, em meia hora, como me deixou a pele desconfortável e com alguma escamação de secura. Passada uma hora, ainda em casa, senti-me obrigada a retirá-la rapidamente com um desmaquilhante e água micelar e a repor o nível de hidratação da pele. Dei por mim aliviada por não ter decidido experimentá-la em algum dia em que fosse sair de casa a seguir, nem imagino os estragos na minha pele se ta acontecesse. 

Base Lingerie de Peau Guerlain - Ao contrário da anterior, esta é uma base que me agradou bastante. É confortável, fica invisível na pele, sem a deixar seca ou demasiado colante. É uma base absolutamente fantástica e, não fosse o meu tom ideal algo entre o 03 e o 04, sendo que, para o atingir, teria de comprar os dois e misturá-los no Inverno português, já me teria deixado levar por ela há algum tempo, para ter mais tempo para a testar. Julgo que, de todos os produtos faciais da Guerlain ainda não houve um que me tivesse desiludido. Esta mantém, sem qualquer dúvida, os padrões de qualidade da marca.  



E agora os produtos de banho que não os que mais se gastam cá em casa:

Gel de Duche Dove Deeply Nourishing - Já falei dele noutro post e continua no topo dos meus produtos de banho favoritos, pela hidratação que dá à minha pele. No Inverno, não há melhor. 

Gel de Duche Yves Rocher Vanille CollectOR - Comprei este gel de duche no Natal passado e, regressada à casa portuguesa, terminei-o. Veio morar cá para casa mais porque gosto muito destes aromas quentes no Inverno, além de ter um glitter que discretamente (muuito discretamente) acaricia a pele. Gosto de glitter subtil na pele, à noite, confesso. Não é dos mais hidratantes mas, intercalando-o com o da Dove, serve perfeitamente.  

Gel de Duche Brazilian Nut The Body Shop - Se não o usasse como dupla de um dos meus exfoliantes favoritos, da mesma gama, dificilmente voltaria a comprar este gel de duche. Não é dos mais hidratantes e, especialmente para o final, era extremamente difícil tirar o produto do frasco. No banho quero algo mais rápido, simples e fácil de usar, não de estar a lutar, logo de manhã, com uma das embalagens mais duras e rijas que alguma vez tive. Estou inclusivamente a ponderar experimentar outros exfoliantes, para não me sentir presa a este gel de duche. 

Champô Bain de Force Kérastase - Gosto da Kérastase como marca de topo para o meu cabelo. Já experimentei e continuo a experimentar várias gamas, para vários efeitos, sempre intercalados pelo Dermo-vital, que me apazigua o couro cabeludo, mas não me faz nada de especial pelos fios. Este Bain de Force veio para fortalecer o meu cabelo fino e, apesar de discretas, foram promessas cumpridas. Para um cabelo comprido é muito bom, porque dá elasticidade ao cabelo ao mesmo tempo que o nutre, para agora, que tenho o cabelo menor, estou a experimentar outros, menos pesados. 

Champô Denso e Abundante Fructis Garnier - Uma amiga minha adora a gama Fructis e, por causa dela, já experimentei vários champôs da mesma linha. Este foi dos que mais me surpreendeu por prometer um cabelo mais denso e abundante logo na primeira lavagem. Admito que gostei bastante do volume que me deu, apenas com uma utilização, ao ponto de o ter comprado para aqueles dias em que quero um va-va-voom, mas nada mais do que isso, que os champôs da Fructis, até agora sem excepção, me irritam o couro cabeludo se usados diariamente. Se não são dados a grandes comichões e querem um cabelo com aparência mais densa (que pela rapidez nos resultados presumo que seja coisa superficial e não um tratamento profundo), julgo que vão gostar deste champô.

Com um saco para despejar e outro pronto para começar a encher, fica mais um post cheio de embalagens vazias. Confesso que gosto bastante desta sensação boa de ter levado um produto até ao fim, justificando perfeitamente toda a emoção de abrir um novo sem culpa ou reticências por ter vinte embalagens em espera, com apenas restinhos no fundo. Vou continuar firme nesta minha demanda em 2015.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O mimo do momento #1 - The Dolce Vita, Charlotte Tilbury


Há coisas tão maravilhosas que, mesmo antes de serem devidamente usadas, apreciadas, analisadas e adoradas (quem sabe?!) devem aparecer na luz da ribalta sem pudor nem humildade. É o caso da minha primeira e mais recente compra no Net-a-Porter, site com artigos fantásticos, no qual se pode perder um bolso muito mais fundo que o meu. Além da roupa e todos os acessórios que nos podem deslumbrar, tem ainda marcas de beleza que não encontramos no mercado nacional, como a Charlotte Tilbury que, não me parecendo os preços dos produtos em si excessivos para a qualidade que advogam, se tornam um nadinha mais inacessíveis pelos comuns 15 € de portes. 

Contudo, numa promoção (que acabou ontem) de envio gratuito, e não tendo ainda comprado as prendas de aniversário (que foi num Outubro sem ideias ou vontades) de toda a gente, lá me deixei seduzir pela charmosa paleta The Dolce Vita (48€), uma homenagem atraente "às sereias do ecrã, às estrelas passadas e presentes; a Sophia Loren, Penélope Cruz ou Monica Belluci", belezas do Mediterrâneo que vivem "as vidas mais doces e combinam melhor com tons de bronze e cobre quentes, lábios rosa sedutores e muitos, muitos admiradores." Não é uma paleta que vá usar no dia a dia, quando a minha preferência recai para os castanhos mates da Rue de Francs Bourgeois da Guerlain, mas para um jantar, para qualquer evento mais festivo são acetinados e brilhos que me assentarão que nem uma luva, tanto na versão day look, como na night look, as duas propostas da maquilhadora-mãe da marca. Por mim teria comprado o look todo, confesso, mas na falta de 200€ (que não é muito pela quantidade de produtos que traz!), vale a paleta e adapta-se o resto como se pode.

Passando então a primeira fase de admiração pela caixa fantástica de oferta que a Net-a-Porter envia, tal qual criança pequena que se entusiasma demasiado com o embrulho, ao ponto de perder o foco no conteúdo em si (não se esqueçam de clicar na opção, no checkout para a receber gratuitamente), foi assim com muita emoção que abri, cuidadosamente, a minha Dolce Vita, que terá lugar de destaque nestas festas. Volto com mais detalhes assim que passar este meu fervor de a testar de várias formas e feitios, sim? Entretanto, fiquemo-nos pela contemplação das cores, da elegância das caixas, do fascínio que é receber uma prenda (mesmo que saibamos à partida o que é). 


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Biscoitos digestivos

por Carol Vannier

Acho que a discussão dos anglófonos sobre cookies ou biscuits deve ser parecida com a velha discussão entre cariocas e paulistas sobre biscoitos ou bolachas. Como esse é de origem britânica acaba sendo mais frequentemente chamado de digestive biscuits (a Wikipédia em PT não tem uma entrada para eles...), mesmo por americanos. E pra mim é bixcoito mermo.

Não ssei muito sobre a história desses biscoitos, e só vim a conhecê-los porque praticamente toda receita inglesa de cheesecake pede por eles para formar a base. Aqui usamos nosso indefectível biscoito maisena para isso, mas quando quis fazer uma cheesecake na França, acabei finalmente matando minha curiosidade sobre eles. E descobri que além de fazerem uma base de cheesecake ótima, são uma delícia puros, principalmente a versão com chocolate por cima.

Aliás, essa estada na França me iniciou e viciou em biscoitos com chocolate por cima. Além do Digestive, eu era uma grande consumidora do Petit Écolier (ou as versões mais baratas das marcas do mercado). Esse é um biscoito bem mais simples, mais parecido com o nosso maisena mesmo, mas com uma camada generosa de chocolate por cima, quase um bloquinho. No nosso clima tropical é difícil achar esse tipo de biscoito, e se existisse, o chocolate teria que ter gordura hidrogenada pra não virar sopa dentro do pacote. Mas quem tem chocolate bom em casa não se aperta. Compre ou faça seu biscoito favorito, e cubra de chocolate você mesmo!

A receita que eu fiz é uma variação da original, e eu a escolhi porque, além de adorar os biscoitos digestivos, queria gastar uma farinha de espelta que estava ficando velha aqui na despensa. Como a espelta nada mais é que um primo do trigo, acredito que a receite fique boa substituindo-se farinha de trigo integral no lugar da de espelta integral. Os biscoitos originais não levam espelta nem aveia como esses que eu fiz, mas sim farinha de trigo, farelo de trigo e extrato de malte, o que também é uma boa idéia para quem quiser experimentar. Mas apesar das diferenças, essa receita me fez lembrar bastante dos biscoitos que eu comi na França, e iguais ou não, ficaram bem gostosos!



BISCOITOS DIGESTIVOS DE ESPELTA E AVEIA
do Serious Eats - rende aprox. 20 biscoitos

Ingredientes:
100g (1 xíc.) de aveia inteira - ela vai ser triturada, então deve poder ser trocada por farelo grosso de aveia. Mas a aveia comprada a granel costuma ser muito mais barata que essas caixinhas... 
80g (1 xíc.) de farinha de espelta integral - pode ser trocada por farinha de trigo integral
80g de manteiga - gelada em cubos
1/2 c. chá de bicarbonato de sódio
30g (1/4 xíc.) de açúcar mascavo
1 c. chá de sal
2 c. sopa de leite integral


Preparo:

  • Num processador bata a farinha de espelta (ou trigo) com a aveia, até triturar a aveia em pedaços menores. Depois adicione a manteiga e bata até parecer uma areia molhada. Depois adicione o bicarbonato, o açúcar e o sal e bata até misturar bem. Por fim adicione o leite e bata até um pouco de liga.
  • Despeje a mistura numa superfície limpa e forme uma bola com a massa, sovando um pouco com a mão caso o processador não tenha conseguido deixar ela bem coesa. Embrulhe a bola de massa em filme de pvc e leve à geladeira por 1 hora ou mais, até 2 dias.
  • Pré-aqueça o forno a 180ºC. Tire a porção de massa que for assar da geladeira e abra numa superfície polvilhada de farinha. Eu tentei abrir com o rolo mas vi que o melhor era ir amassando com o calcanhar da mão mesmo. Amasse até a massa ficar com menos de 1 cm de espessura e corte-a em rodelas de 5 cm de diâmetro ou no tamanho e formato que preferir. Na falta de um cortador oficial, improvise! Latinhas e taças são muito úteis.
  • Arrume os biscoitos num tabuleiro forrado com papel manteiga e asse por aprox. 15 minutos ou até que os biscoitos estejam dourados. 
  • Resfrie os biscoitos imediatamente após saírem do forno. Isso é importante para garantir que fiquem crocantes. Você pode usar aquelas gradinhas que vendem por aí ou a técnica do tabuleiro frio que eu desenvolvi fazendo spéculoos ;) É só ter um tabuleiro frio pronto para receber os biscoitos e um lugar fresquinho pra eles descansarem.

Para cobrir de chocolate:
Derreta aprox. 100g do chocolate da sua preferência em banho maria ou no microondas e espalhe sobre os biscoitos, ou mergulhe-os no chocolate para fazer um efeito meio-a-meio. Coloque para esfriar no freezer ou na geladeira por alguns minutos até o chocolate firmar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Maternidade | Cheques-dentista

Às vezes não nos apercebemos dos pequenos pormenores (que podem não ser assim tão insignificantes) que tornam o que temos como algo a valorizar. O panorama político e económico português está verdadeiramente nas lonas e, de facto, queixas, reclamações, desabafos, críticas são sempre válidas, compreensíveis e legítimas, quando bem justificadas. Mas, acreditem, de alguém que tem experiências noutros sistemas, noutras realidades, há algumas áreas em que nós estamos bem, mesmo que pudéssemos estar melhor, mesmo que não o vejamos, mas que são de facto boas e de elogiar (e não atacar com os normais acessos de raiva assentes em lugares-comuns, em argumentos ocos sem reflexão). 


Cada um tem a sua experiência, mas admito que, depois de ter sido seguida durante os primeiros três meses de gravidez noutro país, voltar para o sistema nacional de saúde foi realmente um alívio, não só pelas questões económicas (afinal, uma gravidez aqui em Portugal pode ser praticamente gratuita, se quisermos), mas também pelo acompanhamento fantástico que tenho tido, tanto no centro de saúde, quanto na maternidade. Mas questões banais à parte, uma das surpresas de aqui estar, que me agradou realmente, foi o cuidado com os dentes nesta fase em que, sem nos apercebermos, a dedicação do nosso corpo à geração do novo ser pode descurar o nosso, nomeadamente no que respeita a boca. Qualquer grávida tem, por isso, direito a, no máximo, três cheques-dentista, incluídos no Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, que pode pedir ao médico de família, que a seguirá todos os meses, e que pode utilizar no seu dentista (pelo que me disseram há convénios com a maioria dos privados).

Nem todas as grávidas têm acesso aos três cheques. No primeiro, é feito um diagnóstico e, se necessário, um primeiro tratamento. Os cheques seguintes são válidos para dois tratamentos curativos por cada cheque, caso o dentista considere necessário o acompanhamento na primeira consulta, na qual fará o plano de tratamento para as consultas seguintes. As consultas podem ser realizadas durante toda a gravidez e até 60 dias depois do parto (cuidado com as datas de validade que estão nos cheques, que indicam até quando os podem usar). Portanto, há tempo suficiente para estarmos atentas às nossas bocas, prevenir e tratar qualquer problema que possa surgir nestes quase 11 meses nos quais temos direito ao acesso a cuidados de saúde oral gratuitos. 

Não há nada de complicado, nem de excessivamente burocrático neste processo. Basta pedirem ao/à vosso/a médico/a de família que vos dê o cheque-dentista (no centro de saúde estão preparados para vos responder às vossas dúvidas, com certeza), a partir do momento em que estão nas consultas pré-natais, e procurarem um dentista que os aceite. A clínica dentária onde vou normalmente, há anos, aceitou sem qualquer hesitação ou questão, pelo que me pareceu algo bastante normal e frequente. Posso, assim, continuar a ser seguida, desta vez gratuitamente, durante a gravidez, pelo meu dentista, que tem acesso ao histórico dentário de uma boca digna dos ficheiros secretos, dados os problemas estranhos que foi tendo ao longo destes anos. Para mim, genial!

Se tiverem outra experiência, podem deixar nos comentários abaixo. Sei que a saúde, infelizmente, também não é igual ao nível nacional. Em Coimbra, pelo menos, estamos bem servidos!

  
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