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sábado, 28 de dezembro de 2013

Pavlova

por Carol Vannier

Todos tiveram um bom natal, cheio de coisas gostosas? Espero que sim!
Para mim esse Natal foi cheio de pequenos milagres. Uma confusão que foi evitada, uma família que passaria o natal afastada e foi trazida pra perto, um presente de última hora que agradou em cheio, um presente feito à mão que agradou tanto que gerou encomendas, um encontro marcado de véspera com uma amiga de agenda lotada, uma menina que juntou seu dinheirinho para dar um presente ao irmão, que por sua vez partilhou com toda a família.

Essa época do ano é sempre cheia de histórias e eventos, tudo fica muito atribulado, e é difícil seguir a rotina (vide o posto atrasadinho ;). Aqui em casa ainda temos nesse miolo entre natal e Ano Novo um aniversário. Nosso aniversariante de fim de ano adora uma receita da Nigella que eu descobri há muito tempo, e virou uma tradição familiar: a Pavlova. É um merengue achocolatado com enfeites por cima, tem um jeito levinho, que faz a gente sempre querer mais! Esse ano por diversos motivos não deu pra fazer, mas vai essa fotinho do ano passado pra relembrar :)



PAVLOVA DE CHOCOLATE
fonte: Nigella Lawson

Ingredientes:

6 claras
300g de açúcar
3 c.s. de cacau em pó
1 c.c. de vinagre balsâmico
70g de raspas de chocolate meio amargo
500ml de creme de leite fresco ou de lata sem soro*
500g de cereja ou morango (ou a fruta vermelha que você tiver, a original é framboesa)



Preparo:

  • Pré aqueça o forno a 180° C.
  • Bata as claras na batedeira até se formarem pontas acetinadas. Continue batendo, acrescentando uma colher de açúcar de cada vez, até o merengue ficar firme e brilhoso.
  • Acrescente o cacau, o vinagre e o chocolate em raspas. Misture delicadamente até ficar com a cor uniforme.
  • Despeje a mistura numa forma (pode ser baixa, tipo de pizza) forrada com papel manteiga, formando um disco alto de aproximadamente 23cm de diâmetro, alisando o topo e as bordas.
  • Ponha no forno e imediatamente diminua a temperatura para 150° C. Asse entre 1 hora e 1h15. Ele estará pronto quando estiver quebradiço na borda e seco na parte de cima.
  • Desligue o forno e abra uma fresta, e espere esfriar o merengue completamente.
  • Se for usar creme de leite fresco, bata-o até firmar e reserve. Se for usar o de lata, deixe a lata na geladeira por algumas horas e na hora de abrir vire-a de cabeça pra baixo e abra pelo fundo. O soro vai estar por cima e vai sair mais fácil. 
  • Na hora de servir, vire o disco de merengue numa bandeja, e coloque o creme por cima. Arrume as frutas escolhidas por cima do creme (se for morangos, eu gosto de fatiar ao comprido), e rale um pouco de chocolate amargo para enfeitar.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Leite creme

por Carol Vannier

Talvez você já tenha sua receita favorita a base de gemas (alguém falou em quindim?), mas pra quem quer fazer o bolo da semana passada e está com dificuldade de juntar as claras, trago uma receitinha que vai dar cabo de muitas gemas: o leite creme.

Todo mundo sabe que não faltam receitas portuguesas movidas a gema e açúcar (das quais sou grande fã), e essa é mais uma. Mas dessa Portugal não pode clamar exclusividade, porque pelo que pude apurar, pra todo canto que se olhe tem alguém fazendo quase a mesma coisa com nomes diferentes... crema catalana, Trinity cream, e finalmente o que acho que é o mais difundido, crème brûlée. 

É divertido ver as diferenças, mesmo que sutis, entre as versões de cada lugar. 
O resumo das receitas: faz-se um creme/pudim usando leite ou creme de leite (ou até uma mistura dos dois), açúcar, gemas e ingredientes aromáticos. Depois vem o açúcar caramelizado por cima, formando aquela casquinha quebradiça que todo mundo adora :)

Peculiaridades: os ibéricos quase sempre usam leite e maisena pra dar ponto, e usam como aromas a canela e limão ou laranja. Já o pessoal que divide o canal da mancha gosta mais de usar creme de leite e baunilha. Os franceses são os únicos que parecem usar o forno para firmar o creme, e apresentam uma regularidade impressionante nas receitas, enquanto que as receitas portuguesas variam muito na proporção leite/gemas, quase sempre caprichando beeeem nas gemas ;)
Os ingleses não parecem ter se apegado muito ao creme, mas conta a lenda que no Trinity college eles faziam um creme assim e o ferro de queimar o açúcar tinha a forma do brasão do college!

Em prol da cozinha científica, tive que fazer pelo menos duas versões, claro: uma versão francesa e outra ibérica (desculpem-me portugueses e espanhóis, mas os dois países não mostraram diferenças estatisticamente relevantes). Sobre o método de queimar, pra quem não quer comprar um maçarico, acho que o mais fácil aqui no Brasil, já que não vendem o ferro igual ao da foto lá em baixo (que foi comprado em Portugal), seria usar aquelas resistências elétricas (vulgo "rabo quente"). Eu vi em alguns vídeos pessoas usando e parece dar bem certo!




Leite Creme / Crema Catalana
versão ibérica, antes do açúcar queimado
serve 4 pessoas

Ingredientes:
500ml de leite
5 gemas
100g (1/2 xíc.) açúcar 
2 c. s. de maisena
1 pau de canela
casca de 1 limão (poderia trocar por laranja)
açúcar para polvilhar


Preparo:
  • Numa panela coloque as gemas e a maisena e misture bem, usando um fouet. Adicione o açúcar e torne a misturar; Junte o leite lentamente mexendo sempre.
  • Coloque o pau de canela e as cascas de limão na panela e leve ao fogo baixo, sem nunca deixar ferver. Vá mexendo sempre, vigorosamente, para não formar grumos e para não talhar. Quando perceber que engrossou, tire do fogo. 
  • Se a casca de limão estiver raladinha, peneire o creme para retirá-las junto com o pau de canela. Distribua o creme em potinhos individuais (tipo ramequin) e deixe esfriar. Pode ser na geladeira de um dia pro outro.
  • Na hora de servir, polvilhe cada potinho com açúcar (é a olho e a gosto, com o tempo pega-se o jeito). Queime o açúcar usando um maçarico ou um ferro de queimar açúcar. Espere o açúcar esfriar para que fique quebradiço.

Crème Brûlée
serve 4 pessoas

Ingredientes:
versão francesa, dourada por causa do forno
500ml de creme de leite (na falta do fresco, usei o de lata reincorporando o soro)
5 gemas
100g (1/2 xíc.) açúcar
1 c. sopa de essência de baunilha caseira* (é que já gastei a fava semana passada, se não, ia aqui)
açúcar para polvilhar

Preparo:
  • Pré-aqueça o forno a 160ºC (provavelmente a medida mais fraca do seu forno). 
  • Numa vasilha grande, misture bem as gemas com o açúcar até que fique um creme claro; Acrescente a baunilha, na forma que preferir, e depois vá acrescentando o creme de leite aos poucos e misturando bem vigorosamente. 
  • Arrume seus potinhos individuais (tipo ramequin) num tabuleiro de bordas altas e distribua o creme nos potinhos. Coloque o tabuleiro no forno e despeje água fervendo até cobrir aproximadamente metade dos potinhos. Asse por 1 hora ou até que os cremes firmem. Lembre-se que depois de esfriar ele firma mais um pouco.
  • Retire do forno e deixe esfriar. Pode ser na geladeira de um dia pro outro.
  • Na hora de servir, polvilhe cada potinho com açúcar (é a olho e a gosto, com o tempo pega-se o jeito). Queime o açúcar usando um maçarico ou um ferro de queimar açúcar. Espere o açúcar esfriar para que fique quebradiço.

Minhas conclusões foram que o sabor do limão com canela agradou mais em geral, mas o método de dar ponto na panela é mais delicado e depende de um pouco de experiência. O forno, por mais chato que seja produzir o banho maria, é só esperar, não precisa ficar com o umbigo no fogão. Já a receita feita com 100% de creme de leite, ficou com o gosto de creme muito forte, mas deve ficar interessante substituir uma fração do leite pelo creme. Então por enquanto as receitas testadas são as aí de cima, mas no futuro prevejo um Frankenstein usando uma mistura de leite e creme, canela e limão, mas indo ao forno... vai ser o leite-crema-brûlée :)  

Para quem quer ver dois métodos de queimar o açúcar em ação, e rir um pouco das nossas trapalhadas e falta de edição e produção, vejam os vídeos abaixo! Por último eu mostro o efeito final quando o açúcar esfria.







*mais detalhes em breve na Salinha!



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Comida de anjo

por Carol Vannier

Interrompemos nossa programação de comidas brasileiras para trazer uma pequena maravilha importada: o Angel Food Cake. Ele é um bolinho tradicional nos EUA, feito com muitas claras batidas em neve, e que fica super fofo, daí o nome curioso :) Além do nome, ele tem várias peculiaridades que o diferenciam de um bolo normal:
  • Ele leva muito pouca farinha, e nas receitas mais tradicionais não leva nem manteiga, então acaba sendo, se é que isso realmente existe, um bolo light. 
  • Nos EUA tem uma farinha que chamam de 'farinha de bolo', dita mais leve do que a farinha normal, mas que aparentemente é só uma farinha normal acrescida de um pouco de maisena. É isso que vamos colocar no nosso Angel Food Cake. 
  • A fôrma* não é untada, para que o bolo use o contato com as parede para escalar melhor e ficar bem altinho. Só colocamos no fundo um papel manteiga recortado para que ele não fique totalmente preso.
  • Depois de assar ele deve descansar de cabeça pra baixo! É ainda mais engraçado fazer isso quando você vive numa cozinha sem recursos e o único método que encontra de virar o bolo sem abafar é colocar uma garrafa de vinho através do furo da fôrma, e assim suspender o danado. Mas funciona ;)



Agora, sobre as muitas claras... acho que hoje em dia ninguém vai jogar fora preciosas gemas, certo? Mas não custa relembrar... Existem milhares de receitas que pedem por gemas, os portugueses que o digam! Então a dica é ir usando as gemas e congelando as claras num potinho. Pode pegar um potinho médio e ir colocando claras novas por cima de outras que já estão ali congeladas sem problemas, é assim que fazemos por aqui. As gemas também poderiam ser congeladas em vez das claras, mas elas requerem um tratamento especial. Para as claras, basta descongelar na geladeira ou na bancada e usar! É bom saber, na hora de descongelar, que uma clara tem aprox. 28g. 

Pra essa receita precisamos de nada mais nada menos que 9 claras grandes, ou 252g de claras. E ela levou uma bela porção de manteiga, ao contrário da versão tradicional. Eu tenho dúvidas se algum dia vou experimentar sem manteiga... E apesar da receita pedir por açúcar baunilhado e essência de baunilha, eu coloquei a baunilha em fava mesmo. É que o bolo a princípio não tem nenhum sabor marcante, então achei que ele merecia um capricho de baunilha. Ficou muito fofo e muito perfumado! 


ANGEL FOOD CAKE
Quase nada adaptado daqui

Ingredientes:
descansando

1 xícara (120g) farinha de trigo
2 c. sopa maisena
1 xícara (200g) açúcar
1/2 c. chá fermento em pó
9 claras (cada clara +-28g, total 252g)
1 fava de baunilha (na falta dela, 1 c. chá essência de baunilha)
115 g manteiga, derretida e quente



Preparo:

desenformando
1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Use uma fôrma redonda de furo no meio, não muito pequena. Não unte a fôrma, forre apenas o fundo com papel manteiga. Para preparar o papel você pode simplesmente marcar o formato da sua fôrma inteira com caneta e recortar tudo, ou dobrar um papel quadrado até virar um triângulo, alinhar a pontinha no centro do furo da fôrma e marcar o corte interno e o externo.

2. Misture a farinha, a maisena, metade do açúcar e o fermento e peneire algumas vezes. Reserve.

3. Na batedeira, bata as claras em velocidade baixa até que espumem. Junte 1 colher de sopa da metade restante do açúcar e continue batendo, acrescentando 1 colher por vez, até acabar. Bata até que as claras estejam firmes, mas ainda cremosas.

4. Derreta a manteiga numa jarrinha e acrescente as sementinhas da fava de baunilha, mexendo bem para elas se dissolverem. Despeje a mistura de manteiga derretida e baunilha num fio rápido enquanto bate mais um pouco as claras.

5. Usando uma espátula, incorpore os ingredientes secos, pouco a pouco, com delicadeza para não desinflar as claras.

6. Coloque a massa na forma, alisando a superfície, e leve ao forno por 30 minutos. Abra o forno rapidamente e gire a forma para homogeneizar o cozimento. Asse por mais 10-15 minutos, até que esteja firme e passe no teste do palito.

7. Retire do forno e deixe o bolo esfriar na fôrma, de cabeça pra baixo, apoiado em uma grade para não abafar. Se o bolo tiver chegado até a borda da forma você vai precisar ser mais criativo e construir um apoio que não fique encostando nele. 

8. Para desenformar, passe uma faquinha nas laterais. Desenforme o bolo e retire o papel-manteiga do fundo. Se quiser, vire de novo para deixar o lado mais bonito pra cima =) 

Sirva com geléia, frutas em calda, sorvete, calda de chocolate.....



* Sempre quis botar acento em fôrma mas não botava porque tinha a impressão de que era errado. Hoje resolvi conferir e descobri que era errado mesmo, mas que o novo acordo ortográfico deixou facultativo o uso do circunflexo em fôrma :)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tapioca

por Carol Vannier

No Brasil, o rodízio já virou uma instituição. Temos rodízio de tudo: churrasco, comida japonesa, pizza ou massas em geral, crepes, e até alguns mais estranhos como rodízio de croissants recheados :|

Aqui no Rio não é tão comum, mas em outros estados o rodízio de tapioca é frequente. Como não tem por aqui, não posso garantir quais seriam os sabores mais usados, mas aposto que ia ter: marguerita, 4 queijos, strogonoff, frango com catupiry, camarão com catupiry, cheddar com bacon, banana com chocolate, goiabada com queijo...

Esse é um fenômeno que eu observo há tempos, uma tendência culinária nacional de muito sucesso: pegue o carboidrato X, qualquer que seja, e recheie com os mesmos recheios/coberturas que já são consagrados nas pizzas. Serve pra tudo: batatas rostie, pastéis, até rolinhos "tipo-sushi" eu já vi com esses recheios. É satisfação garantida de público e crítica! Apesar de eu mesma apreciar muitas dessas combinações, acho um pouco de falta de criatividade, e falta de preocupação com o carboidrato em questão e suas caracterísitcas. Tudo bem que o sabor dos carboidratos costuma ser mais neutro, mas ele existe também! Então seria legal ver um pouco mais de esforço na hora de bolar os recheios.

A tapioca não só é bem brasileira, mas tem a cara do nordeste. Então eu gosto de usar recheios que tenham um pouco essa temática, e que se comportem bem dentro dela ;)

Minha tapioca salgada favorita é simples, só com queijo coalho, um queijo típico nordestino que dificilmente se encontrará fora do Brasil. Mas para os leitores de fora eu sugiro queijos tipo feta e haloumi, bem salgadinhos, que mantêm um pouco a forma ao derreter. Um parmesão pouco curado também seria interessante.




Pro lado dos doces eu adoro o de coco ralado (fresco!) com doce de leite. É muito comum usar coco ralado e leite condensado, mas pra mim doce de leite é muito melhor :) Mas não se acanhem e façam como todo restaurante brasileiro: recheie a tapioca com o que quiser!

A goma da tapioca é o amido da mandioca com um certo teor de hidratação. Mesmo aqui não é fácil de encontrar a goma já hidratada, mas dá pra produzir em casa usando o polvilho doce, que vende em todo mercado aqui, e em lojas de produtos brasileiros no exterior. No blog da Neide Rigo ela explica um dos jeitos de fazer, que eu acho o mais fácil, ainda mais pra quem não conhece bem a textura do prduto final:

Basta cobrir o polvilho doce com água (algo como 1 litro de água para meio quilo de amido) e deixar hidratar por 2 horas. Jogue a água fora, cubra com um pano– ou despeje a fécula molhada sobre ele – e espere mais 2 horas para que o pano enxugue o excesso de água. O resto é igual.
O "resto" é a parte de preparar a tapioca, que é só passar os torrões por uma peneira e arrumar uma camada fina numa frigideira limpa, sem untar. Eu já gosto de ir peneirando em cima da frigideira, assim não preciso ter na geladeira dois potes, um de goma empedrada e um de goma peneirada. Nesse vídeo ela mostra como se faz, só que aqui ela hidrata colocando a água aos poucos. Para ver o método de cobrir o polvilho de água, veja aqui. Os dois vídeos vão até os "finalmentes", então mesmo quem nunca viu pode ter uma boa noção.

No fim das contas é um lanche rápido e prático uma vez que você tenha a goma hidratada, e a massa da tapioca tem um misto de crocante e puxa que nenhum outro carboidrato que eu conheço tem. Por isso mesmo, tudo que vem da mandioca fica no topo da minha lista de favoritos :)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Shortbread

por Carol Vannier


Quando eu tinha 18 anos eu fiz uma viagem para a Escócia. Foi uma oportunidade muito boa de me virar um pouco sozinha num lugar bem diferente de casa e de ter muitas experiências novas. 'Long story short', durante essa viagem eu me apaixonei pelo shortbread, um biscoito típico escocês que virou meu lanche de emergência depois que eu ganhei de presente alguns pacotinhos. E eles vieram bem a calhar, porque com o real valendo 1/5 de libra na época, eu não gastava quase nada na rua com bobagens pra comer. Essa viagem deixou muitas lembranças boas, e os shortbreads definitivamente fazem parte dessa lista ;)

foto: walkersshortbread.com
Os pacotinhos que eu ganhei eram esses da Walkers, que é uma marca de ótima qualidade, e acho que a mais tradicional. Um bom indício a favor deles é a lista de ingredientes dos biscoitos: farinha, manteiga, açúcar e sal. Simples assim. Para um biscoito industrializado é de impressionar. 

Na volta da viagem, um dos presentinhos que eu trouxe foi uma toalha de chá estampada para minha mãe. Além de desenhos a toalha tinha algumas receitas, dentre elas uma de shortbread. A receita também era bem simples, mas levava um ingrediente diferente: 'corn flour', ou seja, fubá/farinha de milho/farinha de polenta. 

Nesse vídeo vocês podem ver uma receita bem semelhante à que eu usei sendo feita. Pena que eu não tenho a fôrma tradicional como a do vídeo... Eu tentei reproduzir esse formatinho da foto de cima, mas os biscoitos sempre acabam por se espalhar um pouco no forno. De uma próxima vez vou tentar usar um pirex normal e cortar depois.

De qualquer jeito, mesmo espalhadinhos, os biscoitos ficaram ótimos: crocantes e ao mesmo tempo derretendo na boca. Tive que esconder o pote com os que resistiram ao meu ataque inicial, para evitar danos maiores!



SHORTBREAD

Ingredientes:
200g de manteiga com sal (se for usar sem sal, adicione uma pitada de sal à receita)
100g de açúcar, mais um pouco para polvilhar (eu esqueci desse detalhe...)
200g de farinha de trigo
100g de fubá

Preparo:
  • Bata a manteiga com o açúcar na batedeira até ficar fofo. 
  • Peneire o fubá e a farinha e acrescente ao resto. Bata mais para misturar, mas não muito, para não trabalhar demais a massa.
  • Abra a massa numa superfície polvilhada de farinha, ou sobre papel manteiga. Corte no formato desejado e coloque num tabuleiro. (ou use um pirex e corte depois de assado). Nem precisa untar o tabuleiro, os biscoitos já são amanteigados o suficiente ;)
  • Polvilhe com açúcar e leve ao forno médio até dourar. Se usar os biscoitos cortados, o tempo de forno é curto, cerca de 10 a 15 minutos. Se usar a massa inteira no pirex, acredito que demore mais tempo.
  • Deixe esfriar em lugar arejado para que eles fiquem bem crocantes.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Doces rápidos para festas - Brigadeiros de copo


Sentem uma gulodice que não conseguem conter. O dia correu pior do que o esperado e querem adocicá-lo um bocadinho (criticado pelos nutricionistas, certo, certo, mas que sabe tão bem).  Vão receber uns convidados em casa e não tiveram tempo de fazer uma sobremesa boa. Há várias razões para fazer uns brigadeirinhos de copo, fáceis e tão gulosos. Seja qual for a vossa, aqui vai a receita.

Ingredientes:
  • Uma lata de leite condensado (ca 12 copinhos)
  • Chocolate em pó (a gosto)
  • Uma colher de manteiga
  • Granulado para enfeitar

Modo de preparação:
  1. Colocar uma panela num dos bicos mais fracos do fogão e ligá-lo no mínimo;
  2. Colocar uma colher de manteiga no fundo da panela para que derreta e o cubra;
  3. Verter toda a lata de leite condensado na panela (a manteiga  evitará que se queime);
  4. Adicionar a quantidade de chocolate em pó que se deseja (quanto mais colheres, mais escuro e docinho);
  5. Mexer sem parar até ter a consistência desejada. Se for para colocar no copinho, podem terminar quando já estiver denso ao ponto de deixar um carreirinho quando passam com a colher. Se quiserem enrolar, têm de deixar ficar mais espesso, para conseguirem fazer bolinhas. O importante é não deixarem que se queime no fundo. É chato, mas, no final, o resultado compensa.
  6. Verter para os copinhos ou enrolar e enfeitar. Nós usámos granulado de chocolate. Mas há quem prefira outro, mais colorido, ou até mais natural como côco ou frutos secos.


Esta foi a receita que seguimos para fazer os brigadeiros do meu aniversário, que vêm na foto. Mas há milhentas formas de fazê-los e, se tiverem alguma saborosa para partilhar, deixem-na nos comentários. Tenho muito gosto em experimentá-la. :)

(O dia da culinária é à sexta, com a Carolina, e isso não mudou. Mas como fizemos estes docinhos para sábado, pontualmente, decidi partilhar. :D) 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

De volta na cozinha com muffins

por Carol Vannier

A confeitaria tem andado devagar por aqui, por uma tremenda falta de tempo de pensar em qualquer coisa minimamente supérflua. E por mais que eu ame um bolinho, ele não é realmente necessário no meu dia a dia como as comidas salgadas. Mas ontem finalmente pude abrir o armário, catar o pote de farinha (que estava vazio há tempos e eu nem sabia!) e botar a mão numa massinha de muffin. E ainda aproveitei pra estrear meu aventalzinho novo, inspirado nos Lenços de Namorados :)

A receita que escolhi é de um muffin de limão que leva sementes de papoula. Eu queria aproveitar as sementes que comprei numa quantidade grande e não usei tudo. No Brasil nunca vi pra vender, (mas pesquisando na internet achei a preços exorbitantes) apesar de alguns blogs brasileiros de culinária usarem. Mas hoje em dia todo mundo aqui tá acostumado a trazer umas muambas meio diferentes do exterior hehehe. Elas não têm um sabor forte, mas a textura é bem interessante. Acho que ficaria ótima numa massa de torta, e já vi também em alguns pães. E não se preocupem, que ninguém fica doidão com essas sementinhas!

O resultado são bolinhos pouco doces, perfumados, ótimos para café da manhã ou acompanhar um chá, e com mini explosões crocantes :) 



MUFFINS DE LIMÃO COM SEMENTES DE PAPOULA
Receita adaptada do Technicolor Kitchen
Rende 12+ muffins

Ingredientes:
280 g (2 xícaras) farinha de trigo
1 1/2 c. chá fermento em pó
1/2 c. chá bicarbonato de sódio
(se não tiver bicarbonato, 3 c. chá de fermento em pó)
1/4 c. chá de sal
2 c. sopa sementes de papoula 
1 ovo
120 g (1/2 xícara "cheia") açúcar
2 c. sopa raspas de casca de limão (eu usei a casca de 1 limão, mas acho que podia ser um pouco mais)
70 g manteiga sem sal, derretida e fria
300 ml de leite
1 c. sopa suco de limão (suco de meio limão no meu caso)
1 c. chá extrato de baunilha





Preparo:

1. Pré-aqueça o forno a 180ºC.

2. Numa tigela grande, peneire e misture os ingredientes secos (farinha, fermento, bicarbonato, sal e sementes de papoula). Se você como eu só tem uma vasilha boa de misturar ingredientes, passe os secos para uma vasilha qualquer, agora que eles já estão peneirados e misturados.  

3. Use então a tigela grande para misturar o açúcar e as raspas da casca de limão. Esfregue-os usando as pontas dos dedos até o açúcar ficar úmido e perfumado. Acrescente o ovo, a manteiga, o leite, o suco de limão e a baunilha, misturando bem.

4. Misture os secos e molhados, misturando ligeiramente com um garfo sem mexer demais. Não tem problema a massa ficar com grumos! 

5. Divida a massa entre 12 forminhas de muffins, bem untadas (mesmo que use forminhas de papel, unte as forminhas) e asse por 20-25 minutos ou até que dourem.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Massa folheada

por Carol Vannier

Uma das minhas perdições culinárias, como boa viciada em carboidratos e amante fervorosa de manteiga é a massa folheada. Acho que é uma sorte que seja algo tão difícil de fazer, porque assim fico limitada a comprar pronta, o que nunca sai muito barato, ainda mais se escolhermos marcas de qualidade. Costumo comprar da Arosa, que vende rolos grandes, que acabam tendo um custo benefício melhor, e duram bastante no freezer. Pena que não se vende aqui massas como as pur beurre (massas só com farinha e manteiga sem nenhuma gordura hidrogenada) que eu comprava por uns dois eurinhos (olha o perigo!) nos supermercados franceses.

Antigamente eu fazia tortas fechadas, como se fosse um strudel, só que com recheios salgados. Até que vi por aí a idéia de fazer simplesmente a massa aberta, como uma pizza, só que muito melhor. Acho que a torta fica até mais bonita assim aberta, e usa menos massa, então o fígado agradece ;)

Os "recheios" podem ser variados. Se for botar queijo, não convém colocar muito, porque ao contrário da massa de pizza, a folheada já vem com sua dose de gordura. Então qualquer queijo deve entrar apenas como mais uma camada de sabor. Eu já fiz de tomate e queijo de cabra e ficou espetacular.

Na torta da foto abaixo usei um pouco de muçarela (escrita brasileira como o queijo em si, que não era nenhuma mozzarella) e berinjelas em cubinhos refogadas na frigideira antes de ir pro forno. (Use uma frigideira ou panela de fundo grosso, senão vai precisar de muito óleo para que as berinjelas não queimem antes de cozinhar um pouco.) O tempo de forno é até a massa dourar, o que é rápido, coisa de 20 minutos, por isso mesmo a berinjela já entrou cozida.

foto e torta improvisados 
Na falta de alguma erva seca ou fresca para dar um tempero especial, apelei para um Ras el hanout, que é um mix de temperos em pó do norte da África. Numa situação normal acho que usaria pimenta calabresa e tomilho seco, ou manjericão fresco depois de assar. Mas aí cada um sabe os perfumes que gosta :)

E claro que a sobremesa foi um mini strudel de maçã feito com a sobrinha da massa. Desse nem foto sobrou, mas caso alguém nunca tenha feito e queira uma dica, eu coloco, além das maçãs picadas (enquanto pico vou pingando limão para elas não escurecerem e também para realçar o azedinho que eu gosto), açúcar e canela sem exageros e uma pitada (literalmente, é só um pouquinho mesmo) de farinha ou maizena, que serve para "engrossar" o caldinho que sai da maçã, ou de qualquer fruta que você asse dentro de uma massa.

Para terminar, um lembrete (ou uma desculpinha) de que o equilíbrio não precisa estar em cada refeição, mas sim na sucessão de tudo que comemos, certo? Ou seja, próximo post é sopa!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pão achado

por Carol Vannier


Eu adorei descobrir que, em francês, pain perdu (pão perdido) é o nome que se dá para as rabanadas (fatias douradas em Portugal), já que elas são um ótimo uso daqueles pães velhos que ficam esquecidos, perdidos pela cozinha. É curioso que no Brasil tenhamos o pão de rabanada, feito especialmente pra isso pelas padarias na época do Natal, já que a receita nasceu do reaproveitamento. Mas talvez com o nosso hábito de comprar pãozinho francês fique mais difícil de calcular mal a quantidade de pão e consequentemente ter as sobras. Pra quem compra baguettes grandes isso deve ocorrer com mais freqüência.

Aqui em casa, devido aos exageros de uns e outros (eu cá não sou acusa cristos! não vou dar nomes aos bois...), é comum ter um pãozinho perdido, pedindo pra ser achado e reformado. Claro que podemos fazer as simples torradinhas, fatiando o pão duro bem fino, ou até uns paninis, cobrindo o pão velho de queijo e outros itens, como uma pizza. Mas indo pro lado doce, temos as rabandas, e também o pudim de pão. Mas não é aquele pudim de pão que parece um pudim de leite... Esse eu não ligo muito, acho muito sem consistência. O que fez sucesso por essas bandas foi um pudim de pão mais no estilo inglês, onde o pão é fatiado, e não triturado, e por isso mantém um pouco a textura.

Dar uma receita precisa para Pudim de Pão ou pra Rabanadas é uma tarefa difícil, porque se é pra fazer com sobras, você nunca vai ter a medida certa de uma receita, e pode ser difícil converter. Nessas horas eu tenho que deixar minha neurose seguidora de receitas de lado e improvisar um pouquinho. Eu gosto de olhar várias receitas diferentes e ver o que elas têm em comum, pra saber o que é essencial e o que é enfeite.

Para rabanadas existem tantas receitas quanto existem pessoas que as fazem! Escrevo aqui os princípios da rabanada da minha mãe, e como não podia deixar de ser, é a melhor do mundo pra mim :)

RABANADAS/ FATIAS DOURADAS


Corte o pão velho em fatias com a grossura de um polegar mais ou menos. Prepare um tabuleiro com um pouco de leite, açúcar e baunilha. Molhe os dois lados das fatias no leite, mas incline depois o tabuleiro para que a sobra de leite não fique encharcando o pão. Esse pão já molhado pode ser guardado na geladeira por uns dias, se quiser rabanadas-minuto depois ;)

Bata um ovo (ou quantos precisar) num prato fundo e aqueça uma frigideira com óleo, como se fosse fritar um bife. Passe cada fatia de pão pelo ovo, deixe escorrer o excesso e frite-as no óleo. Pode fritar várias de uma vez. Retire as fatias da frigideira para um prato com papel toalha, para tirar o excesso de óleo, e depois passe cada fatia por uma mistura de açúcar e canela


Para o pudim de pão eu percebi que o princípio básico é: pão velho em pedaços (amanteigados ou não), um creme a base de leite, açúcar e ovos, e forno. Ou seja, quase uma rabanada de forno! Para a minha receita resolvi aproveitar que o pão abandonado eram pães franceses, e cortei em rodelinhas que arrumei numa forma untada. Eu passei um pouco de manteiga com o mesmo pincel de untar a forma no topo das rodelinhas, pra ajudar a dourar. Além do pão resolvi usar um pouco das tâmaras que tinha em casa no lugar das passas que são frequentes nas receitas. Piquei as tâmaras, umedeci com um pouco de rum e depois espalhei entre as fatias de pão, abrindo espacinhos para elas.


Para o creme, segui a indicação de uma das receitas que achei e fiz uma espécie de 'custard' de preguiçoso: aqueci o leite com açúcar só até dissolver o açúcar. Botei os ovos na batedeira e fui batendo  e jogando o leite morninho, até encorpar, e no fim um pouco de baunilha. Não fica muito firme, mas cresce bem.

Depois é só despejar em cima do pão e assar, no meu caso foi rápido porque era bem pouquinho, em 15 ou 20 minutos estava douradinho, crocante em cima e cremoso em baixo. Ainda polvilhei com açúcar e canela por cima pra adoçar e dar o gostinho de canela que adoro. Depois foi só fazer o café pra acompanhar :P

Pra quem quer ter noção das quantidades, anotei mais ou menos o que usei:



PUDIM DE PÃO
2 1/2 pães franceses velhos e duros
manteiga para untar e pincelar os pães
1 xícara (240ml) de leite 
1/4 xícara (50g) de açúcar
2 ovos
1 c. sopa essência de baunilha
10 tâmaras secas, picadas
2 c. sopa rum

para polvilhar:
+- 1/4 xícara (50g) de açúcar cristal   
canela em pó, a gosto

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Brigadeiro e Cia.

por Carol Vannier

O docinho de festa por excelência no Brasil é com certeza o brigadeiro. Não dá pra imaginar aniversário de criança (ou não) sem ao menos uma versão dele. O tradicional, feito com chocolate/cacau em pó é o calcanhar de Aquiles de muitas dietas, já que é fácil encontrar em qualquer despensa aquela latinha de leite moça, um achocolatado perdido, e fazer um brigadeirinho de colher pra aplacar a gula da madrugada. Quem nunca? ;)

Mas para as festinhas o esforço tem que ser maior, pois o ponto não pode ser de comer às colheradas, mas sim o ponto de enrolar, quando o doce fica firme o suficiente para virar bolinhas. Aí então pode-se passar no tradicional granulado de chocolate, ou em suas variações. Eu não ligo pra granulado, porque são normalmente muito açucarados, só com cor de chocolate, mas adoro umas bolinhas crocantes que ficaram populares recentemente.

brigadeiro preto em meio a brigadeiros de uva
Mas nem só de brigadeiro se fazem as festinhas. Tirando o chocolate, criam-se diversas variações, todas baseadas em leite condensado: o beijinho (com coco ralado, enrolado em coco ralado), o olho de sogra (com coco e gema, enrolado em açúcar cristal e envolto em uma ameixa seca), cajuzinho (com amendoim moído, enrolado em açúcar cristal, em formato de caju e com um amendoim inteiro espetado) e o brigadeiro de uva (brigadeiro branco recheado com uma uva verde, de preferência sem caroço, enrolado em açúcar cristal). Esse último não é tão frequente quanto os outros, a não ser lá em casa, onde já virou uma tradição :)

Acredito que as doceiras profissionais não gostem de trabalhar com ele porque as uvas tornam o doce bem mais perecível, e chato de enrolar também. É preciso escolher uvas mais pra pequeninas, se não o doce vira um jumbo, e às vezes a uva teima em escorregar pra fora. Mas você vai ver que o esforço compensa quando sentir a explosão da uva azedinha no meio do brigadeiro bem doce...

Mas o tema desse mês é casamento, e por aqui anda difícil de ver casamento com doces assim tão simples e caseiros. Antigamente era mais comum, fazia-se esses doces e enfeitava-se um pouco mais, com um glacê, nozes, etc, mas no recheio eram essencialmente assim. Agora já é mais comum ver verdadeiros bombons, com recheios mais elaborados, e formatos trabalhados graças a moldes para chocolate. Como essa colunista não é das mais talentosas para enfeites, nem adianta eu tentar reproduzir aqui essas belezinhas que se vê por aí. Mas nem por isso abro mão de fazer um docinho mais caprichado de vez em quando, ainda mais que adoro chocolate. Então trago uma receita que até uma lambona como eu pode fazer, e que os(as) mais talentosos(as) podem elevar a um nível de apresentação digno de um casamento. Em resumo, é um beijinho de coco recheado com uma amêndoa salgada, e envolto em chocolate meio-amargo. Uma combinação de sabores que eu adorei!



BOMBOM DE COCO E AMÊNDOA

adaptado daqui
rende aprox. 30 bombons


Ingredientes:

1 lata de leite condensado
2 a 3 latas (usar a lata vazia como medida) de coco ralado (Dá pra usar o fresco, mas demora mais a dar ponto por causa da umidade extra)
1/2 xícara (aprox.) de amêndoas salgadas
180g (aprox.) de chocolate meio amargo


Preparo:

  • Misture o leite condensado com o coco numa panela de fundo grosso e leve ao fogo, mexendo bem, até dar um ponto bom pra enrolar. (O doce vai desgrudando um pouco da panela, e dá pra ver o fundo quando você arrasta a colher). Reserve.
  • Quando o doce estiver frio, enrole bolinhas na mão (eu faço isso com a mão amanteigada pra não agarrar) e espete uma amêndoa no centro de cada bolinha.
  • Quando todas as bolinhas estiverem prontas, derreta o chocolate em banho maria ou no microondas. Passe cada bolinha pelo chocolate derretido e coloque numa superfície lisa (eu gosto de usar uma tábua de vidro) para endurecer. Em lugares ou estações quentes, é bom colocar na geladeira. 
  • Arrume em forminhas de brigadeiro, ou embrulhe em papel de estanho decorado. Novamente, se o clima for quente, mantenha os bombons na geladeira.



sexta-feira, 12 de julho de 2013

Bem-casados

por Carol Vannier 

Pensando nas tradições culinárias dos casamentos do Brasil, a única coisa que me veio foram os bem casados. Algum brasileiro lembra de outra tradição?

Ao que parece esses docinhos são mesmo indefectíveis em casamentos por todo o Brasil. Tradicionalmente são um 'sanduíche' de pão de ló recheado de doce de leite, mas podem ter diversas variações no sabor, incluindo nozes, baba de moça, massa de brownie etc. Mas sempre mantendo o formato de "casadinho" que é como chamamos essa união de dois biscoitos/bolos por um doce cremoso. Deveras sugestivo!

Mas o amor ao bem casado no Brasil é tamanho que ele já está invadindo outras festas tradicionais, só trocando ligeiramente de nome: nos batizados dá-se bem-nascidos, nas bodas os bem-unidos, nos aniversários os bem-vividos. Pensando bem, além de gostosinhos, eles são bem práticos, pois servem de enfeite durante a festa, com seus embrulhos coloridos, lembrancinha para presentear os convidados no fim da festa e café da manhã no dia seguinte ;)

Os bem-vividos nos 80 anos da vovó Mimi

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Tradições de casamento

por Carol Vannier 


A Salinha está em clima de casório, e não há festa importante sem tradições culinárias!

Vamos começar por uma tradição bem da terra da noiva, os arredores de Coimbra, que é a de dar arroz doce antes do casamento. Dá-se aos vizinhos e pessoas da região que se conhece e se quer agradar, mesmo que não façam parte da lista dos convidados (por questões práticas, não se pode convidar todo mundo!) e também aos convidados do casamento (os que confirmaram e os que não podem ir).

As travessas de arroz doce são distribuidas duas semanas antes do casamento, ou mais em cima da hora dependendo da organização de cada um, e têm tamanhos que variam de acordo com o grau de proximidade e com o número de membros da família que a recebe. Na hora de devolver a travessa, é comum deixar um presentinho, seja em dinheiro, seja em artigos para casa.

O arroz doce pode ser encomendado de doceiras ou cozinheiras, e os mais tradicionais são feitos com arroz do arrozal próximo, leite da ordenha, limões do quintal (não comprados) e açúcar e canela. Nada de ingredientes mirabolantes, e tudo bem orgânico ;) 

Esse arroz do arrozal é do tipo carolino, plantado nos estuários do Mondego (que passa por Coimbra), Tejo e Sado, e é o arroz que se usa normalmente em Portugal tanto para o arroz-doce como pra outros pratos que ainda ei de explorar por aqui. Mas na falta do carolino, precisava escolher um arroz pra usar.




sexta-feira, 28 de junho de 2013

Viva São João e viva a queijadinha - com ou sem queijo!

Viva São João!
por Carol Vannier

Eu adoro tudo relacionado a festa junina: fazer desenhos de festas de São João na aula de artes do colégio, dançar quadrilha, ver fogueira acesa e bandeirinhas coloridas, as barracas de brincadeiras, usar roupa xadrez, e claro, fazer e comer as comidinhas típicas =)
Dentre as minhas favoritas estão a canjica, o bolo de milho ou fubá, o caldo verde, a maçã do amor e a queijadinha.

Eu nunca entendia porque a queijadinha se chamava queijadinha se eu nunca sentia gosto de queijo... E finalmente fui olhar receitas e tentar reproduzir essa belezinha em casa, e vi que muita gente faz sem queijo mesmo! Vá entender. Algumas receitas até pedem por 1 colher de sopa de queijo parmesão ralado, num mar de coco e leite condensado. Acho que é só pra constar. De qualquer jeito não me apetecia em nada colocar um queijo fedorento num docinho tão singelo, achava que não combinava mesmo.

Mas como esse blog tem também um pé em Portugal, e lembrando da minha visita à Pousadinha de Tentúgal, fui pesquisar a queijadinha portuguesa. Não comi a queijadinha de Tentúgal (meu estômago é finito, por incrível que pareça não havia mais espaço!) mas tinha comido a de Sintra, que é até mais famosa, e no aspecto as duas eram bastante parecidas. E ao contrário da sua prima brasileira, a queijadinha portuguesa leva sim uma boa quantidade de queijo, e nada de coco. Mas não é queijo fedorento, e sim queijo fresco, que se assemelha ao nosso queijo minas frescal, só que sem sal. Aí sim! ;)

Então como colunista dedicada que sou, tive que fazer as duas pra comparar! E assim, quem tiver que levar um docinho a alguma festa junina colaborativa, pode escolher alguma das duas. Mas aviso logo: a brasileira é mais fácil de fazer, e é bem gostosinha, mas a portuguesa, com sua casquinha fininha e seu toque de canela, é de comer rezando!


Teste nº 1 realizado!
QUEIJADINHA BRASILEIRA
da minha cabeça e de vários sites na internet
rendimento: 10 mini queijadinhas


Ingredientes:

80g de coco ralado não adoçado, de preferência em fitas e fresco (a forma do coco influencia muito na textura da queijadinha)
130g de leite condensado (1/3 de lata)
1 gema
1 c. chá de manteiga derretida


Preparo:
  • Pré-aqueça o forno a 180ºC. 
  • Misture todos os ingredientes numa vasilha. Distribua em forminhas de mini empada forradas com forminhas de papel se quiser desenformar mais fácil e servir mais bonito. As forminhas podem ser de silicone.
  • Leve ao forno e comece a vigiar a partir de 20 minutos. Asse até ficar douradinha.


Teste nº 2 realizado!

QUEIJADINHA DE SINTRA

Adaptado do Petit Chef
rendimento: 12 queijadinhas médias

Ingredientes:

Massa 
125 g farinha de trigo
2 c. chá óleo
uma pitada de sal
quanto baste de água

Recheio
200 g queijo minas frescal
2 gemas
150 g açúcar
1 c. café canela em pó
1 c. sopa farinha de trigo (eu omiti e deu certo)

Preparo:
  • Coloque a farinha numa vasilha, junte o sal e o óleo e vá adicionando a água aos poucos. A quantidade é a que for necessária para que a massa fique macia, mas que todas as partes fiquem bem agregadas, sem grudar nem na mão nem na vasilha (usei +- meio copo). Quando pronta deixe repousar por cerca de 10 minutos, embrulhada num pano ou papel toalha ligeiramente úmido. 
  • Corte o queijo em fatias e bata no processador, até ter farelos. Junte o resto dos ingredientes e bata tudo muito bem.
  • Ponha o forno pra aquecer. Numa superfície enfarinhada, abra a massa muito fininha, em porções adequadas às suas forminhas (tipo de empada, mas de preferência mais baixinhas), que não precisam ser untadas. Coloque a massa nas forminhas, fazendo dobras se necessário para que ela se ajuste ao redondo. Depois coloque o recheio e leve ao forno bem quente. Comece a vigiar quando der 20 minutos, e retire quando estiverem bem douradas. Quando estiverem frias, pode desenformar virando de cabeça pra baixo numa bancada. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yes, nós temos banana, mas não só...

por Carol Vannier

Essa semana está difícil se concentrar em qualquer coisa que não sejam os movimentos populares pelo Brasil a fora, e que (julgo) graças à internet cresceram meteoricamente e geraram muita informação a ser processada (criticamente!)

De todo jeito, já tinha planejado reciclar algumas receitas que fiz e postei num blog anterior, e que agora está aposentado, já que ganhei esse cantinho na Salinha ;) Mas gostaria de ter feito algum prato típico do São João, festa que adoro, mas fica pra semana que vem! Ainda estará em tempo...

Por hora, ficamos com um bolo de banana, essa fruta tão amada, grande produto de exportação, e infelizmente associada à pobreza. Mas acho que essa semana o Brasil está exportando bem mais que banana, e espero que tudo isso ajude a espantar o complexo de inferioridade muito frequente nos brasileiros. De quebra, quero espantar esse complexo das bananas também, que são afinal frutas sensacionais, e acessíveis a todos, ainda bem!

Esse bolo foi um pot-pourri de receitas que mexi daqui e dali pra fazer a minha, e usar ingredientes que tinha. Os bolos com banana amassada são o destino daquelas bananas no fim da linha, já tão maduras que a casca já está toda pretinha, mas que ainda são super cheirosas e doces, por isso nunca quero ver irem pro lixo!


Bolo de banana e especiarias

Ingredientes:
2 xícaras (240g) farinha de trigo, (metade pode ser substituída por aveia)
3 c. chá fermento em pó
1/2 xícara (90g) açúcar
1/2 xícara (90g) açúcar mascavo
1 pitada cravo em pó
1 c. chá gengibre em pó
1 c. chá canela em pó
1/3 xícara gengibre em calda picado*
1/3 xícara castanha do pará picada, (ou outra castanha)*
1/2 xícara tâmaras picadas*
90 g manteiga, derretida e fria
1/3 xícara (80ml) iogurte natural
2 ovos, a temperatura ambiente
3 bananas maduras grandes
1 c. chá extrato de baunilha

Preparo:

1. Pré aqueça o forno a 180ºC. Unte uma forma de bolo inglês ou, se preferir, aprox. 12 formas de muffin. Derreta a manteiga e tire os ovos da geladeira.

2. Misture os secos: farinha, açúcares, fermento, cravo, gengibre, canela, castanhas, tâmaras e gengibre.

3. Em outra tigela amasse as bananas e depois adicione os ovos batidos, a manteiga, baunilha e o iogurte e misture tudo

4. Junte os secos e molhados, mexendo pouco, só até encorporar levemente. Distribua na(s) forma(s) e asse por aprox. 20 minutos ou até que um palito inserido saia limpo.


*Não sei a equivalência em gramas, mas esses "enfeites" são em quantidades mais livres, ao gosto do freguês, e também podem ser trocados por outros que estejam disponíveis. Sabendo que 1 xícara equivale a algo entre 180ml e 240ml (sim, elas variam absurdamente, mesmo as dos kits de medida!) dá pra ter uma idéia também.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Romeu e Julieta

por Carol Vannier 

Tem combinação melhor que goiabada e queijo? Acho que nem Romeu e Julieta deviam ser tão perfeitos um pro outro...

Para nós brasileiros, a combinação de doces de pasta ou compota com queijo (principalmente o queijo minas) é bem mineira, e inclui também doce de mamão verde, doce de leite, só para citar os meus favoritos. Mas os mineiros não foram os primeiros a ter essa idéia. Na Espanha é tradicional combinar o queijo manchego com marmelada (membrillo), e pelo que pude ver pesquisando, a marmelada também é muito apreciada em Portugal, também em combinação com queijos locais. Há quem diga que a goiabada foi justamente a maneira que os colonos portugueses encontraram de substituir a marmelada. E como substituiu bem!

Mas hoje o que eu trago não é uma receita de goiabada com queijo, que seria a mais simples possível (corte uma fatia de cada e nhac!*), mas sim de uma Cheesecake com cobertura de goiabada. A cheesecake é um doce que foge às nossas tradições brasileiras e ibéricas, mas já ganhou muito espaço na minha cozinha. É um doce não muito doce, pode ser pouco gorduroso dependendo da receita, e é definitivamente delicioso. Mas como não é aquela receita de mãe, e sempre vem de fontes estrangeiras, com ingredientes que nunca são exatamente o que encontramos, pode ser difícil chegar a uma receita boa e consistente. Eu sei por experiência...

Atualmente tenho duas favoritas, ambas usando cream cheese, mas ainda busco uma terceira, que use a ricota que se compra no Brasil, sem ficar muito seca. Das duas com cream cheese, uma não vai no forno, mas precisa gelar bem, e leva um bocado de creme de leite fresco, então fica um pouco mais cara de preparar. A outra, que compartilho aqui hoje, é quase que só a base de cream cheese e ovos, o que também pode ficar caro, mas recomendo a quem quiser fazer que vá a alguma loja de produtos para confeitagem (no centro de Niterói tem a Renata's), e compre uma embalagem de 1kg de cream cheese, que sai por volta de R$13 e dá e sobra pra uma cheesecake gigante, ou umas duas pequenas.

Já na cobertura das cheesecakes, é tradicional usar geléias mais ou menos ralas, ou compotas de frutas. Só que claro que na tradição inglesa e americana, são sempre aquelas 'berries' caras, difíceis de encontrar, e muitas vezes sem gosto quando compradas aqui no Brasil. Apelar pra uma geléia comprada pronta e de boa qualidade é certeza de sucesso, mas é mais uma despesa nessa receita. Então eu já me debati muito com esse ponto, e uma vez substitui a cobertura por fatias bem finas de kiwi fresco, garantindo o azedinho, e achei que ficou muito bom, e ainda menos doce. Mas acho que a substituição campeã é mesmo a goiabada. Claro que tem que ser uma goiabada com ponto de geléia, então se comprar pronta uma cascão, corte uns pedacinhos e dissolva numa panela com um pouco d'água, num fogo baixo. Como aqui em casa rola sempre uma produção de goiabadas mais ou menos pastosas, é só uma questão de abrir a geladeira =)

LONDON CHEESECAKE ou CHEESECAKE ROMEU E JULIETA

Adaptado do How to be a domestic goddess, da Nigella Lawson


Ingredientes:

Crosta:
150g biscoito maisena (um pouco menos se quiser a crosta mais fina)
75g manteiga, derretida ou bem macia
1 c. chá canela em pó

Recheio:
600g cream cheese
120g açúcar
3 gemas
3 ovos
1 1/2 c. chá extrato de baunilha
1 1/2 c. chá suco de limão

Cobertura opcional (essa receita originalmente não usa geléia em cima, mas uma cobertura de sour cream):
3/4 xícara (180ml) sour cream**
1 c. sopa açúcar
1/2 c. chá extrato de baunilha

Cobertura de Goiabada:
Goiabada cascão amolecida em fogo brando com um pouco de água, até ficar pastosa. Quantidade à gosto.

Preparo:

1. Triture os biscoitos até virarem farelos. Acrescente a canela e a manteiga e bata mais (ou misture com a mão, já na fôrma, pra não ter um processador amanteigado pra lavar, mas só um processador esfarelado). Forre o fundo de uma fôrma de aro removível (de 20 a 23cm de diâmetro), pressionando o biscoito com as mãos. Ponha a fôrma na geladeira e pré-aqueça o forno a 180ºC.

2. Bata o cream cheese delicadamente até que ele fique mais cremoso, e então adicione o açúcar. Incorpore à mistura os ovos e as gemas, e por fim a baunilha e o suco de limão. Coloque uma leiteira de água pra ferver.

3. Envolva a fôrma de aro removível com papel alumínio, de forma a cobrir o fundo e as laterais, fazendo duas camadas. Coloque a forma num tabuleiro (o mais alto que tiver).

4. Despeje o recheio de cream cheese na fôrma e depois despeje a água fervente no tabuleiro ao redor. A altura da água deve ser metade do tabuleiro, para não derramar. Coloque o conjunto no forno e asse por 50 minutos, e comece a preparar o sour cream, se for usar. O aspecto no fim do tempo deve ser firme, mas não muito rígido. Você deve poder despejar a cobertura de sour cream sem que ela afunde no recheio.

5. Bata o sour cream com o açúcar e a baunilha, e despeje sobre a cheesecake. Devolva para o forno e asse por mais 10 minutos.

6. Remova o tabuleiro do forno e retire a fôrma com cuidado, desenrole o papel alumínio e deixe esfriar num rack. Refrigere até a hora de comer. Coloque a cobertura de goiabada depois de desenformar e antes de servir.



*referência a um blog que acompanho e adoro, o Come-se, onde a autora termina suas receitas com essa bela onomatopéia ;)

** substituição para o sour cream: misturar 1 c. sopa de suco de limão a 1 xíc. de creme de leite fresco,  deixar a mistura descansar em temperatura ambiente por 30 minutos. Guarde na geladeira até a hora de usar.
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