UA-40840920-1

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Das pessoas | As calhandeiras de língua bifurcada

Há pessoas que gostam de falar muito. Sobre tudo. Especialmente sobre a vida dos outros. Pessoas para quem o diz que disse do foi não foi ganha a importância de uma declaração de um tratado de paz, ou, melhor de início de hostilidades, como tanto gostam. Pessoas a quem importa o que aconteceu, o que não aconteceu e, principalmente, a história mirabolante daquilo que poderia ter acontecido. A veracidade é, para elas, tão relevante quanto um guarda-chuva num dia de sol.

Há pessoas que são ouvidos, outras boca, algumas não querem nem saber e há as universais, que são tudo e mais alguma coisa. Não contentes em focinhar meandros que não lhes pertencem, absorvem o que podem (ou o que querem, da maneira que mais lhes aprouver), criando o veneno adequado ao interlocutor escolhido, que escorre das suas línguas bifurcadas. Acham-se senhoras, as pessoas, estas, daquilo que afirmam com convicção, pensando, com isso, estar acima dos mundos que vão partilhando por aí. Mas quanto se enganam.

Há pessoas que ouvem, e partilham, e adulteram o que já interpretaram de forma adulterada. Juízes das palavras e acções que outros, os pobres crentes, tiveram o azar de partilhar (ou não, porque se não se encontra a informação, há sempre forma de a criar). Para quem o alento de uma maledicência enche uma alma vazia, desprovida de sentido. Espírito inútil que se alimenta de enredos alheios para esconder a solidão e frustração de uma vida pálida e acinzentada. Sem cor, nem brilho, nem felicidade.  

A Ellen Page disse, na sua declaração recente, brilhante, que "o mundo seria bem melhor se nos esforçássemos para ser menos horríveis com os outros". Podíamos, devíamos, começar por aí. Deixar de lado a tendência sedutora dos dedos apontados, dos julgamentos de vidas outras, do complexo de divindade descida à Terra, melhor do que os outros, das palavras ocas jogadas ao vento, ou à mente de quem quer ser envenenado. A comunicação tem fins muito mais nobres que esse. Um deles, simples, é, na dúvida, questionar sobre a veracidade das palavras ouvidas por aí e, já agora, calar antes de afirmarmos o “certo” sem fundamento. A sociedade agradece. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Banho | Produtos acabados # 1

Não é comum ter assim tantos produtos acabados para vos mostrar, a não ser os de banho. Desta vez, por coincidência, ou nem por isso, já que comprei todos os produtos em Janeiro, quando me mudei por uns meses para Paris, findaram três, mais ou menos por volta da mesma altura. Achei que estava mais do que na altura de fazer um post, dado que não quero ficar com as carcaças aqui em casa. Já gozam comigo pela quantidade de cremes que tenho a uso, o que não diriam se vissem embalagens vazias a acumularem-se a um canto.


Confesso que, com qualquer um deles, não foi das melhores experiências que tive. Mas vamos a eles, um a um:

1. Champô Phytoapaisant, da Phyto – Desenvolvido para acalmar o couro cabeludo sensível e/ou irritado não tenho, a esse propósito, nenhuma queixa a fazer. Não senti comichões desagradáveis enquanto o usava, o couro cabeludo não ficou reactivo nem houve caspa desagradável. Mas, gosto de um champô são sirva bem apenas um só propósito, e este secava imenso o resto do cabelo. Tive de comprar um amaciador (supostamente – verão porquê depois) potente, para equilibrar o estado em que este produto deixava o cabelo. Além disso, um frasco de 200 ml durou-me, lavando a cabeça dia sim, dia não, menos de um mês, coisa que me fez inclusivamente questionar se a embalagem teria vindo cheia ou não.  Apesar de ser um bocadinho mais caro, o Bain Vital Dermo Calm da Kerastase dura mais e deixa o meu cabelo francamente mais bonito e cuidado. 

2. Amaciador Phytobaume réparateur – um cuidado para cabelos estragados e ou enfraquecidos, prevenindo que estes se quebrem; enriquecido com keratina vegetal; sem pesar, tinha tudo para me agradar. Mas, no meu cabelo fino mais também seco nas pontas, não serviu de muito. Pelo contrário, tive de ir a correr comprar uma máscara nutritiva (da qual vos falarei posteriormente), para devolver ao meu cabelo o brilho que tinha, deixando-o desembaraçado e macio. Escusado será dizer que não voltarei a comprar. Tanto os condicionadores como o Moroccanoil que deixei em Portugal (uma mala de 20 quilos para três meses não é muito) fazem mais pelo meu cabelo do que este. Tenho um kit de champô e condicionador da Phyto, para viagens, com o qual vou dar mais uma oportunidade à marca de me surpreender. Entretanto, também comprei um condicionador da John Frieda, logo vos direi como se portou.

3. Gel de duche Caudalie Thé des Vignes – Há produtos que me deixam com uma expectativa tão grande que, quando não cumprem aquilo que eu tinha planeado para eles, me deixam frustrada. É raro isso acontecer, confesso, mas acontece. Este gel de duche foi um deles. O produto é bom, limpa, cheira divinamente bem, mas, fora isso, nada de especial. Muito menos algo que valha o preço a que está em Portugal. Pode ser perfeito para peles sensíveis e delicadas, que reajam mal a ingredientes de outros produtos mas, para mim, tanto o hidratante da Dove quanto um ou outro da Bourjois continuam predilectos. Também durou muito menos do que estou habituada num produto do género, dando 200 ml para pouco mais de duas semanas, a tomar banho todos os dias (claro! ).

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Devaneios | Carta a uma parceria vitalícia*

Quando os olhos se perdiam em histórias fantásticas que imaginávamos nas janelas do prédio em frente, abandonado há muito, mas cujas persianas mais ou menos fechadas nos faziam criadoras do real ficcionado, julgávamo-nos intocáveis, inabaláveis, como se a paz estivesse ali e ninguém pudesse rasgar a fotografia do momento perfeito. Tudo parecia resultar numa facilidade e humor muito nosso, brincando e voando com guarda-chuvas mágicos, alegres e em harmonia como dentes de leão estivais, pelos vendavais que por nós iam passando. 

Ninguém que nos visse duvidaria da relação perfeita entre a calma e a tempestade, entre a paz e a intempérie, tão latina, que tornaria a coexistência um misto de gargalhadas e silêncios, todos eles sentidos, todos eles aceites e tão bem compreendidos. Fazem-me falta os degraus cantantes, e as loucuras gastronómicas, e até as sopas de cebola, intercaladas com batidos de banana, num sacrifício, de gigante para as gulodices que somos, só com piada porque partilhado contigo. 

Hoje, os mais pequenos pormenores do quotidiano como rodar a chave na porta ou olhar o reflexo que não reconheço ao espelho se tornam demasiado solitários, sem alguém para ouvir os meus devaneios de musa perdida. Sabíamos de antemão que o futuro chegaria, e que a dupla, ou até mesmo o trio ou quadra que se juntava à volta de um pedaço de ambrósia quente, seria impossibilitado, por caminhos agrestes, de repetir a sazonalidade dos encontros. Nunca o negámos. 

Mas, e os murmúrios das divagações nocturnas no sofá, quem as ouvirá agora? Quem melhor para as ouvir? Quem desligará a massa que ficou por cozer? O Mundo é nosso, e sempre será, e o no meu sempre estará o teu, como parceiros fiéis em batalhas de Tolkien, cujos exércitos virão em defesa sempre que necessário. Somos elfos, humanos e anões, todos juntos, todos contra as nuvens que às vezes se tornam demasiado carregadas de tudo o que é mau para desaparecerem sozinhas. 

Ter-me-ás, lealmente, para sempre.

*devaneio escrito outrora, mas novamente partilhado. Porque uma pessoa é mais do que uma coisa só e há momentos, ficcionados ou não, que merecem o seu espaço. :) 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Verniz da Semana # 13


Numa primeira leva de produtos em saldos no site da Bourjois, na qual vieram cá para casa o Liner Feutre num tom beringela e o 1 Seconde num azul lindo, escolhi, como item de oferta, um outro verniz, de outra linha, para testar. Dessa vez, optei pelo 40 Violet Couture, um violeta bem vivo, mais voltado para o fúchsia do que o azul. Garrido, mas bonito.


Com o So Laque Ultra Shine, com vinyl, a Bourjois garante umas unhas pintadas que aguentam até 7 dias, sempre brilhantes. Embora, mesmo com top coat, não tenham cumprido a promessa de uma semana de verniz sem necessitar de retoques, aguentaram, perfeitamente, uns 5 dias sem lascas nem desgastes.

A aplicação deste verniz é simples e fácil, com um pincel achatado e larguinho, embora não tanto quanto o do primo 1 Seconde. A textura é cremosa, mas precisa de duas camadas para ficar homogénea, e brilhante, mesmo ao secar (processo que, para ficar perfeito, demorará pelo menos 15 minutos) . Tem efectivamente um ar de manicure feita numa profissional, comprovado pelos elogios que recebi enquanto o tinha. No Bon Marché, inclusivamente, uma das vendedoras chegou a perguntar-me se a tinha feito lá, no espaço dedicado às unhas e cabelos. Vale o que vale, mas é sempre simpático receber elogios destes (quem conhece o espaço sabe do que estou a falar :) ).



Mais uma vez, é muito fácil encontrar Bourjois à venda. Em Portugal, comprava produtos na Bourjois na Balvera, normalmente, onde os encontrava a um preço mais aliciante. Portanto, será seguro dizer que podemos encontrar a linha dos So Laque a preços entre 5 a 10 euros. No Brasil, a marca pode ser encontrada da Dufry a preços semelhantes aos da Bourjois francesa, ou online, onde encontrei esta linha a cerca de R$20.  

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dicas que dão jeito #7

A vida é feita de prioridades. Até aqui ninguém questiona. Não estou a falar das necessidades básicas que, dessas, ninguém deve escapar e nem se coloca a sua importância. Comer, beber, andar vestido e um tecto. Para ficar bem claro e evitar confusões porque não, não acho que um batom ou uma sombra seja mais importante do que tudo isto. Mas, havendo como desejar uns produtinhos de beleza que nos façam sentir bem, bonitas e alegres (porque, por mais que haja muita gente que não o entenda, há tantas, como nós, que o compreendemos bem), podemos optar por investir mais numas categorias e menos noutras.

Esta semana, vi este vídeo do Wayne Goss sobre “onde poupar e onde gastar em maquilhagem” e achei que seria interessante partilhá-lo convosco. A tónica nos produtos para a cara é algo com o qual concordo, humildemente, no meu amadorismo. É importante termos uma tez  bonita que, em primeiro lugar, como já partilhei convosco noutro post de dicas, deve vir de uma pele bem cuidada e não da quantidade massiva que pomos de base (porque não há base no mundo tão bonita quanto uma pele cuidada, natural, digam lá o que disserem). Depois, uma boa base, mesmo que seja mais cara, é fundamental para um aspecto o mais natural possível. “Abaixo o reboco!”, como carinhosamente chama o espécimen masculino que mora aqui em casa a todas as bases pesadas e que se notam.

Confesso que gosto igualmente de produtos melhores para os lábios (que não passam por ser exactamente os mais caros), com uma fórmula que me agrade e não apenas com uma cor bonita. Os meus lábios são sensíveis e tenho uma aversão a cheiros que me incomodem. Mas, quando quero um tom que não usarei frequentemente e do qual já sei que me cansarei com facilidade, opto por um mais acessível, normalmente da KIKO, cuja relação qualidade/preço me interessa.

Não sendo exemplo para ninguém, porque, vá, nem toda a gente se interessa ao ponto de ter um blog dedicado (não só, mas principalmente), ao mundo do “all things beauty” (sim, sim, em inglês, pode parecer presunção mas, admito, é uma expressão como “bits&bobs”, sem a carga equivalente em português), aprecio francamente a qualidade ainda de vernizes que são, normalmente, mais caros. Voltar de um Dior (ainda esta semana falava disto a uma amiga enquanto partilhava o meu amor pelo 999) a um  corriqueiro, sem especificar marca, é francamente difícil. Não só porque há tons que são absolutamente fantásticos, nos mais caros, mas alguns têm, também, fórmulas bestiais. Pensando nos mais recentes, ainda dentro dos acessíveis, um 1 Seconde da Bourjois (uns 10 euros) é bem mais apreciado aqui em casa do que quatro vernizes de 2,5 €, que não me aguentam uma semana.

Enfim, um dia partilharei convosco as minhas prioridades enquanto aficionada nesta área, que não são as de quem prefere ter só alguns essenciais em casa. Para quem quiser, seguem as dicas do Wayne Goss, maquilhador profissional inglês, que é bastante claro e genial em muitas das coisas que diz. Claro que cabe a cada um ouvi-lo (a ele e a toda a gente) criticamente, adaptando as dicas àquilo que mais gosta. Espero que vos dê jeito. :)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...