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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Guerlain | Joli Teint

Reza a história, a contada pelos criadores desta nova fórmula, que, ainda sem nome, várias funcionárias da Guerlain foram convidadas a testar e a opinar sobre a novidade, uma base, leve, com efeito ensolarado. Com o cheirinho típico da gama Terracotta, o produto prometia uma pele mais luminosa e bonita, para acompanhar a transição de uma pele cinzenta, do Inverno, para o bronzeado (bonito e sempre com protector), do Verão. No final, sem sugestões concretas de nomes, o que a amostra em teste mais gostava era do joli teint/ tom bonito com que o produto deixava a pele. E, dos elogios tecidos, surgiu o nome daquela que seria uma das grandes novidades da famosa linha estival da Guerlain, que completa este ano 30 anos, anunciando o fim do frio e o regresso aos dias de Sol (Ferreros acabam, Terracotta regressa, acho que até fico a ganhar nesta troca). 


Passemos ao produto em si, que é, afinal, o que suscita mais curiosidade. O Joli Teint existe em cinco tons, do mais claro, o Light, ao mais escuro, o Ebony. Eu, que sou no Inverno um NC20 da MAC (para o caso de conseguirem entender a referência), mas que com dois dias de sol passo rapidamente para o NC25, comprei o Natural, que é o que melhor serve de transição, sabendo de antemão que viria para o Rio e que, aqui, o Light tornar-se-ia, rapidamente, demasiado claro. Qualquer um dos tons desta fórmula é mais quente e escuro do que outras bases da marca, nomeadamente a Parure ou a Lingerie de Peau, que são as que conheço melhor. Quem não gosta deste toque "bronzeado", de um ou dois dias de Sol, vai detestar este produto. Se forem realmente muito brancas ou tiverem um subtom mais frio, não sei até que ponto vos assentará bem, mas não custa nada pedir uma amostra e ver, ao vivo, em vocês, o efeito que dá. 

O cheirinho, com toque de flor de tiaré, é o típico da Terracotta, adorado por muitos (incluindo a minha pessoa) e detestado por tantos outros, que o acham "antigo", forte, "de velha" (como eu abomino esta expressão e argumento), etc. Na realidade, é algo que marca os produtos Terracotta e ou se gosta, ou não, dado que não é nem suave, nem desaparece num instante. No fim do dia, ainda consigo sentir o aroma, bastante agradável, para mim, seja neste Joli Teint, quanto dos protectores, e até no exfoliante, que estou agora a testar (embora em menor intensidade). 


Postas as impressões iniciais, partamos para a observação atenta da textura e considerações ao longo de um dia de uso (num clima mais seco e outro mais húmido, que demorei a escrever este post para ter a certeza de como se portaria com humidade no ar). De cobertura ligeira, mas eficaz a camuflar vermelhidões e pequenas imperfeições (que são os meus maiores problemas), o Joli Teint quase que se funde com a pele, deixando-a respirar, o que é importantíssimo nos dias mais quentes, sem pesar e sem acumular. Embora a duração do produto, sem desvanecer, tenha sido superior em França, onde aguentou, sem pó, durante um dia inteiro de passeio (umas sete, oito horas), no Brasil acompanho-o sempre com o bronzer 4 Seasons (o meu é o 01 Blondes, dos primeiros que saíram, e é mate), para se portar com a mesma dignidade e perseverança. Sozinho, começa a cansar-se da função com umas cinco horas, quando a humidade é mais intensa, precisando de um pó matificante ou um blotting paper por cima. 

Tem tendência para escurecer em contacto com a pele, passada uma meia hora, ficando assim o dia inteiro. A luminosidade também difere; parecendo mate assim que se aplica, vai ganhando luz com o dia, ficando com um ar aveludado e radiante (nunca mais do que isto, nunca brilhante como se os poros se estivessem a revoltar). Aconselhar-vos-ia, por isso, como eu fiz, de testar o produto primeiro numa loja, sair com ele à rua, passear e só comprar se assentar realmente ao vosso tom de pele (do rosto e do pescoço, não se esqueçam).  

Como tem protecção solar, não será, provavelmente, a melhor hipótese para momentos especiais, onde haja muitos flashes fotográficos à volta. Não vou testar, confesso, mas não arriscaria a ficar com alguma parte do rosto branca, especialmente nas fotos nocturnas. Por esquecimento, não removi com desmaquilhante um produto com SPF 50, para a minha despedida de solteira, e pareço um fantasma em todas as fotos. 


Por último, mas não o menos importante que os meus olhos também "comem"  muito, a embalagem é perfeita para viagens, não fosse este um produto para o Verão. Um produto de qualidade, uma base com alguma cobertura que oferece protecção, numa bisnaga (amiga do viajante), com um doseador para retirar o produto, permitindo um uso mais limpo (eu sou terrível com aberturas grandes, deixo tudo completamente sujo) e adequado e sem deixar o produto oxidar. Com um toque macio de um plástico baço, um grande sol dourado e o monograma da Guerlain marcado na tampa, do castanho brilhante comum da linha Terracotta, alia a praticidade das férias, com a elegância de uma das casas de cosméticos, para mim, com mais glamour.

As melhores lojas, ao nível de preço, para comprar Guerlain em Portugal são, para mim, a Balvera e a Perfumes & Companhia, em épocas de promoções. Contudo, se nenhuma for acessível, podem sempre encontrar o Joli Teint na Feelunique, com envio internacional grátis, por 44,85 € /ca R$138. Não é barato, mas é, de facto bom e bonito.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Amores de Verão # 1

Já partilhei mais do que uma vez aqui pela Salinha que, na mesma medida em que a maquilhagem da Primavera não me costuma entusiasmar muito, a de Verão arrebata-me sempre. Desde logo, os pós Terracotta da Guerlain que saem a cada ano são absolutamente fantásticos (de bonitos e bons), depois, sem grande esforço, há sempre um ou outro artigo, de variadíssimas marcas (para mal dos meus pecados), que me atraem. E o meu coração é grande. Muito grande.

Decidi mostrar-vos, assim numa escolha rápida e sem ponderar muito, alguns dos produtos que iriam para uma lista de desejos imediata (e vão para uma lista, mas para a utópica, apenas). Por mim experimentaria tudo, especialmente aqui, nesta terra mais quente, de bronzeado, mar azul transparente e muita fruta colorida.


1. Chanel Les Beiges Healthy Glow Powder, para uma luz natural, com blush, iluminador e bronzer (porque tenho de um dia matar esta minha teima com os Les Beiges, com os quais fiquei decepcionada quando uma conselheira da marca disse que não havia o meu tom. Refeito o susto e esclarecida a questão -- a ignorância da senhora, nomeadamente -- quero um dia destes comprar um pó destes, nesta versão e/ou do pó original)

2. MAC Colecção Maleficent  (gosto de produtos de edições limitadas, especialmente quando tocam o meu lado mais afectuoso. Desde sempre que sempre gostei muito das vilãs da Disney -- sempre pouco compreendidas pela sociedade -- e, pelo trailer, quero algo que marque uma das melhores caracterizações da Angelina Jolie, que está esteticamente bestial -- que não posso comentar a prestação -- como a vilã do Maleficent)

3. Guerlain Terracotta Sun Celebration (não preciso de dizer muito, vejamos esta equação simples: Guerlain + Sol -- o meu símbolo desde a pré-primária -- + duo bronzer/blush + edição limitada + comemoração dos trinta anos da linha -- a minha idade -- + a minha vontade de o ter = amor à primeira vista! E já agora podia também vir o perfume Terracotta que também lhe daria conveniente carinho.)

4. Guerlain Rouge G Rose Grenat (no Verão, adoro lábios divertidos com quase nada na pele e nos olhos. Este tom parece-me maravilhoso para esse fim. Vir numa embalagem requintada de edição limitada é "só" mais um bónus de peso.)  

5. Yves Saint Laurent Finishing Veil (agora, que estou a dar cada vez mais importância a pós de acabamento e produtos que dão aquele toque final para um aspecto natural e duradouro, eis um "véu" que me deixou muitíssimo curiosa. Mais pela novidade, na marca, fica aqui na lista de desejos utópicos.)

6. Clarins Colour of Brazil paleta de olhos  (não imaginam o que me chateia as marcas inspirarem -se precisamente no país onde estou e eu não ter acesso, aqui, às colecções. As que chegam são, na maior parte dos casos, a um assombro de preço. Mas enfim. Gosto das cores desta paleta e o azul intriga-me imenso. Gostaria de poder dizer que estrearia, com ela, no Brasil, a minha relação com as sombras da Clarins, mas, pelos vistos, dificilmente será desta. Se a virem por aí por Portugal -- já deve ter chegado, ou deve estar a chegar às P&C ou às Balveras do país -- digam-me lá de vossa justiça, o que acharam delas, por favor. Obrigadinhas!)

7. Tom Ford paleta olhos e rosto (ora aqui está uma paleta que eu acolheria de braços abertos e colocaria num lugar cativo, e de destaque, na colecção. Paremos uns segundos a observar a elegância da embalagem, o design retro-chic e a beleza das cores. Isto, senhoras e senhores, é uma paleta a amar. Não tenho, infelizmente, nada da marca, mas já pus os dedos nas sombras em algumas paletas, no Printemps Haussman, Paris, e ouvi maravilhas, da A. do Coisas & Cenas -- há que acreditar, há que acreditar --, portanto, fosse possível, era minha com toda a confiança.)

8. Yves Saint Laurent Babydoll Kiss & Blush (tenho um fascínio pelos produtos que dão para mais do que um fim, especialmente pela praticidade em épocas de viagens curtas, que têm sido frequentes. Já adoro os Glossy Stains, da YSL, portanto traria toda contente para casa uma destas novidades, sem pestanejar, mesmo sendo numa textura, em mousse, completamente diferente. Difícil seria escolher apenas uma das 12 cores disponíveis.) 

9. Bobbi Brown Raw Sugar verniz/esmalte (porque adorei o tom, para o Verão ou qualquer altura do ano, e gostaria de experimentar a marca. Apenas isso, sem grandes mistérios ou histórias por detrás.)

10. Sephora 10 Shades of Samba Set de Eyeliners (vejamos; eyeliners à prova de água bem recomendados pela Christine do Temptalia, com cores giríssimas, um nome que me diz muito -- gosto de sambar, mal ou bem, o que for, desde que comecei a mexer os pés e abanar o rabiosque -- e com uma boa relação preço/qualidade, tornam muito aliciante a compra deste kit. Não sei quando chegará -- nem se já chegou -- à Europa, mas já está na Sephora dos Estados Unidos, por $40 -- $4 por lápis! -- caso façam uma viagem até lá.)

11. Chanel Tutti Frutti verniz/esmalte (mais uma vez, porque acho o tom divertido e ainda não experimentei os vernizes da marca -- há coisas incríveis, não há?!.)

12. Make Up Forever Aquamatic Iridescent Lime Green (depois da decepção com a paleta Tango -- que me chegou duas vezes seca às mãos -- queria dar mais uma hipótese à linha aquamatic para me surpreender. Este lima, por mais flashy que pareça, ficaria fantástico com uma pele bronzeada. Sozinho, dá o brilho e a diversão estival que, para, mim, deve estar presente na maquilhagem desta altura. Os tons frios ficam para o frio, ou para dias mais sóbrios, os vibrantes saem da bolsa de maquilhagem. )

Ai, ai... Se a minha bolsa não tivesse fundo, e um duende fazedor de notinhas lá vivesse feliz e contente (porque não somos adeptos do trabalho forçado, por estes lados)... Voltemos à realidade. O Sol alegra-me, talvez por isso adore os tons vivos, quentes, brilhantes, exuberantes, de algumas colecções. Daqui a um mês, provavelmente escolheria mais uns quantos produtos para desejar ardentemente, outros, no mundo ideal, já estariam a caminho. (Realidade, Margarida, disseste realidade!)

Para quem gosta de ver as fotos das novidades, tenho compilado todas as colecções que vou vendo por aí num separador no Pinterest da Salinha. Dêem por lá uma vista de olhos e digam lá, de vossa justiça, o que viria morar convosco das colecções de Verão 2014? 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Produtos acabados e Impressões-Flash # 3


Termino esta minha leva (por agora) de produtos acabados com os três que ficaram pelos Estados Unidos. Dois porque tinham acabado, um porque nem valia a pena trazê-lo comigo no regresso, com malas cheias e o espectro (constante das nossas viagens) do excesso de peso. 

Phytojoba Champô para cabelos secos e PhytoBaume Condicionador Hidratante - Junto os dois produtos da Phyto num parágrafo só e perdoem-me a insistência, que já falei sobre outros, da marca, e mantenho a minha opinião, mas a Phyto não me convenceu. Nem um pouco. Este duo veio num kit de viagem que comprei na Citypharma, numa primeira ida frenética até àquela que é "a" farmácia francesa a visitar, e que julguei ser muito útil para levar para Nova Iorque. Com um clima ainda mais seco do que o francês, naquela altura do ano, daria, portanto, ao meu cabelo (na altura ainda longo), a hidratação que ele precisava. Mas fosse o mundo como ele é na minha cabeça, no meu raciocínio lógico ao interpretar rótulos e promessas (seja de produtos ou pessoas) e a coisa até teria corrido bem. A realidade é que, apesar de o champô até ter servido convenientemente, apenas com o pequeno senão, que já notei no outro, de parecer que vem muito pouco produto em cada frasco (ou que se gasta demasiado rápido, vá-se lá perceber), o condicionador não me satisfez minimamente. Servirá para uma hidratação suave de um cabelo normal, mas acredito que não para um cabelo seco a precisar realmente de algo mais. Não cumpre (ou não cumpriu, que o meu cabelo pode ser mais picuinhas) a sua função para pontas secas, de forma alguma. Perdoe-me a Phyto, da qual sei que há pessoas que gostam muito, mas, com quatro tiros na água, parece-me que não irei arriscar a comprar mais nenhum produto, para continuar a decepcionar-me. Não sou mulher de desistências, e acredito em novas tentativas quando a promessa de mudança é sincera, mas, assim, não me parece. 

Eucerin Volume-Filler Creme hidratante pele seca -  Mais uma vez, não é com uma amostra que posso tecer um comentário profundo e longamente fundamentado sobre um produto deste género. Repito que a minha pele deve ser mais lenta do que outras na resposta concreta a determinados produtos, que eu tenho dificuldade em avaliar todas as características com pouco tempo de relação. Sou menina de coisas mais sérias, compromissos mais longos, especialmente quando as promessas são muitas e apenas comprováveis com o tempo. No entanto, o Eucerin foi como SOS caso a minha pele, mista, mas que já secava em França, reagisse ao clima de forma ainda mais agressiva, como acontecerá com amigas. E agradeci sincera e ardentemente a existência desta amostra (de onde quer que tenha vindo... terá sido da Citypharma? hmmm), que usei como creme de dia, durante uns cinco dias e que foi a minha salvação. A minha pele, que não aguentou a recepção gélida de Nova Iorque, viu-se mais macia, radiante (tanto quanto seria possível depois da secura), e elástica. Aquela sensação desagradável de pele a repuxar atenuou e senti-a, de facto, mais resistente ao vento seco do dia. Infelizmente, a amostra não aguentou todos os dias que por lá ficámos (o que comprovou a sua eficácia, comparando com o estado da pele na sua ausência), mas um óleo de maracujá da Tarte e Tinted Moisturizers da Laura Mercier por cima de um hidratante menos potente ajudaram a que os últimos dias não fossem tão tenebrosos para a minha cútis. Claro que, em tão poucas utilizações, foi impossível avaliar as características anti-idade do produto. Acredito que a Eucerin seja uma marca fácil de encontrar, tanto em Portugal, onde encontrei o Volume Filler a 29,95 €, como no Brasil. A Cocooncenter (obrigada pela lembrança, A.) vende-o a 24,95€, com portes gratuitos para Portugal a partir de 99 € em compras, e com envio para o Brasil (interessante se se juntar um grupo de amigar e dividir os 32€ de envio). Se souberem outros lugares onde comprar produtos da marca a preços fantásticos, partilhem por favor connosco nos comentários. Obrigada. 

Rápido e directo, lá foi o meu último post (nos próximos tempos), sobre produtos acabados. Talvez daqui a uns dois meses já tenha algo  para vos mostrar, mas entretanto seguem-se provas e testes num clima totalmente diferente daquilo ao que estou habituada. Assim que tiver uma opinião consolidada, mostro-vos algumas das minhas salvações contra a humidade. 

Devaneios | Carta à Solidão *


Ainda ontem te vi passar no olhar da senhora que todas as quartas traz o pão quente, caseiro, que vende porta a porta para aconchegar a parca reforma de uma vida de mulher, dependente do marido. Não estava de preto, não tinha lenço à cabeça, mas a tua presença nos olhos cinzentos, mais baços do que vidro no Inverno, afastava qualquer comentário ou dúvida sobre a dor daquele ser franzino. Movia-se lentamente, como um filme antigo em slow motion, arrastando com ela o teu peso naquela existência, escurecida pelo dia em que te encontrou, escondida numa esquina perdida na cidade, inesperada. Antes de ti, a vida era fácil, e calma. Vivia preenchida entre as refeições que preparava numa casa de cinco, e os afazeres de um lar cheio de murmúrios suaves, conversas diárias e gargalhadas loucas, daqueles que olhava com orgulho. Agora tem-te a ti. 

Mostraste-me então que hoje, mais do que nunca, acompanhas os passos daqueles que, afastados por uma força que os transcende, se cruzam comigo com os olhos opacos, alheados do mundo, preenchendo contigo a falta de alguém, ou de algo. És uma presença cruel, para quem não souber de ti tirar proveito, capaz de mergulhar a maior felicidade num poço de pensamentos sombrios, e loucos. Questiono por momentos a tua vontade de brincar com aqueles que se completam, atirando-os para lutas distantes, separados, obrigando-os a aguentarem o sabor amargo que deixas nos lábios secos, de tão sós se encontram, e a inércia de umas mãos que não podem mais tocar o calor, outrora vital. Mais eficácia te reconheço quando, no meio de uma multidão, te encontro, mesmo ao meu lado, apagando uma a uma as faces que rodeiam alguém, de sorriso forçado, ou ruga vincada na testa, quase imperceptível, marca de um rosto que não deixas relaxar, que não libertas. Naquele que no café brinca com o copo, ou finge que lê a página do jornal, durante minutos longos a mesma, tentando esconder-te bem fundo na sua alma, para que ninguém se aperceba que lá estás. Mas um olhar atento vê-te claramente, impune, perante a dor constante de muitos dos que passam, sem tocar, todos os dias.

Manhãs há em que te encontro ao espelho, ao reprimir as palavras que ficam por dizer ou as brincadeiras que se perdem no passar do tempo contigo ou os beijos matinais perfeitos, que procuro em vão, de olhos fechados, num misto de sonho e realidade. Fito-te tranquilamente, sei como te encarar, e converso contigo, sem que me ouças, deixando o sorriso atenuar as arestas afiadas que vão aparecendo na tua forma, e a que outros ferem tão profundamente. Fazes parte da minha rotina, acompanhando-me lado a lado, não me subjugas a uma existência vazia, de mera sobrevivência num mundo que vais dominando. E, por vezes, até a minha página de jornal se torna demasiado longa, e a notícia demasiado distante do meu pensamento, que voa para lugares onde não posso estar. Mas sei que és efémera e, como tudo, um dia, desvanecerás.


* texto revisitado; direitos foto: M.L./Salinha de Estar

sábado, 26 de abril de 2014

Nova Iorque | Compras para os pezinhos

A sensação que tenho, quando falo de Nova Iorque, é que me inebrio de tal forma com o sentimento de saudade da minha alma nova-iorquina, que as palavras são muito escassas e francamente pequenas, engolidas por algo que se sente, e que não se conseguirá explicar. Queria voltar amanhã, depois, e até morar uma temporada na cidade feita à minha medida, tanto de eclética quanto de frenética, com uma pitada de bairrismo próximo, em comunidades que se entre-ajudam. Queria conhecê-la melhor, vê-la de perto, seduzi-la para que me tornasse um bocadinho dela. Tomara que pudéssemos, na nossa vida, só uma, fazer tudo o que desejamos ardentemente e nos completa *suspiro*.

Caindo na realidade, deixando para trás a tentativa vazia de partilhar convosco o meu sangue nómada, que cresce no caminho, e não prendendo raízes ao chão,  decidi que, talvez mais útil do que lerem os meus devaneios, seria a partilha de algumas lojas interessantes e excelentes negócios feitos por lá. Confesso que o meu foco principal estava, como boa fã do Sexo e a Cidade, em sapatos e, como não poderia deixar de ser, cosmética (sobre a qual falarei noutro post), pelo que não me irão ver a falar de roupa, que não quero induzir ninguém em erro dissertando sobre experiências que não tive. Acreditem, não é muito o meu estilo. 

Crente que os preços de sapatos bons seriam sempre mais convidativos do que os europeus, deixei as compras para os pezinhos que necessitava para Nova Iorque. A lista era simples: sabrinas, sandálias de festa e sapatilhas.  Esqueci-me apenas de um pormenor, no mínimo fundamental; os pés americanos são consideravelmente maiores que os meus, pelo que mesmo o tamanho mais pequeno de mulher, o 5, era, em muitos casos, demasiado grande. Deixei de encontrar sapatos? Não, de facto não. Mas tive de ir com a mente bastante aberta e aproveitar o que havia, sem me fixar em tons e/ou modelos. Estou extremamente satisfeita com o que trouxe. Mas sei que, se fosse mais obstinada, viria de mãos a abanar. 


Mas comecemos por ordem de compra para não vos massacrar demasiado. Ainda em França, antes de ir para NY, decidi estar atenta a promoções e ofertas fantásticas, que ia encontrando pelo Retail Me Not, já que poderia enviar as compras para casa da amiga que me acolheu. Foi assim que vieram aquelas que são, a partir de agora, as minhas sandálias de festa. Todas em pele, de um dourado mais discreto nos pés do que parece, confortáveis e elegantes, encontrei-as no site oficial da Ralph Lauren a 23 euros, em promoção de 80% por causa do Dia do Presidente, no meu tamanho. Claro que este foi um golpe de sorte mas, se querem uma sugestão, quando tiverem a viagem marcada, perguntem ao vosso hotel, ou a algum amigo, se podem receber as encomendas e estejam atentos a promoções. Há ofertas inimagináveis. 

No primeiro dia, mais por causa do meu companheiro de viagem, (compras para homens nos Estados Unidos são de aproveitar e muito), fomos logo ao Jersey Gardens, um outlet enorme, fantástico, cheio de lojas de marcas de qualidade e bons artigos muito mais baratos. Não vos vou mentir, há muitas coisas que não são propriamente "baratas", são é "mais baratas" do que na Europa (por exemplo, uma mala de 300 euros da Michael Kors pode custar lá 150, mas, no entanto, é preciso estar-se disposto a dar esse valor por uma peça. Quem diz esta, diz outra qualquer. Vi lá um vestido da Prada, na Nordstrom desse outlet, que eram 1200 dólares a metade do preço; mas 600 dólares não se dão assim). Embora em New Jersey, muito pouco prático para quem fica em NY, é um lugar a pensar visitar, durante um dia inteiro, com uma mala de viagem vazia, se querem investir em artigos mais luxuosos. Depois de oportunidades perdidas de preços fenomenais na Calvin Klein, na Guess ou na Tommy Hilfiger (entre outras, de desporto), por não haver o meu número, consegui comprar umas Converse All Star menta a cerca de 20 euros, na secção de criança. 

A caminho da downtown, especificamente da Trinity Church, onde, à uma da tarde de todas as segundas-feiras há um mini-concerto com músicas de Bach, gratuito, esbarrámos com a Century 21, a loja na qual a Carrie Bradshaw desgraça o primeiro salário como colunista. Com as marcas mais fantásticas que podemos encontrar, desde Manolo Blahnik, a Calvin Klein, Fendi, Guess, Michael Kors, Moschino, Kate Spade, Prada, Dsquared2, passando pela alta-costura de designers italianos, a C21 é um verdadeiro "templo do consumo", onde podemos comprar roupa para todas as ocasiões, acessórios, cosmética (sem desconto) e sapatos. Muitos sapatos. Quase tudo com 60% de redução. Agora, um pequeno, importante, senão; se tiverem um tamanho de pés dos mais comuns, entre 37-39, poderão ter sorte e muito por onde escolher. Eu não encontrei quase nada; mais uma vez o que havia era demasiado grande, ou caro, e saí apenas com uma carteira em pele, azul, pequena, que me durará com certeza anos, do Vince Camuto. 

Já convicta de que não ia encontrar sapatilhas nem uns sapatos casuais, mas bonitos, fui à Nordstrom Rack, o outlet da loja, na Union Square, em busca da parte de cosméticos. Com uns pads da Neutrogena a 50% de desconto na mão, a caminho das caixas, encontrei as filas dos sapatos em promoção. As caixas muito bem organizadas, por tamanhos, dispostas em ordem crescente e da sapatilha informal para o mais sapato mais formal, foi a minha maior perdição. Não vale minimamente a pena procurar outros modelos, noutros tamanhos, porque o que está à vista é o que há. Mas o que há, já nos enche os olhos de alegria.Todos os pezinhos pequenos tinham, pelo menos, três filas com várias prateleiras de sapatos no tamanho 5 e outras tantas para os 6. Difícil foi escolher só dois pares. De lá trouxe uns mocassins vermelhos da Michael Kors (que combinam com o meu lado fascinado pelo Feiticeiro de Oz), também em pele e ao preço de uns sapatos de algum material sintético das marcas multinacionais que insistem em começar no 36, e uns ténis da Nike a metade do preço que estavam na Macy's e a um terço do das sapatilhas do género em Portugal. Ainda procurei uma gabardine vermelha (sou coerente no meu amor por casacos encarnados, vá), mas em vão, e nem me enfiei pelos corredores e corredores de roupa que por lá encontrei. Admito que não tenho jeito algum para encontrar aquela peça maravilhosa no meio da confusão. Se os artigos não estiverem dispostos de forma a que eu os consiga visualizar, ser-me-á muito difícil (entediante e a roçar o desespero) encontrar algo. Sou menina de saldos, mas não a monte, e agora com o hábito de comprar online o grau de paciência tem decrescido a olhos vistos. 

As minhas compras não foram muitas, como podem ver, mas bastante satisfatórias. Pode ser que a minha experiência nestas lojas dê jeito a alguém que vá passear até Nova Iorque, com um orçamento reduzido, como era o nosso. Quem conhecer outras e tiver encontrado bons negócios em roupa ou acessórios, partilhe por favor a experiência nos comentários. Com certeza ajudará muita gente (incluindo a mim, quando lá voltar. Porque não sei quando, mas voltar eu volto). Obrigada. :)        




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